Álcool e mulher
Wednesday, 28 October 2009
Nos últimos anos tem-se observado uma mudança dos padrões de consumo típico de álcool. Com a entrada de novas variáveis (como as bebidas desenhadas especificamente para mulheres), o início cada vez mais precoce do consumo de álcool e uma tolerabilidade social ao aumento de frequência dos episódios de embriaguês, não é surpresa que ocorra o aumento do número de mulheres a fazer uso nocivo ou a serem dependentes químicas do álcool.
As mulheres apresentam uma facilidade inata no estabelecimento da dependência alcoólica, devido a fatores biológicos e psicológicos. Nestes últimos pode-se citar o uso de álcool como automedicação. A "forma de beber" feminina também mudou (o que antes era escondido agora é público e aceitável) leva a novas formas de aprendizagem do ciclo do ciclo de alcoolização, com alterações do comportamento social e da sexualidade.
Especificamente quando se fala de álcool e mulher não se pode deixar de mencionar os Efeitos Alcoólicos Fetais (EAF)
EAF são todas as condições consideradas secundárias à exposição ao álcool no útero. Entre elas pode-se citar:
- partos prematuros
- aumento da mortalidade perinatal
- baixo APGAR
- atraso no desenvolvimento neuropsicomotor
- déficit mental
- redução da coordenação visuo-motora
- hiperatividade e comportamento de distração
- perturbações do sono
- instabilidade emocional
exige 3 critérios diagnósticos:
1. Déficit de crescimento (baixo peso, microcefalia e deficiente evolução estaturo-ponderal)
2. Desordens do Sistema Nervoso Central
3. Facies característico e outras malformações fenotípicas:
- redução das fendas palpebrais
- epicanto e ptose
- nariz curto com base larga
- pequeno lábio superior
- assimetria facial
- testa curta e abaulada
- malformações cardíacas e renais
O etanol e o acetaldeído atravessam livremente a membrana placentar. A sua difusão faz-se facilmente e em dependência , somente, do fluxo sanguíneo placentar, segundo um gradiente de concentração.
O álcool pode causar mais danos no estado embrionário, especialmente nos consumos por "surtos": a mulher intoxica-se no sábado, depois novamente na outra semana, etc.
Os efeitos tóxicos diretos do álcool e dos produtos derivados faz-se sentir ao longo de todo o período da gestação. Os efeitos indiretos relacionam-se aos aspectos do metabolismo da mãe alcoólica crônica (malnutrição, depleção de ácido fólico, diminuição da reserva de glicogênio, redução da circulação placentária de oligo-elementos como zinco, etc.)
A extensão e a severidade dos danos ao bebê dependem da quantidade consumida e da época da gravidez.
Síndrome Alcoólico Fetal
3 critérios:
1. Déficit de crescimento (baixo peso, microcefalia e deficiente evolução estaturo ponderal)
2. Desordens do SNC
3. Facies característico e outras malformações fenotípicas:
- redução das fendas palpebrais
- epicanto e ptose
- nariz curto e base larga
- pequeno lábio superior
- assimetria facial
- testa curta e abaulada
- malformações cardíacas e renais
Álcool e amamentação
A concentração que o álcool atinge no leite é equivalente à concentração atingida no sangue da mãe. A presença do álcool inibe o reflexo de ejeção do leite e provoca alterações no odor e paladar.
Álcool e crianças
Ação direta - quando ocorre ingestão pelas crianças predominando consequências de índole biológica
Ação indireta - quando as crianças sobrem consequencias de viverem numa família na qual existe um elemento alcoólico, predominando sequelas de cariz psicológico e emocional
Labels: alcoolismo, dependencia quimica, psiquiatria da mulher, toxicodependencia
O comportamento humano numa perspectiva etológica
Etologia: estudo do comportamento animal
Padrão fixo de ação
Comportamento que é comum a todos os membros de determinada espécie, determinados por estímulos específicos (ex: ovos que escorregam do ninho e a ave os coloca no lugar). Uma vez iniciados, continuam mesmo que o ambiente varie. A sua ocorrência é independente da experiência.
Para entender melhor, veja este filminho aqui
Estímulo sinal
Estímulo simples, mas altamente específico que desencadeia padrões fixos de ação.
Comportamentos inatos
Comportamentos programados (geneticamente?) numa determinada espécie. O comportamento de mamar do bebê humano pode ser considerado um comportamento inato. Crianças que nascem cegar e surdas, quando estão com algum mal estar choram e quando estão felizes sorriem. Mesmo sem nunca ter visto ou ouvido tanto um quanto outro. Dessa forma, chorar e sorrir são comportamentos inatos do ser humano. Outra forma de pesquisar comportamentos inatos é avaliar comportamentos que tenham o mesmo significado em diferentes raças e culturas. Como exemplo, em várias culturas é comum as pessoas erguerem as sombrancelhas, enrugarem a testa e sorrirem quando encontram alguém conhecido.
Atividade deslocada e atividade redirigida
Surgem quando há tendências para o envolvimento em dois atos diferentes. É uma situação de conflito interno.
Atividade deslocada
É uma ação fora de contexto: dois galos no mesmo território ou lutam ou fogem. Às vezes em vez de tomar uma das atitudes acima, um galo começa a bicar sementes no chão. Outro exemplo: um rato está com fome, mas tem algo que o assusta na gaiola. Ao invés de comer ou fugir, ele passa a coçar-se.
Nos humanos, esta atividade pode ser vista por exemplo quando um indivíduo está a jogar xadrez e não sabe se joga com a torre ou com o peão. Ao invés de mover as peças, ele coça a cabeça (atividade deslocada). Ou quando um aluno está numa aula tediosa, quer sair da sala e não pode então ele boceja.
Atividade redirigida
Vou explicar com um exemplo: Um macaco está comendo uma banana e o chefe do grupo rouba-lhe a comida e o macaco não o pode agredir. Este macaco então procura outro abaixo de si na hierarquia e o agride.
Nos humanos a atividade redirigida pode ser vista quando se bate a porta quando se está com raiva, dar um murro na mesa, etc...
Movimentos de intenção
São movimentos incompletos ou preparatórios que ocorrem no início de uma atividade. Por exemplo, quando uma ave vai voar, bate as asas antes de iniciar o vôo. Nos humanos pode-se ver indivíduos sentados confortavelmente, que de repente sentam-se eretos, com as mãos no joelho num ato preparatório para se levantar.
