O Burn-out em profissionais de saúde

Thursday, 5 November 2009

 

Burn-out – resultado de uma exposição prolongada a uma carga excessiva de estresse ocupacional. É especialmente característico nos profissionais de ajuda (médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, etc.)


Estado de fadiga ou de frustração surgido pela devoção por uma causa, por uma forma de vida ou por uma relação que fracassou no que respeita à recompensa esperada, Freudenberger (1974)

Tem sido considerado característico dos profissionais que lidam direta e diariamente com pessoas necessitando de ajuda (Pines, 1989). É caracterizado por exaustão emocional elevada, sentimentos e atitudes de indiferença e desumanização dos serviços prestados e sentimentos de menor realização pessoal dos profissionais envolvidos (Maslach, 2000: Spector, 2000; OMS, 1981)

 
Estresse

O que provoca dano ao homem é colocar-se num dos dois extremos: ter uma vida monótona, sem estímulos que a enriqueçam ou o contrário, uma vida com muitas exigências desgastantes e repetidas” Vaz Serra, 1999.

O Estresse é uma resposta fisiológica inespecífica do organismo a qualquer exigência de adaptação, ainda que seja causada ou tenha como resultado condições agradáveis (“eustresse”) ou desagradáveis (distresse). Nos dois casos o organismo experimenta na prática as mesmas respostas inespecíficas aos diversos estímulos positivos ou negativos que atuam sobre ele”. Seyle, 1978

O estresse no trabalho “é uma das causas que mais frequentemente determina mau humor no indivíduo o que, por sua vez, pode ter implicações negativas no ambiente familiar e sobre terceiros que nada têm a ver com o meio profissional. Pode trazer prejuízo tanto para a saúde física como psíquica do trabalhador. Igualmente pode ter efeitos negativos sobre o funcionamento da empresa e custos de produção” Vaz Serra, 1999

Estresse no trabalho (Ross e Altmaier 1994): “ interacção das condições de trabalho com as características do trabalhador de tal modo que as exigências que lhe são criadas ultrapassam as suas capacidades em lidar com elas”

Da interacção entre tarefa indivíduo e organização (empresa) pode resultar um maior ou menor nível de estresse:


Papel na organização
Conflito\ambiguidade de papel
Responsabilidades
Não participação nas tomadas de decisão

Carreira
Perspectivas de ascensão
Sobre\sub promoção
Insegurança no emprego
Ameaça à ambição pessoal

Fatores intrínsecos ao trabalho
Trabalho em excesso
Trabalho demasiado reduzido
Condições dísicas desagradáveis
Pressões de tempo
Tomada de decisão

Estrutura e clima da organização
Falta de supervisão eficaz
Restrições ao comportamento
Política da organização

Relações dentro da organização
Relações pobres com chege, colegas ou subordinados
Dificuldades em delegar responsabilidades, etc

Relações da organização com o mundo exterior
Exigência da empresa X família
Exigência da empresa X interesses pessoais

Todos estes fatores influenciam o indivíduo, que também sofre influência de:
Personalidade
Tolerância à ambiguidade
Capacidade de lidar com mudanças
Motivação
Padrões específicos do comportamento individual

O estresse nos profissionais de saúde
Os profissionais de saúde estão expostos a um estresse crônico elevado devido não só à especificidade do seu trabalho mas também aos riscos profissionais resultantes da exposição aos fatores laborais.

O estresse em enfermagem
A enfermagem é considerada uma profissão carregada de fortes emoções pelo confronto diário com situações de sofrimento e morte. O dar continuamente e pouco receber pode conduzir ao esgotamento. “Este grupo de profissionais é afetado por transtornos psicopatológicos superiores aos da população em geral e, quando em stress, também se envolve no consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas ou psicofármacos” (Vaz Serra, 1999)

O estresse em enfermagem oncológica
Wilkinson (1990), “as experiências stressantes são principalmente devidas a:
Deficiente comunicação
Falta de preparação
Carências de pessoal
Confronto com a morte
Situações com que todos os enfermeiros se debatem diariamente, o que sugere que, por si só, a prática de enfermagem oncológica não é causadora de stress”

O Burn-out em profissionais de ajuda é tipicamente caracterizado por três dimensões (Maslach, 2000)

  •  Exaustão emocional
  • Despersonalização
  • Diminuição da realização pessoal
 A falta de recursos e diminuição de controle no trabalho, suporte social, aptidões, autonomia e envolvimento nas decisões; associados a sobrecargas de trabalho e conflitos interpessoais levam ao Burn-out. Este por sua vez causa redução do compromisso com a organização (empresa), baixo turnover e alto absentismo e pode levar até mesmo a doença física.

Posted by Vanessa Marsden at 03:56  

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