Boas festas!

Tuesday, 21 December 2010

Caros

O blog vai ficar meio desatualizado por uns dias. Inglaterra esta congelada, com temperaturas articas (-15 a noite) e na tentativa de embarcar de Heathrow, no meio do caos, para destinos mais amenos! Assim desejo boas festas a todos e um prospero ano novo!

Foto:http://www.telegraph.co.uk/topics/weather/4432363/Snow-Britain-Aircraft-slides-on-icy-grass-at-Heathrow.html

Posted by Vanessa Marsden at 04:07 1 comments  

Facebook coloca novo dilema ético a médicos

Saturday, 18 December 2010

Da revista Veja, acessível neste link


Pesquisadores sustentam que profissionais que mantêm perfis na rede não estão preparados para lidar com pacientes no ambiente virtual

Um em cada sete médicos disseram que decidiriam caso por caso se adicionariam um paciente como amigo no Facebook.

A adesão de médicos à rede social Facebook abriu um novo debate sobre a ética desses profissionais. Estudo realizado por pesquisadores do Hospital Lariboisièreque, na França, que ouviu 400 médicos em formação na Universidade Hospital Rouen mostrou que 73% dos entrevistados mantêm perfis na rede com dados que permitem facilmente sua identificação - caso de nome real, data de nascimento e foto (91%). Um em cada sete médicos acrescentou ainda que poderia adicionar pacientes em seu grupo de amigos do Facebook.



"Essa nova interação entre paciente e médico resulta em uma situação eticamente problemática, porque não está relacionada à assistência direta ao paciente”, defenderam os autores do estudo no Journal of Medical Ethics. "Além disso, a disponibilidade pública de informações sobre a vida privada de um médico pode ameaçar a confiança mútua entre ele e seu paciente. Comentários e fotos postados on-line podem ser mal interpretados fora do seu contexto original e podem não refletir com precisão as suas opiniões e comportamentos da vida real.”



Por ora, a preocupação dos estudiosos pode ser exagerada. Poucos pacientes de fato pediram a seus médicos que os aceitassem entre seus grupos de amigos. Segundo o estudo, só 6% dos médicos entrevistados haviam recebido tal solicitação; 4% aceitaram.



Porém, os autores da pesquisa preveem que esses números vão aumentar com o tempo e apostam que os médicos não estão preparados para isso. Só 61% haviam mudado suas configurações de privacidade, mas 17% não lembravam que alterações haviam promovido. Profissionais com menos de um ano de cadastro na rede se mostraram mais suscetíveis a erros nessas configurações. Além disso, 55% davam informações profissionais no perfil e 59%, dados sobre sua formação.



A grande maioria, contudo, ainda diz que recusaria imediatamente um pedido de amizade de um paciente (85%). As razões mais citadas para isso são o medo de interesse romântico e a necessidade de manter uma distância profissional. Só no fim da lista apareceu a suspeita de que a relação on-line fosse antiética. O Facebook se recusou a comentar a pesquisa

Posted by Vanessa Marsden at 12:46 0 comments  

Terapia cognitivo comportamental (TCC) em sintomas e pensamentos paranoicos

Wednesday, 8 December 2010

Paranoia: ideia exagerada ou deliberada de que outros estão a tentar causar mal ao paciente, desde ameaças físicas a psicológicas. Conforme post anterior, pesquisas recentes demonstram que pensamentos paranºoicos são mais comuns do que se pensava, com 1 em 3 pessoas apresentando pensamentos paranóides, 5% apresentando delírios persecutótios e 1% que os apresenta em grau severo.

Pensamentos paranóicos são melhores explicados como tentativas de se tentar entender eventos como eventos sociais ambíguos, um olhar, algo que foi dito ou eventos internos ambíguos como experiências ou sentimentos estranhos. Em TCC busca-se entender o porque o paciente desenvolveu os pensamentos paranóides, quais circunstâncias levaram a este desenvolvimento. A TCC lida com a evidência que suporta os pensamentos paranóicos do indivíduo.

Exemplo:
Um paciente acredita que os vizinhos estão a perseguí-lo e a desejar-lhe mal. "Eu saio na rua e vejo as cortinas a mexer e fico ansioso".  Neste caso, a pessoa sai a rua e procura evidências que suportam suas crenças. Deve-se explorar se quando sai à rua, já está a sentir-se ansioso? Chega a conclusões precipitadas? Esta pessoa avalia outras explicações para a sua situação?
Avaliar outras explicações é parte do tratamento TCC para pensamentos paranóicos, procurando por gatilhos específicos. O tratamento consiste em monitoramento do quadro, entendimento das causas (emoções, passado do paciente, estilo de raciocínio), e ajudar o paciente entender que pensamentos não são fatos, necessitando de evidências prós e contras antes de se chegar a um julgamento. Ajuda-se o paciente a testar seus medos: a ameaça é realista? e como lidar com os pensamentos paranóides quando ocorrem, ao invés de lutar contra eles. Técnicas de redução de preocupações também são parte fundamental do tratamento.