Comunicação não-verbal
Quando olhamos para alguém, nosso olhar dirige-se principalmente para os olhos e boca dos nossos interlocutores. Outras formas de comunicação utilizadas são os gestos, que têm diferentes significados nas diferentes culturas (por exemplo, o sinal de OK nos EUA significa dinheiro on Japão e um ato rude no Brasil).
gestos de batuta: São aqueles que acompanham o discurso.
Para sublinhar um argumento sutil, utiliza-se o movemnto da mão com o polegar e o indicador fechados.
Da mesma forma, palmas para baixo acalmam uma audiência e as palmas viradas para si abraçam a multidão, no sentido de "venham a mim".
Por exemplo, lobos com olhar fixo e caninos expostos, musculatura tensa e pêlo eriçado demonstram intenção agressiva.
Nos primatas atuais, os pêlos dos ombros ficam eriçados quando eles estão em modo de combate, o que faz com que eles pareçam maiores e mais ameaçadores. Os humanos não têm pêlos nos ombros (pelo menos a maioria de nós) e perderam esse mecanismo de expressão. Entretanto, guerreiros humanos em todas as culturas usam artefactos nos ombros nos uniformes de guerra. Isso é uma forma de ritualização no ser humano.
Nos humanos observa-se o corpo tenso, exibição de órgãos sexuais (como por exemplo a posição de sentido dos coronéis perante os soldados)
Grooming - catar parasitas. Mães catam piolhos nos primatas, cães lambem suas crias. Os primatas adultos continuam a catar parasitas uns nos outros pois este comportamento acalma e diminui a tensão no grupo.
Pode-se usar sinais sexuais também para regular a agressão: o macho faz monta ritualizada em outro macho (que é o submisso na hierarquia).
Uma das formas de aproximação é a exibição de características sexuais secundárias (por exemplo, o pavão com penas exuberantes).
No século XVIII as pessoas andavam completamente vestidas mas as roupas marcavam a cintura e apliavam as ancas (superestímulo das características sexuais secundárias). Hoje em dia, a roupa é pouca e assim nossa cultura faz com que os homens tenham que exibir costas largas e musculatura e as mulheres exibem as ancas redondas (idela de beleza). Pupilas dilatadas também são mais atraentes pois implicam excitação sexual.
Sistema vinculativo
É o sistema de cuidado com as crias. É inato à espécie humana responder com sinpatia a estímulos redondos, com olhos grandes (como os bebês) - é um estímulo sinal Território - espaço indiviual. Só permitimos que sejam ultrapassadas as fronteiras aos que são de relação íntima. Usamos de gestos também para criar barreiras entre nosso mundo e o mundo exterior, como por exemplo o cruzar de braços.
Concepção psicodinâmica das neuroses
- Papel fundamental da infância (transformações do Complexo de Édipo)
- papel do recalcamento dos desejos edipianos que permanecem ativos e tendem a reaparecer (como por exemplo, sob o efeito da sexualidade adolescente ou adulta)
- retorno do recalcamento ameaçando o Eu
- aparecimento da doença como efeito da tentativa de resolução do conflito entre o retorno do recaldado e o Eu, entre o desejo e o interdito
- utilização de Mecanismos de Defesa (secundários) contra os efeitos negativos da tentativa de resolução do conflito
- O sentido inconsciente dos sintomas, a que o doente não acede
A triangulação
A neurose é consequência de fenômenos precoces que se referem ao período edipiano. A não resolução de conflitos edipianos constitui a "neurose infantil", organização inconsciente que "decide" o destino posterior da vida afetiva e da patologia. Aquilo que se designa por "neurose infantil" corresponde à estrutura, à organização psíquica na qual se vai constituir a neurose do adulto.
O conceito de "fixações pré-edipianas" diz respeito à adesão da pulsão a objetos ou a tipos de satisfação associados a fases do desenvolvimento.
Fenômenos organizadores: sorriso, angústia da separação, a palavra Não
O recalcamento
Os desejos edipianos (infância) são recalcados (remetidos ao inconsciente) como sendo inaceitáveis ao Eu.
A "ameaça de castração" surge como o motor deste conflito: a criança teme um ataque ao próprio corpo, em virtude dos seus desejos amorosos ou agressivos, temor que se inicia pelo congronto com a diferença entre os sexos.
O recalcamento não regula o conflito e a libido permanece fixada (fixação) na fase de desenvolvimento infantil (Édipo), em determinados modos de satisfação e a certos objetoc pré-edipianos
Segundo a perspectiva psicodinâmica a diferença entre o sujeito normal, o futuro adulto neurótico e a "criança neurótica" prende-se ao aspecto quantitativo dos efeitos do conflito e do recalcamento.
O retorno do conteúdo recalcado e o desencadeamento da neurose
Entre o período edipiano e a adolescência a sexualidade está bem mesnos presente e dominam a sublimação e as identificações aos adultos. Esse período é chamado de Fase de Latência. Há um equilíbrio entre os desejos inconscientes e as concepções do Eu.
Circunstâncias pulsionais ou exteriores, que têm capacidade de reativar os desejos podem desencadear os sintomas neuróticos. Assim, na adolescência as representações inconscientes podem tornar-se mais prementes, sendo os conflitos reativados: o recalcado tente a retornar, mas tende a desaparecer e deformar-se, não perturbando o funcionamento do Eu.
O reaparecimento dessas representações suscita angústia e conflito e as mesmas são objeto de um novo mecanismo de defesa: recalcamento, conversão, deslocamento ou transformação dos afetos em angústia. Isso acarreta , potencialmente, a neurose propriamente dita.
O sintoma
O sintoma responde aos mecanismos de deslocamento e condensação própria dos fenômenos inconscientes ( aparece o sintoma no lugar do desejo). O próprio sintoma pode ser objeto de novo mecanismo de defesa (mec. de defesa secundário), que visa proteger o indivíduo contra os efeitos desse sintoma. Um exemplo é a fobia neurótica, na qual ocorre deslocamento da angústia e evitamento do objeto.
