Dona Olympia

Tuesday, 17 November 2009

foto retirada do site Palma Louca

Ao ler o Correio de Uberlândia (versão online), fiquei um bocado curiosa sobre a matéria "Sutileza entre o real e o insano", reportagem de Núbia Mota sobre a peça de teatro "Olympia".
Aparentemente a peça foi desenvolvida com base em Olympia, uma cidadã de Ouro Preto que sofria de transtorno mental e virou figura cativa do folclore. Ainda, segundo a reportagem, Sinhá Olympia ou Dona Olympia chegou a gozar de fama internacional e até foi tema de desfile de Escola de Samba no Rio de Janeiro.
Peço perdão pela minha ignorância, mas nunca tinha ouvido falar dela ou de qualquer manifestação cultural escrita sobre a mesma. Pode ser que pelo fato de ter nascido no final dos anos 70, e ser do Sul do Brasil não tenha tido oportunidade de ouvir falar de D. Olympia.
O fato é que a reportagem despertou meu interesse. Indivíduos que apesar de toda a dificuldade de viver com a doença mental e do estigma causado por ela (especialmente entre os anos de 50 a 70) serem nacionalmente reconhecidos são raros e merecem ser lembrados e comentados.


Após uma rápida pesquisa no google, descobri que Olympia Angélica de Almeida Cotta (1889-1976) costumava se vestir com roupas do século 18, chapéus extravagantes e cajados e tinha por hábito contar histórias de outros tempos como se as tivesse vivido. De família rica, Olympia foi proibida de viver um romance na adolescência e, reza a lenda, que pouco depois o rapaz faleceu de tristeza, sendo esse o motivo de sua loucura.

No site CliniCaps, encontrei que
(...) Olympia circulava pelas ruas de Ouro Preto conversando com os turistas, contando histórias, tirando fotos, levando alegria e angariando “pratinhas” daqueles que se encantavam com seus casos mirabolantes. (...) Mais do que uma figura pitoresca, Sinhá Olympia é para nós um exemplo de como um sujeito psicótico pode chegar a encontrar certa estabilidade e constituir laço social. (...) com sua aparência exótica e suas narrativas ‘sem pé nem cabeça’, ela construiu um nome, um corpo, uma identidade: Olympia, a contadora de estórias.
Nesta permanente discussão sobre o tratamento possível da psicose, D. Olympia tem a importância de nos fazer lembrar que este saber não está do lado de quem se propõe a tratar, mas do lado do sujeito que fala sobre si."

A peça, em cartaz em Uberlândia está a 6 anos na estrada e tem angariado boas críticas, tanto para o texto quanto para a atriz. Pena que não poderei assistí-la, pois estou longe, mas recomendo a todos que se interessam por psiquiatria e saúde mental.

Para saber mais:
Recanto das Letras
Ypohiketé (poesia sobre D. Olympia)

Posted by Vanessa Marsden at 09:17  

3 comments:

Obrigada pela visita, seja sempre benvinda! Agradeço também pela divulgação do meu blog... um grande abraço e sucesso em seus projetos!

Mary Flower said...
19 November 2009 at 18:23  

Obrigada pela visita Mary Flower!

Vanessa Marsden said...
21 November 2009 at 02:40  

Oi Dra.Vanessa,
www.clinicaps.com.br e encontrará mais história de Dona Olympia.

Paciente IRS ® said...
27 April 2010 at 20:58  

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