Aspectos psicológicos e psiquiátricos do diabetes

Tuesday, 10 November 2009



Em homenagem ao Dia Mundial do Diabetes, um post com esclarecimentos sobre complicações psicológicas e psiquiátricas da doença.

O diagnóstico de diabetes é um evento vital altamente estressante, que requer um alto número de acomodações mentais e físicas. O paciente deve aprender a lidar com uma dieta complexa diariamente e passar a sofrer diversas intervenções médicas. O estilo de vida, trabalho e escola devem ser alterados. Todas estas mudanças consomem muita energia, tanto da família quanto do paciente. As mudanças psicológicas incluem um ajuste a uma nova visão de si, e ao golpe narcísico sofride pelo EU: a visão que muitos de nós temos de que somos invencíveis é esmigalhada e dói coletar os cacos do antigo Eu para formar uma nova identidade.


Depressão

A depressão é uma das mais comuns complicações do diabetes, com prevalência cinco vezes maior nos diabéticos do que na população em geral. Diabéticos com depressão major apresentam alta taxa de recorrência de episódios depressivos em 5 anos e uma pessoa deprimida não tem energia ou motivação para manter um bom controle do diabetes. O próprio estresse da depressão pode levar a hiperglicemia em diabéticos.
No caso de crianças e adolescentes com diabetes, crianças cujos pais são mais críticos em seus comentários têm pior controle da glicose. Paradoxalmente, super envolvimento emocional entre os membros da família e a criança diabética não acarreta pior controle (Koenigsberg et al. 1993). Adolescentes diabéticos apresentam maior ideação suicida quando comparado com seus pares e aqueles com ideação suicida não tomam cuidados adequados. Lembrar que adolescentes suicidas diabéticos têm em seu poder um perigoso medicamento que em altas doses pode levar a óbito.
Estudos recentes sugerem que o tratamento eficaz da depressão pode melhorar o controle glicêmico. (Lustman et al. 1997).
No caso de depressão, o paciente deve procurar ajuda especializada e tratamento, que pode consistir de psicoterapia (casos mais leves) ou medicação. Para evitar a depressão ou para os que já a tiveram e querem evitar recaídas, psicoterapia, técnicas de relaxamento, lazer, praticar esportes, analisar o estilo de vida e reduzir o estresse são técnicas efetivas.

Alterações psicológicas

Muitos dos recém diagnosticados com diabetes passam pelos típicos estágios de luto: negação, raiva, depressão e aceitação.

Negação: é um dos estágios mais perigosos e pode ocorrer mais de uma vez, com pacientes espiralando de volta a esta fase várias vezes. A fase de "lua de mel"*, associada ao início de um quadro de diabetes tipo 1 pode reforçar esta fase, que é bastante comum em adolescentes diabéticos.
     * A "fase de lua de mel" é um período de tempo logo após o diagnóstico do diabetes tipo 1 no qual há uma melhoria na produção de insulina pelo pâncreas. Esta é uma situação temporária, e não melhoria, cura ou remissão da doença.

Raiva: um paciente com diabetes tipo 2 que está a tentar emagrecer pode invejar pessoas mais obesas que estão saudáveis. Mecanismos de defesa como deslocamento, no qual o paciente fica extremamente irritado com observadores inocentes, pode ocorrer. Cuidado  pois a raiva pode alterar drasticamente os níveis de glicose.

Depressão: sentimentos moderados de depressão são parte normal do processo de luto. Se se tornarem pervasivos ou prolongados, assistência especializada deve ser procurada.

Aceitação: o paciente finalmente aceita a doença e acalma-se. Alguns podem voltar ao início deste ciclo e começar de novo, pela negação. Isso pode ocorrer particularmente após fatores estressantes de vida (complicações clínicas, etc).

Ansiedade

Quadros de ansiedade podem causar grandes variações dos índices glicêmicos. Ataques de pânico podem se assemelhar a episódios de hipoglicemia e vice-versa. Quando em dúvida, trate a todos como episódios de hipoglicemia e os níveis devem ser monitorados de perto, particularmente em períodos de grande estresse. Da mesma forma que para quadros depressivos, diversos tratamentos são oferecidos quando um diagnóstico de transtorno de ansiedade é estabelecido. Técnicas de relaxamento e outras ajudam a impedir o desenvolvimento ou a reduzir o risco de recaídas nestes quadros.

Transtornos alimentares



Os transtornos alimentares são pouco discutidos nestes pacientes, mas pais e profissionais de saúde devem estar alertas. Adolescentes diabéticas com alterações da imagem corporal podem desenvolver Bulimia. Ao invés de vomitar ou fazer exercícios extenuantes, como as outras pacientes, diabéticas podem passar a negligenciar as doses de insulina, o que leva a graves complicações como a retinopatia diabética e a cetoacidose diabética, que pode causar coma e morte.
Adultos com diabetes tipo 2 e obesidade, que não conseguem aderir a um regime dietético devem ser investigados para Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica, no qual o paciente come excessivamente (Binge) mas não apresenta episódios purgativos.

Referências:

ResearchBlogging.org
 1 Lustman, PJ, Griffith, LS, Freedland, KE, Clouse, RE; The course of Major Depression in Diabetics Gen Hosp Psychiatry 1997; 19(2) 138-143.

2. Koenigsberg HW, Klausner E, Pelino D, Rosnick P, & Campbell R (1993). Expressed emotion and glucose control in insulin-dependent diabetes mellitus. The American journal of psychiatry, 150 (7), 1114-5 PMID: 8317588

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