Admite-se que o sintoma acarrete benefícios para o indivíduo (primeiramente, realiza o que estava recalcado e em segundo lugar, leva a atenção e a evitamento de conflitos). O conflito neurótico é fundamentalmente de natureza pulsional (desejo). Não existe neurose na ausência de uma organização edipiana.
Tipos de Neuroses
"Neuroses atuais" - neurose de angústia, neurastenia, hipocondria
A origem ocorreu não na infância, mas na vida atual. Os sintomas não são símbolos sobredeterminados (ou seja, não têm sentido oculto). A origem é fundamentalmente sexual, embora se trate de instaisfação da pulsão sexual. A dimensão somática dos sintomas é preponderante (astenia, cenestopatia, ansiedade, etc.). Tudo isso leva a que o tratamento psicoterápico não tenha efeito tão positivo sobre estas neuroses.
As "neuroses atuais" correspondem ao que se chama hoje de transtornos depressivos (exceto a depressão endógena), manifestações ansiosas e ao transtorno de estresse pós-traumático.
Psiconeuroses de transferência - Fóbica, TOC, histeria
geralmente têm origem na infância, através de uma perturbação que se origina em conflitos precoces e recalcamento (mec defesa preponderante). O sintoma tem um sentido e a relação de objeto é genital (enquanto na estrutura psicótica é fusional e nos estados-limite é anaclítica).
A angústia de castração predomina (ainda que se trate de uma angústia de fragmentação na estrutura psicótica e de perda de objeto no estado limite, por exemplo, pacientes borderline sofrem de angustia de separação ou perda do objeto). O recalcamento dos desejos (como agressividade e afetividade) é preponderante para a origem destas perturbações. O sintoma tem um sentido, que pode ser (re)construído pela palavra, no espaço da transferência. O trabalho psicoterápico possui um efeito, vindo o desaparecimento do sintoma por "acréscimo" à compreensão ou interpretação dos "fantasmas".
Labels: neurose, psicodinâmica e psicanálise, psicopatologia
Neuroses - uma introdução
Tuesday, 27 October 2009
Perspectiva histórica
Em 1769 o médico escocês William Cullen propôs o termo neurose (perturbação de origem nervosa na qual não se verifica febre ou qualquer lesão perceptível), entretanto o termo neurose só passa a ser usado em 1845. Charcot continua a investigação das neuroses, contudo sempre buscava associá-las a uma etiologia orgânica (como se fosse uma doença do sistema nervoso).
Freude, a partir de 1892, e Janet em 1983 (ambos discípulos de Charcot) continuam o estudo das neuroses durante o processo no qual a Psiquiatria se libertou do interesse exclusivo pela alienação e etiologia orgânica.
Perspectiva descritiva
As neuroses são transtornos mentais (qualquer que seja sua expressão) que não comportam nenhuma etiologia orgânica demonstrável. Como entidades, elas não perturbam a relação com a realidade ou o sentimento de identidade do indivíduo. Os sintomas são experimentados pelo doente como fenômenos indesejáveis, em ruptura com a idéia que tem o mesmo de si próprio.
As neuroses constituem-se em uma classe homogênea de perturbações e opõe-se a outras classes (psicoses) a nível
- descritivo - semiologia, sintomatologia
- explicativo - psicopatológico, biológico, fisiológico, etc...
Sinais:
- afetivos (angústia)
- comportamentais (por exemplo, evitamento)
- pensamento (obsessão)
- comunicação (por exemplo, a procura afetiva)
- personalidade (Aqui temos um componente que remete para a inibição. Há alguma organização da personalidade: É muito inibida, introvertida mas é uma personalidade coesa, ao contrário de uma estrutura de personalidade psicótica)
- está frequentemente angustiado
- as várias esferas vivenciais (afetiva, sexual, profissional, etc.) estão limitadas pela doença
- sente-se incapaz de lutar contra os sintomas
- a sua personalidade (maneira de ser e sentir) está estruturada de um modo que desencadeia acentuadas dificuldades na vida quotidiana
Ansiedade - apresenta-se com manifestações exteriores, visíveis (sudorese, palidez, calafrios, etc.)
A angústia é uma experiência comum, associada à vida e à condição humana. É um fenômeno normal, fator de criação.
Angústia normal e angústia patológica
O melhor critério para diferenciar uma da outra é a tolerância do indivíduo à angústia. A angústia é patológica quando é vivida como um sentimento que ultrapassa as capacidades de controle, se repercute na vida do indivíduo, limita os seus programas de ação, a sua atividade e as suas capacidades de sentir prazer.
Lembre-se que a angústia pode expremir-se de maneira aguda (crises de angústia)
Ansiedade crônica
Estado de tensão interior penoso, apreensão permanente que pode amplificar-se e assumir diferentes formas (ruminações perjorativas do passado, interrogações pessimistas relativas ao futuro)
Formas de angústia patológica
Neurose de angústia
A angústia é livre, flutuante, constitui o essencial da sintomatologia clínica
Neuroses sintomáticas "estruturadas"
A angústia está "ligada": angústia convertida em sintomas somáticos (histeria), emergindo em determinados contextos (fobias) e obessões. O termo "estruturada" indica a presença de mecanimos de defesa mais ou menos elaborados e eficientes, destinados a controlar o extravazamento emocional.
Os sintomas neuróticos constituem a expressão clínica.
Qualificativo "neurótico"
Designa a forma (pouco grave e compreensível) ou a origem psicopatológica (produzida pelo recalcamento) e as manifestações que podem ocorrer numa personalidade normal ou neurótica (não psicótica, não estado-limite).
Estabelece uma distinção explícita entre angústia neurótica e angústia psicótica (tão avassaladora que fragmenta o indivíduo)
Manifestações subjetivas da angústia
- inquietação intensa e sentimentos de ameaça grave
- sentimento de morte iminente, de perder a razão
- sentimento de desrealização, despersonalização
- temor reconhecido como patológico pelo indivíduo
- agitação psicomotora
- embotamento da atividade
- sideração estupurosa (estupor)
- comportamentos de evitamento (fobias)
- comportamentos defensivos (rituais)
- esfera cardiovascular (dor, taquicardia, rubor, palidez)
- esfera respiratória (dispnéia, tosse, hiperventilação)
- esfera digestiva ("aperto na garganta", náusea, aerofagia)
- esfera genitourinária (dores abdominais, inibição sexual)
- esfera neuromuscular ("cabeça vazia")
Somatizações (queixas somáticas baseadas em sensações corporais pouco ou nada explicáveis para a existência de transtornos somáticos).
