Aspectos psiquiátricos da infecção pelo HIV - parte 2

Tuesday, 1 December 2009

Número de pessoas a viver com AIDS no mundo (para maiores informações, clique na figura, que leva ao site da UNAIDS - Joint United Nations Programme on HIV and AIDS): por volta de 45 milhões de pessoas.



Mais de 95% estão em países de baixa ou média renda. Em 2005 houveram mais de 14.000 novas infecções por dia, sendo que destas 2000 foram em crianças menores de 15 anos. Acredita-se que haja pelo menos 2.3 milhões de crianças infectadas no mundo.

Características da doença do HIV

  • Doença crônica, sem cura
  • Alta comorbilidade
  • Influência de factores psicológicos no seu curso
  • A incerteza do contágio
  • Os factores psicológicos de risco
  • Exige adesão terapêutica
  • Confronta a pessoa com a sua finitude
  • A ausência de ganho secundário
  • A idade para lidar com uma doença terminal - 25-49 anos
  • A influência do meio
  • Os padrões morais e religiosos
  • O duplo padrão de infectado e infectante
  • Implica mudanças na vida sexual
  • Altera projetos de vida (procriação)
  • Diminui qualidade de vida
  • Confronta a pessoa com os seus estilos de vida
  • A prevenção determinante na progressão da pandemia
Miguel Bragança (2006), em apresentação sobre a evolução da epidemia de SIDA (Universidade do Porto), resume assim sua evolução do ponto de vista psiquiátrico.


Fatores psicológico que podem influenciar na evolução:

Personalidade
Personalidades anti-social: alto risco de se infectar e baixo risco de sofrer morbilidade psiquiátrica

 Personalidade borderline: muitos infectados devido à pansexualidade. Dificuldade de interiorização da sexualidade e sentimentos

 Personalidade anancástica: traços de personalidade protetores (ruminações, proteção, são mais monogâmicos, pensam sistematicamente no que vão fazer)

 Alexitimia: dificuldade de expressão verbal de emoções. Fator de risco para infecção. O indivíduo tem dificuldade também para expressar sua sexualidade.
Locus de controle: interno – indivíduo se culpabiliza muito. Indivíduos têm maior probabilidade de tomar medidas preventivas.


 Campanhas preventivas falham muito porque são feitas em massa. Para que isso funcionasse adequadamente as personalidades teriam de ser homogêneas. Quanto menor o grupo ao qual é direcionada, quanto mais homogêneo, maior a eficácia.

 
Psicopatologia prévia

 Toxicodependentes

Alcoólicos
Transtornos de personalidade
Transtornos de ajustamento
Transtorno da identidade do gênero
Transtornos afetivos ou psicóticos
Parafilias
Contexto existencial




 Perturbações psicológicas causadas pelo HIV



 Medo e\ou recusa do teste:
  • Lidar psicologicamente com a doença
  • Inutilidade
  • Negação
  • Infectado/infectante
  • Mentir

A comunicação do diagnóstico: “ A verdade médica é um fármaco de grande potência que deve dosear-se com o tempo”  J. Blanco e Y. Lopez



 Influência psicológica e simbólica da infecção


Choque - Turpor
Negação
Relações menos protegidas
“Worried well”
Raiva
Revolta dirigida a si próprio
Revolta contra o outro
Menor protecção - “Não quero saber, também me contagiaram”
Culpabilidade - Negociação
Contextualizada com os estados de raiva ou depressão
Depressão e ansiedade
Luto da “perda da sexualidade”

Mecanismos de estresse e coping na infecção pelo HIV 
 
Bragança (2006):



Características dos estressores (Labrador, 1992)


Mudança ou novidade
Incerteza
Ambiguidade
Imprevisibilidade
Iminência

Ocorrências que causam estresse:
Acontecimentos traumáticos

Acontecimentos significativos da vida
Situações crônicas indutoras de estresse
Micro indutores de estresse
Macro indutores de estresse
Acontecimentos desejados que não ocorrem
Traumas ocorridos em estados de desenvolvimento

Referências:

ResearchBlogging.org

Aspinwall, L., & Taylor, S. (1997). A stitch in time: Self-regulation and proactive coping. Psychological Bulletin, 121 (3), 417-436 DOI: 10.1037/0033-2909.121.3.417

Bragança, M. A perturbação neurocognitiva associada à infecção pelo VIH. Mesa Redonda Perspectiva psicológica e psiquiátrica na infecção pelo HIV. V Congresso Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Porto, Novembro 2009

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