Conspiração pela internet para cometer suicídio

Wednesday, 18 November 2009



Recebi pelo twitter a notícia de que um grupo de jovens do Vale de Cambra em Portugal e outros do Brasil estavam a planejar um suicídio coletivo, inspirados por uma página do orkut.
Diz a reportagem:
O caso foi denunciado pela mãe de uma das jovens do grupo, residente em Vila Nova de Gaia. A criança revelou o conteúdo de uma conversa em linha com um amigo de Vale de Cambra, um jovem que já tinha praticado automutilação, incentivado por uma página alojada na rede social Orkut.

Parece-me que a notícia é meio antiga (a não ser que o site da TSF esteja com problemas), mas mesmo assim suscitou a pesquisa pelo assunto. Uma rápida pesquisa no site do orkut, a utilizar palavras chave como "suicídio", "eu me corto" e "cutter" (palavra que os emos que se cortam usam para se descrever) revela diversos tópicos que tratam desde como escrever cartas de suicídio até exemplos de suicídios estúpidos. Em um tópico (que não vou ajudar a localizar), um usuário anônimo postou um link com fotos gráficas de uma garota emo com cortes profundos em todos os membros. Aparentemente da mesma forma que anoréxicas e bulímicas utilizam fotos de modelos magérrimas como estímulos para continuar com a privação ou purgação, cutters utilizam fotos assim também como estímulo.

Embora até hoje a maioria das conspirações para cometer suicídio tenham acontecido no Japão, um país com alta prevalência do mesmo, incidentes similares foram observados em países ocidentais.

Um artigo publicado pelo Canterbury Suicide Project ("Suicide Pacts", Christchurch School of Medicine, New Zealand, May 2005) traça paralelos entre a natureza das conspirações ou pactos de suicídios "tradicionais" e os recentes pactos pela internet. O artigo relata que tradicionalmente, pactos de suicídio são extremamente raros e envolvem indivíduos mais velhos (50 a 60 anos), muito raramente adolescentes e tendem a ser entre indivíduos que gozam de laços familiars ou maritais, com psicopatologias diferentes, mas complementárias.
Por outro lado, o número crescente de pactos pela internet são diametralmente opostos: envolvem quase que exclusivamente indivíduos jovens, tendem a ser entre estranhos ou indvíduos com relacionamentos platônicos e a característica em comum entre eles parece ser apenas a depressão.
O artigo também declara que profissionais de saúde mental devem investigar pacientes jovens deprimidos e ou com idéias suicidas sobre seu uso da internet e padrões de visitas a sites que fornecem informação sobre suicídio e conversas sobre o assunto em chat rooms (salas de conversação ou bate papo)

Posted by Vanessa Marsden at 09:01  

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