Embora mais frequente na neurose, as somatizações não são encontradas em todas as neuroses (por exemplo, quase não se encontam nas fobias e TOC e são muito comuns nas histerias).
Outras patologias podem apresentar fenômenos próximos como por exemplo as psicoses (hipocondria e dismorfofobias na esquizofrenia; delírios paranóides sistematizados como a Síndrome de Cotard) e os estados-limite.
Uma dica fácil para diferenciá-las é que o neurótico sempre duvida da realidade do transtorno enquanto o psicótico acredita nele.
Déficits da motricidade voluntária e ou sensibilidade - conversão
dores psicogênicas ou exacerbadas
Cenestopatias - sensasões corporais desagradáveis, interpretadas como sinais de doença (preocupações hipocondríacas)
Preocupações relativas à imagem corporal (dismorfofobias)
Angústia e transtornos do pensamento
Crenças irracionais
Obsessões, fobias, sintomas histéricos ou hipocondríacos, pensamento mágico (TOC)
Sentimentos de culpabilidade, de erro, de proximidade de uma saída fatal ou de uma infelicidade inevitável, podem estar associados a crenças irracionais (evitamento, rituais, confiança, "fuga para frente" ou acting out)
Pensamentos incontrolados
Obessão como idéia intrusiva, que incomoda e é reconhecida como patológica e a compulsão ou idéia de um ato frequentemente absurdo, que tem de ser cumprido para lutar contra a obsessão.
Ruminações mentais: preocupações e interrogações negativas sobre o futuro, perturbam a vida mental do indivíduo. As ruminações "abrem caminho" para os pensamentos depressivos, para dúvidas permantes.
Perturbações da memória
Amnésias psicogênicas (histeria). Notar a ansiedade como fator importante das perturbações mnésicas
Sentimentos de insegurança e intranquilidade
Mecanismos de defesa nas Neuroses
*os mecanismos em azul são os mais utilizados
- identificação
- agressão passiva
- antecipação
- recusa
- anulação
- intelectualização
- recalcamento
- racionalização
- isolamento dos afetos
- idealização
- repressão
- clivagem
Angústia e traços de personalidade
Angústia estado (transitória)
Angústia traço (estável)
Angústia tipo de personalidade (personalidade evitante)
Traços de transtorno ou de personalidade neurótica
- impossibilidade de tomar decisões, de agir (com frequencia reage impulsivamente)
- dependência de outros
- necessidade de ser tranquilizado ou protegido
- receito da avaliação de outros
- incapacidade de lutar contra as suas próprias tendências (reconhecidas como patológicas, incômodas ou disfuncionais)
- angústia da solidão
- baixa auto-estima, falta de auto-confiança
- procura dolorosa de si mesmo
- dramatização ansiosa das situações
- impossibilidade de estabelecer relações espontâneas
- todos os fenômenos são sentidos como egodistônicos
Labels: neurose, psicodinâmica e psicanálise, psicopatologia
Introdução à Psicopatologia psicodinâmica - o quê, quando e como
Semiologia compreensiva - compreende o indivíduo na sua patologia e no seu contexto psicossocial: a psicopatologia psicodinâmica está nesta categoria.
Lembre-se: as doenças psíquicas são multifatoriais
O adoecer psíquico compreende
- o conteúdo psíquico (ansiedade, depressão)
- o conteúdo somático (doença mascarada, somatizações)
- o caráter (transtornos de personalidade, dependências, transtornos alimentares)
Na CID-10 ainda encontramos a classificação "Transtorno Neurótico". No DSM-IV o termo não se aplica.
Os termos neurose e neurótico podem ser usados nas seguintes acepções:
- grupos de doenças que se opõe às psicoses
- forma particular de organização da personalidade ou de estrutura, que não corresponde necessariamente a uma patologia reconhecível por sinais precisos
Sintomas homólogos: sintomas que se afastam do normal pela QUANTIDADE (ex.: neuroses)
Sintomas heterólogos: sintomas que se afastam do normal pela QUALIDADE (ex: psicoses)
Um jeito fácil de distinguir uma da outra: insight e juízo crítico - preservados na neurose e reduzidos na psicose.
Egodistonia: estranheza para o eu (neurose)
Egossintonia: reconhecidos pelo eu (psicose)
Na psicose os mecanismos de defesa mais utilizados são clivagem (corte, dissociação entre "parte doente" e a parte sã") e projeção.
A angústia do neurótico é organizadora, parece ter alguma estruturação. A angústia psicótica fragmenta o indivíduo.
Conceito de "transtorno neurótico"
Concepção sindrômica - DSM-IV-TR
Um transtorno define-se por um conjunto de sinais podendo as etiologias ser múltiplas, sem tomarem em consideração as concepções psicopatológicas.
Concepção psicopatológica
Um transtorno supõe uma etiologia e uma patogenia específicas, que permitem explicar ou compreender os diferentes sinais.
Características do alcoolismo na família
Abaixo, alguns tópicos importantes sobre as características da família e do ambiente familiar alcoólico. Estas noções devem fazer parte do entendimento de profissionais que lidam com pacientes alcoologistas como psicólogos, médicos e terapeutas familiares. Muitas vezes tratar o paciente alcoólico não é suficiente pois a alteração de papeis familiares durante o processo de doença do paciente pode levar a atritos na sua sobriedade com risco de recaídas.
Múltiplos factores podem causar o alcoolismo: genéticos, ambientais, sociais, psicológicos ou culturais, entretanto sabe-se que filhos de alcoólicos são 4 a 6 vezes mais vulneráveis à doença.
O alcoolismo e a sua negação na família afectam significativamente o desenvolvimento e a transmissão de papeis através de mecanismos da aprendizagem social, modelagem e dos processos psicológicos de imitação e de identificação.
O doente: tem baixa auto-estima e baixa tolerância à frustrações
Famílias alcoólicas são caracteristicamente rígidas e não lidam bem com mudanças.
Famílias que reagem melhor à mudança apresentam:
-melhor comunicação entre membros
-clara separação de gerações
-maior tolerância e respeito da individualidade de cada um
-maior flexibilidade de papeis
As famílias alcoólicas são geralmente sistemas rígidos, com dificuldade de lidar com mudanças, nas quais o surgimento de um problema pode desencadear graves crises ou rupturas. Estas crises podem ser exemplificadas por:
-delinquencia
-desemprego prolongado
-nascimento de um filho
-doença prolongada de um membro
-identificação de um membro como alcoólico
O problema do alcoolismo não diz respeito apenas à pessoa que consome o álcool. Os membros da família, as pessoas mais próximas são particularmente atingidas.
Assim, o alcoolismo pode ser definido como uma DOENÇA DO SISTEMA FAMILIAR, uma vez que cada um está envolvido, quer no processo de desenvolvimento do problema, quer na sua resolução.
Alguns alcoólicos conseguem manter o equilíbrio familiar durante muito tempo, o que leva à NEGAÇÃO da doença por parte da família.
3 tipos de reação da família:
- Negação familiar e social do álcool como um problema
- minimização do problema
- procura justificações para os consumos excessivos do membro alcoólico
- gestão irracional (irresponsável) da economia familiar
- redução das responsabilidades
- Pode ocorrer separação ou divórcio
- Vida familiar e social caótica
- crescente agressividade nas relações conjugais e familiares
- dificuldades econômicas crescentes
- sentimentos de auto-piedade, depressão, doenças emocionais reactivas
- dificuldade no relacionamento sexual - que pode levar a delírios de ciúmes
- Pode ocorrer separação ou divórcio
- Reestruturação familiar
- o indivíduo alcoólico fica à margem na nova organização familiar
- estabelecimento de novas regras
- alteração na hierarquia, coligação e alianças familiares
- alterações de papeis familiares, assumindo o cônjuge não alcoólico o lugar de "chefe da família".
- o defensor
- o protetor - desculpa tudo o que o alcoólico faz
- o revoltado
- o herói - para tirar a atenção do alcoólico, tira as melhores notas, contra todas as perspectivas
- o acusador - todas as desgraças familiares são culpa do alcoólico
- o passivo - isola-se do convívio familiar
- ambiente caótico
- inconsistência, irresponsabilidade
- papeis indefinidos
- arbitrariedade
- alteração dos limites individuais
- discussões
- pensamento ilógico
Enfermagem em Saúde Mental
Dia 10 de outubro foi o dia Mundial da Saúde Mental...sei que já passou um tempo mas gostaria de retornar ao tópico com um assunto muito pouco comentado por médicos que trabalham na área: O trabalho da enfermagem em Saúde Mental.
Se colocarmos em contexto a reforma psiquiátrica dos últimos 20 anos, citando Oliveira e Alessi (Rev. Latino-Am. Enfermagem v.11 n.3 Ribeirão Preto maio/jun. 2003), o "trabalho de enfermagem em saúde mental caracteriza-se pela transição entre uma prática de cuidado hospitalar que visava a contenção do comportamento dos "doentes mentais" e a incorporação de princípios novos e desconhecidos, que busca adequar-se a uma prática interdisciplinar, aberta às contingências dos sujeitos envolvidos em cada momento e em cada contexto, superando a perspectiva disciplinar de suas ações. É, portanto, período crítico para a profissão e favorável para o conhecimento e análise do processo de trabalho nessa área." (...)
Para ilustrar melhor o trabalho da Enfermagem em Saúde Mental, em 2007 a OMS lançou o Atlas Nurses in Mental Health que resume informação sobre o número, treinamento e responsabilidade dos enfermeiros no campo da Saúde Mental, ilustrando, inclusive, a falta de enfermeiros especializados no assunto a maioria dos países de renda baixa e média.
Abaixo o vídeo que recebi por email de um colega enfermeiro em Saúde Mental sobre um mundo sem enfermagem:
A assustadora história da medicina - Radovan Karadžić o psiquiatra genocida
Monday, 26 October 2009
Há muito tempo atrás, quando estava nos primeiros anos do curso de medicina, li um livro chamado "A Assustadora História da Medicina", de Richard Gordon. O livro é divertido e engraçado, e conta uma outra história da arte de Hipócrates: a dos cirurgiões barbeiros que tinham o avental imundo (pois quanto mais sujo o avental, mais prestigioso o cirurgião), a dos péssimos médicos escritores (Richard Gordon acredita que é a sina da Medicina produzir bons terapeutas mas péssimos cronistas-liristas-contistas-poetas) entre outros. Meu capítulo preferido era dedicado aos médicos psicopatas...e é incrível como eles conseguiam ser maus.
Radovan Karadžić
Radovan Karadžić em Janeiro de 2008, em uma conferência médica em Belgrado, se passando por Dr. Dragan David Dabić.Para saber mais visite:
Radovan Karadžić na Wikipedia (em Inglês)
A Assustadora História da Medicina para comprar:
Buscapé
Livraria Sapiens
Ediouro
5 áreas estratégicas de envolvimento no combate ao uso nocivo de álcool na UE - 1a. estratégia
Cada um dos 11 objetivos primários aceitos pelo parlamento europeu foram dividos e 5 áreas estratégicas de envolvimento e de boas práticas que descrevo a seguir.
1. Proteger jovens, crianças e crianças por nascer
Objectivos
Objectivo1 - Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens menores e os padrões novicos e perigosos de consumos juvenis, em colaboração com todas as partes interessadas.
Objectivo 2 - Diminuir as consequências nefastas sofridas pelas crianças nas famílias com problemas de alcoolismo.
Objectivo 3 - Reduzir significativamente a exposição ao álcool durante a gravidez, diminuindo assim o número de crianças nascidas com síndrome alcoólico fetal.
Fundamentação da acção
(...) Os padrões nocivos de consumo de álcool entre os jovens não só tem consequências perniciosas para a saúde e o bem-estar social, como também para os resultados escolares. A tendência para o consumo esporádico excessivo continua a acentuar-se junto dos jovens de muitas zonas da União Européia (UE). (...) Alguns estados membros agravaram também os impostos sobre as bebidas que, em seu entender, atraem particularmente os jovens.
Boas práticas
As tendências de consumo entre os jovens podem ser combatidas eficazmente através de medidas adoptadas pelos poderes públicos. Exemplos: aplicações de restrições em matéria de vendas, disponibilidade e comercialização susceptíveis de influenciar os jovens, acções abrangentes com base na comunidade destinadas a prevenir os efeitos nocivos e os comportamentos de risco, envolvendo os professores, os pais, os demais interessados e os próprios jovens, e apoiadas por mensagens nos meios de comunicação social e programas de formação relativos às competências para a vida.
Para ler mais: documento oficial
Labels: alcoolismo, dependencia quimica, toxicodependencia
Fat Talk Free Week - quebrando espelhos distorcidos
Friday, 23 October 2009
A semana FTFW (Semana sem conversar sobre gordura) está quase no fim. E agora? Após uma semana de conscientização será que as estudantes que fizeram votos de não conversar sobre calorias, aparência, tamanho de roupa, etc. voltam a criticar seus corpos imperfeitos ou a achar defeitos em cada pneuzinho e a procurar cada celulite?
Os números mostram que os transtornos alimentares têm aumentado em todo o mundo ocidental. Entretanto, na mesma semana em que há esta campanha de conscientização sobre como nós mulheres criticamos nosso próprio corpo contra ideiais absolutamente inatingíveis, a Ralph Lauren esteve na mídia global por modificar e desfigurar a foto de uma modelo, que ficou com a largura da cabeça maior que a do quadril.
Infelizmente no Brasil e em Portugal não houve grande repercussão desta campanha. Nem mesmo no Reino Unido a campanha esteve na mídia. As tentativas de mudar a mentalidade social sobre magreza "ideal" e conscientizar sobre os transtornos alimentares passam despercebidas contra um pano de fundo de revistas que vendem um ideal de magreza inatingível como as "especializadas em dietas e boa forma" ou as revistas masculinas. Isso sem contar com a indústria da moda, que todos os dias bombardeia o inconsciente coletivo com ideais que representam apenas 0.5% da população mundial.
Agora apenas no ano que vem haverá outra campanha do gênero e fica a pergunta: o que acontece nas outras 51 semanas do ano?
Estratégia Européia para reduzir os efeitos nocivos do álcool
A Comissão das Comunidades Europeias apresentou uma estratégia abrangente para reduzir os efeitos do álcool na Europa até finais de 2012, debruçando-se sobre o que já foi feito a nível nacional e comunitário, os domínios prioritários nos quais é necessário agir e as modalidades de participação da Comissão no tratamento deste importante problema de saúde pública.
Da comunicação apresentada pela Comissão, e da divulgação em revistas especializadas na área, destaco os 11 objectivos propostos aos Estados-Membros, os quais partem da eleição de cinco temas considerados
prioritários, aos quais são associadas propostas de boas práticas.
A presente comunicação debruça-se sobre os efeitos deletérios para a saúde dos padrões nocivos e perigosos de consumo de álcool,bem como sobre as suas consequências económicas e sociais, satisfazendo assim o pedido
dirigido pelo Conselho à Comissão no sentido de esta acompanhar, avaliar e controlar os progressos registados e as medidas adoptadas, bem como de o informar sobre a necessidade de realizar outras acções. Concentra-se na prevenção e na redução dos padrões imoderados e extremos de consumo e no consumo de álcool pelos jovens menores, bem como em algumas das suas consequências mais nefastas, tais como os acidentes de viação provocados pelo álcool e a síndrome alcoólica fetal.
Objectivo 1: Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens menores e os padrões nocivos e perigosos de consumo juvenis, em colaboração com todas as partes interessadas.
Objectivo 2: Diminuir as consequências nefastas sofridas pelas crianças nas famílias com problemas de alcoolismo.
Objectivo 3: Reduzir significativamente a exposição ao álcool durante a gravidez, diminuindo assim o número
de crianças nascidas com síndrome alcoólico fetal.
Objectivo 4: Contribuir para a diminuição do número de mortos e de feridos devidos a acidentes rodoviários
provocados pelo álcool.
Objectivo 5: Reduzir as doenças físicas e mentais crónicas provocadas pelo álcool.
Objectivo 6: Reduzir o número de mortes provocadas pelo álcool.
Objectivo 7: Prestar informação aos consumidores para que possam fazer opções conscientes.
Objectivo 8: Contribuir para a redução dos riscos decorrentes do álcool no local de trabalho e promover
acções relativas ao contexto laboral.
Objectivo 9: Aumentar a sensibilização dos cidadãos comunitários para as consequências para a saúde dos padrões de consumo nocivos e perigosos, sobretudo os efeitos sobre o feto, os jovens menores, o trabalho e a condução.
Objectivo 10: Obter informação comparável sobre consumo de álcool, sobretudo no que se refere aos jovens; definições dos padrões de consumo nocivos e perigosos, dos hábitos de consumo, das consequências do álcool no plano social e da saúde; informação sobre os efeitos das políticas de luta contra o álcool e do consumo de bebidas alcoólicas na produtividade e no desenvolvimento económico.
Objectivo 11: Avaliar o impacto de iniciativas tomadas com base na presente comunicação.
Labels: alcoolismo, dependencia quimica, toxicodependencia
FAT TALK FREE WEEK - Conscientizacao sobre transtornos alimentares
Thursday, 22 October 2009
Continuando com os posts sobre transtornos alimentares em homenagem a FTFW, abaixo relacionei uma lista com os melhores documentarios e filmes sobre estas condicoes.Tambem postei um video com um "promo" do documentario da HBO Thin, que foi realizado dentro de uma clinica de tratamento destes transtornos na Florida, EUA. O video esta em ingles, mas mesmo que nao entendas a lingua, as imagens sao bem ilustrativas.
Documentarios
Thin
Este documentario da HBO (video acima) segue 4 mulheres de 15 a 30 anos enquanto estao em tratamento para transtornos alimentares.
Dying to Be Thin
Este documentario da NOVA acompanha individuos com transtornos alimentares de diversas areas: dancarinos, ginastas, estudantes, etc..
Perfect Illusions
Este documentario segue as experiencias de 4 familias cujas vidas foram alteradas pelos transtonors alimentares.
Campanha no Reino Unido mostra os efeitos secundarios do uso de drogas
Uma campanha publicitária que destaca as relações entre uso de maconha e danos à saúde mental esta sendo veiculada no Reiono Unido. No anúncio televisivo, os efeitos negativos da droga - perda de memória, paranóia e ataques de pânico - aparecem como convidados indesejados em uma festa realizada no cérebro do usuário. A campanha dá continuidade à recente reclassificação da droga no país e volta-se a adolescentes com idade entre 11 e 18 anos.
O video abaixo segue "Pablo", um cachorro utilizado como "mula" por traficantes que tenta entender o porque do uso de cocaina e descobre o lado negro do uso.
Labels: cocaina e crack, dependencia quimica, maconha/cannabis/haxixe, toxicodependencia
FAT TALK FREE WEEK - Conscientizacao sobre transtornos alimentares
Wednesday, 21 October 2009
Em homenagem a FAT TALK FREE WEEK (FTFW) vou postar musica e trabalhos relacionados aos transtornos alimentares para esclarecimento.
Abaixo, a musica Sophie, de Eleanor McVoy.
Letra
Sophie cannot finish her dinner
Says she’s eatin’ enough
Sophie’s tryin’ to make herself thinner
Says she’s eatin’ too much
And her brother says, you’re joking,
And her mother’s heart is broken
Sophie has a hard time copin’
And, besides, sophie’s hopin’
Chorus
She can be like all the other girls
Be just like all the other girls
Livin’ in an ordinary world
Just to fit in, in the ordinary world
Just to fit in like an ordinary girl.
Ii
Sophie’s losin’ weight by the minute
How did things get this bad?
Sophie’s family don’t understand it
Gave her all that they had
And her sister won’t stop cryin’
’cause her father says she’s dyin’
Sophie says she’s really tryin’
Problem is, sophie’s lying.
Repeat chorus
How did she get this way?
How did she get this way?
Through tryin’ to hide it.
What does it take to say,
What does it take to say
She’s dying, sophie’s dying to ¡
Repeat chorus
Campanha de Prevencao a Transtornos Alimentares
Eu recebi hoje um email de divulgacao da PROATA (Programa de Orientação e Assistência a Pacientes com Transtornos Alimentares PROATA / UNIFESP-EPM) sobre uma iniciativa de prevenção de transtornos alimentares que ocorre esta semana a "FAT TALK FREE WEEK", que tem o apoio da Academy of Eating Disorders e de várias outras instituições ligadas a Transtornos Alimentares.
O objetivo da campanha é questionar a busca de um corpo ideal, tão enraizada na cultura contemporânea, que coloca adultos e crianças em um estado permanente de insatisfação e baixa auto-estima.
Convido a todos a assistirem o video abaixo e, quem sabe, colocarem em prática as sugestões nesta semana, ou mesmo, no dia a dia.
Veja o video abaixo
Resultados de 2 anos de programa KLOTHO
Saturday, 17 October 2009
A Revista Dependências do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) traz um resumo do que foi feito e falta fazer ainda neste âmbito. Ela pode ser acessada neste link.
Labels: cocaina e crack, dependencia quimica, heroína e opiáceos, HIV; VIH; AIDS e SIDA, maconha/cannabis/haxixe, toxicodependencia
Uma breve e basica explicacao do que é toxicodependencia - II
Afinal, o que é Toxicodependência/Droga addicção?
Esta é uma condição definida como "doença" crônica, recidivante caracterizada pela busca e uso compulsivo de drogas, apesar de consequências adversas.
E quais são os fatores de risco para a dependência química?
1. Biológicos - genéticos: doenças mentais, sexo
2. Meio ambiente: lar caótico e abusivo
atitudes dos pais ou uso de drogas pelos pais
influências de pares (pressão dos pares ou seja: amigos)
atitudes da comunidade ou sociedade (como por exemplo, uma visão atual da cannabis
poucas conquistas escolares (abandono, reprovações, notas baixas)
3. Droga de escolha: rota de uso da droga (intravenosa, nasal, fumada)
efeitos particulares da droga
uso precoce
disponibilidade e custo da droga
1+2+3, permeado por mecanismos cerebrais= toxicodependência
Patofisiologia das drogas de abuso: áreas cerebrais afetadas pelo uso de drogas
Tronco cerebral: o tronco cerebral controla funções básicas críticas à manutenção da vida como batimentos cardíacos, respiração e sono.
O Sistema Límbico contém o circuito de recompensa do cérebro - esse circuito liga diversas estruturas cerebrais que controlam e regulam a habilidade de sentir prazer.
O Córtex cerebral é dividido em áreas que controlam funções específicas. Diferentes áreas processam informação dos nossos sentidos, permitindo-nos ver, sentir, ouvir e sentir o gosto. A parte da frente do córtex ou córtex frontal é o centro de pensamento do cérebro
E o que as drogas fazem nestes sistemas cerebrais?
Aqui é importante que ninguém se engane: TODAS as drogas de abuso produzem PRAZER
Ou seja, muitas campanhas de prevenção que usam variações do slogan americano "drugs are bad" (ou as drogas são ruins) são falhas porque, após "ensinar" que as drogas não têm um efeito prazeroso, na verdade elas têm. Então quando o adolescente as experimenta e vê por si mesmo o efeito, ele passa a considerar como "mentiras do sistema" todas as outras afirmações sobre as drogas...
Mas, como elas provocam esse prazer? Entender o porquê e as consequências dessa manipulação química é fundamental para quem trabalha com prevenção e para todos os envolvidos na problemática. Cada indivíduo que passa informações incompletas ou incorretas sobre o uso de drogas faz um desserviço na área.
Todas as drogas de uma forma ou de outra atuam no sistema da dopamina. A dopamina é um neurotransmissor cerebral que atua nos sistemas de recompensa do cérebro. Quando comemos algo que gostamos, quando recebemos carinho ou qualquer outra resposta prazerosa, a dopamina é liberada neste circuito e reinforça este comportamento. Então porque gostamos de um comportamento e porque a dopamina reforçou isto, nós buscamos novamente comer aquilo que causou a descarga.
Todas as drogas de abuso direta ou indiretamente levam a uma enxurrada de dopamina no cérebro, o que causa uma grande resposta de reforço (ou de voltar a usar). Quanto maior a liberação de dopamina, maior a vontade de utilizar a droga novamente.
Certas drogas podem liberar de 2 a 10 vezes mais dopamina do que os mecanismos naturais o fazem. Em alguns casos isso pode ocorrer quase que imediatamente (quando as drogas são fumadas ou injetadas) e os efeitos podem durar muito mais do que se produzidos pelos mecanismos naturais.
Labels: cocaina e crack, dependencia quimica, toxicodependencia
Americana "adicta/dependente" a abortos
Thursday, 15 October 2009
Uma americana esta causando controversia com o lancamento de seu livro no qual admite ser dependente de abortos/adicta a abortos, tendo realizado 15 procedimentos em 17 anos.
Os ciclos de gravidezes e abortos, que comecaram quando Irene Vilar tinha 16 anos foram puntuados por diversas tentativas de suicidio. Vilar foi aceita na Universidade de Nova Iorque quando tinha apenas 15 anos. No ano seguinte ela se apaixonou e casou com um professor de literatura latino-americana que tinha 50 anos e nao queria ter filhos. Vilar afirma que em resposta, se rebelou "esquecendo" de tomar a pilula.
"No comeco eu tomava a pilula e as vezes pulava um dia ou dois ou deixava de tomar por um mes", Vilar disse em um programa de televisao. "Com o passar do tempo havia um "high" (excitacao, viagem). Eu ficava menstruada e triste, e quando eu descobria que estava gravida, ficava com medo, mas tambem muito excitada." Ela afirma que realizava os abortos para que o marido nao a abandonasse mas "' 'e claro que eu nao queria repetir isso de novo e de novo. Um drogado tambem quer parar o tempo todo mas nao consegue."
O livro tambem detalha as tragedias pessoais de Irene Vilar, como a av'o que se tornou presa politica e a mae que se matou ao se jogar do carro em movimento, enquanto Irene, entao com 8 anos, a tentou salvar.

O livro Impossible Motherhood: Testimony of an Abortion Addict publicado ha 3 dias tem chocado os americanos tanto pro quanto contra aborto.
Para saber mais leia: transtorno de personalidade borderline
Uma breve e basica explicacao do que 'e toxicodependencia - I
Tuesday, 13 October 2009
Drogas
sao substancias quimicas utilizadas como medicamentos ou como ingredientes de medicamentos, que afetam o corpo e a mente e apresentam potencial de abuso. As drogas apresentam profundo impacto no balanco neuroquimico do cerebro, o que afeta diretamente como nos sentimos e agimos.
Abuso de drogas
'e o uso deliberado de substancias capazes de alterar o humor ou comportamento sem uma prescricao medica para isso. 'E o uso de qualquer droga a ponto de interferir com a saude, status economico ou funcionamento social do utilizador de drogas ou de outros. Por exemplo, se um homem bebe e dirige alcoolizado, isso ja configura abuso de drogas. Se nessa situacao ele atropela alguem, 'e o abuso de drogas interferindo com a vida de outrem.
Dependencia de drogas
'e um estado de dependencia psicologica ou fisica de uma certa substancia apos um periodo de uso periodico ou continuo da mesma. A dependencia 'e caracterizada por:
tolerancia - o individuo precisa de doses maiores para conseguir o mesmo efeito
sintomas de retirada/abstinencia - a cessacao do uso de drogas causa sintomas adversos fisicos e psicologicos
Tipos de dependencias
Habituacao 'a droga ou dependencia psicologica
'e uma condicao que resulta do consumo repetido de uma determinada droga. 'E caracterizada por:
- desejo, mas nao compulsao do uso de drogas
- o uso da droga com o sentido de melhorar o bem estar
- pouca tendencia ao aumento da dose
- o utilizador de droga 'e mais afetado negativamente do que a sociedade ou outros
Dependencia quimica ou toxicodependencia
'e um estado de intoxicacao periodica ou cronica produzido pelo consumo repetido de uma determinada droga. Caracteristicas:
- desejo pungente ou necessidade (compulsao) para continuar o uso da droga ou para obte-la por quaisquer meios necessarios.
- tendencia ao aumento da dose
- efeitos detrimentais ao individuo e 'a sociedade
- a cessacao da droga leva a disturbios fisicos.
O individuo que abusa de drogas (utilizador de drogas/usuario de drogas)
'e a pessoa que utiliza/administra drogas ou permite a outros que lhe administrem drogas sem aprovacao medica. (Isso inclui comprimidos para dor, e quaisquer outros medicamentos). Tipos:
Experimentacao: por curiosidade o individuo utiliza drogas uma ou poucas vezes.
Utilizador casual: 'e aquele que de tempos em tempos usa drogas para "refrescar" sua mente e corpo, e como forma de diversao ou relaxamento.
Toxicodependente/adicto: 'e aquele que regularmente consome drogas e que adquiriu dependencia fisica ou psicologica, que passaram dos limites do seu poder voluntario (i.e, embora ele ache que pode parar quando quiser, na verdade nao consegue parar! Um bom exemplo 'e o escritor americano Mark Twain que dizia:
Classificacao das drogas de abuso
existem varias formas de classificar as drogas, mas a mais comum 'e pelo tipo de efeito que elas causam. Assim, as drogas podem ser divididas em
Depressores do Sistema Nervoso Central (SNC)
estas sao drogas que diminuem as funcoes do SNC, resultando em prejuizo da capacidade de julgamento, da audicao, da fala e da coordenacao motora. Elas fazem com que a mente fique lenta, e podem lentifica reacoes corporais (como a respiracao) a ponto de causar mortes acidentais.
Exemplos incluem
-Opiaceos
- Sedativos-hipnoticos (benzodiazepinas/benzodiazepinicos - valium; barbituratos, tranquilizantes)
- Inalantes
- 'Alcool
Estimulantes do SNC
ao inves de causar relaxamento e sono, elas produzem um estado mental de alerta, reduzem o apetite e produzem um sentimento de bem estar. Exemplos incluem:
-Cocaina
-Crack
-Anfetaminas (Speed, metanfetaminas)
Alucinogenos/Psicodelicas
Sao drogas que afetam sensacao, pensamento, emocoes e capacidade de entendimento. O utilizador experimenta sensacoes de delirios e alucinacoes.
Exemplos incluem:
-cannabis/maconha/marijuana/haxixe
-LSD (dietilamida do ácido lisérgico)
-PCP (Fenilciclidina)
Labels: cocaina e crack, dependencia quimica, toxicodependencia






