Técnicas de redução de preocupações (Worry reduction technics)

Preocupação é uma forma de pensamento exagerado (catastrophization ou "catastrofização"). Quando um paciente utiliza esta forma de pensamento, sempre chega às piores conclusões.
Preocupar-se sempre leva os pensamentos por um caminho negativo. Após demonstrar como preocupar-se é negativo, deve-se tentar implementar "períodos de preocupação", postergando as preocupações para mais tarde (nunca ao fim do dia) e confinando-as a períodos de 20 minutos. Após este período, utilizar técnicas de resolução de problemas ao invés de pensar no pior (catastrofizar).

Muitas estratégias para lidar com a paranóia são estratégias para controle de ansiedade, claramente aplicáveis a esta condição, que parece ser um tipo de medo ou fobia. Especificamente para paranóia, tenta-se evitar viéses de raciocínio (chegar a conclusões precipitadas), viéses de raciocínio confirmatório (tendência a apenas levar em conta evidências que confirmam os pensamentos)  e entender que estes pacientes menos provavelmente buscam outras explicações para eventos.
Experiências anormais e estados internos incomuns aumentam a paranóia como alucinações, distúrbios do sensório ou sentimentos: sons parecem ser mais altos, cores mais brilhantes. Estas experiências levam o indivíduo a buscar explicações, tendendo a pensar em explicações mais hostis.

Especificamente do terapeuta, espera-se que seja alguém que reflita mais e ouça seu paciente. Indivíduos que sofrem destes quadros em geral não são ouvidos e constantemente tem que se justificar. Evite questioná-los nas primeiras sessões. O examinador deve sempre avaliar pensamentos suicidas (maior risco nestes pacientes) e manter uma atitude exploratória interessada e curiosa. Evite dissecar os pensamentos e tente ser empático, sumarizando frequentemente. Não se esqueça de checar outros sintomas positivos ao final e questionar o que o paciente achou da sessão e do seu desempenho.

Imagem_ http://www.examiner.com/recovery-spirituality-in-tucson/research-shows-cognitive-behavioral-therapy-most-effective-treatment-for-crystal-meth-addicts

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Paranoia

Tuesday, 7 December 2010

Paranoia 'e um processo de pensamento altamente influenciado por ansiedade ou medo, muitas vezes levado a irracionalidade e ou delirio.

Historicamente Paranoia vem do grego"παράνοια" (paranoia), que significa loucura. O termo era utilizado para descrever doencas mentais nas quais uma crenca delirante e a unica ou a mais importante caracteristica. Kraepelin utilizou o termo para descrever uma condicao delirante sem aparente deterioracao da capacidade intelectual e sem outras caracteristicas de dementia praecox, condicao posteriormente denominada esquizofrenia. Na descricao de Kraepelin, a crenca nao precisava ser persecutoria necessariamente para ser classificada como paranoica e qualquer crenca delirante poderia ser classificada assim. Phelan et al (2000) relatam que, de acordo com Kraepelin, paranoia e parafrenia sao entidades separadas da dementia praecox, que explicava paranoia como um delirio continuado sistematizado, surgido em idades mais avancadas, sem alucinacoes ou deterioracao, enquanto que parafrenia e uma sindrome identica a paranoia, mas com alucinacoes.

Recentemente os medos da sociedade atingiram novos niveis, seja por terrorismo, adolescentes que bebem em excesso, pessoas que usam drogas, abusos infantis ou alta criminalidade. Novas pesquisas tem revelado que suspeitas sao muito mais comum do que previamente se acreditava. Em geral, um terco da populacao apresenta regularmente suspeicao ou pensamentos paranoides. Alguns estudos chegam a apontar que a paranoia pode ser quase tao comum quanto a depressao ou ansiedade, apresentando um espectro de severidade na populacao, desde pensamentos de suspeicao a crenca delirante historica descrita acima.

O que 'e paranoia?

O termo paranoia cobre um diverso espectro de experiencias. O uso mais moderno do termo envolve:
  • Medo de algo ruim acontecer
  • ideia de que outros venham a causar tal evento
  • a ideia 'e exagerada ou infundada
Estes medos geralmente contem certos elementos: um perpetrador, um tipo de ameaca e uma razao. Em geral o perpetrador 'e um vizinho, um estranho, um colega de trabalho ou um familiar. Ocasionalmente pode ser organizacoes governamentais ou espiritos. Algumas vezes a identidade da pessoa que tenta causar o mal 'e desconhecida.

Como reconhecer se sua suspeita pode ser irrealista? Abaixo um check-list para ajudar:
  1. Outras pessoas pensam que minhas suspeitas sao realistas?
  2. O que meu melhor amigo pensa sobre o assunto?
  3. Ja conversei com outros sobre minhas preocupacoes?
  4. 'E possivel que eu tenha exagerado a ameaca?
  5. Existe evidencia indisputavel de que minhas suspeicoes sao corretas?
  6. Sera que minhas preocupacoes sao baseadas em eventos ambiguos?
  7. As minhas preocupacoes sao baseadas mais em sentimentos do que em evidencias indisputaveis?
  8. 'E provavel que eu seja elevado acima dos outros?
  9. Existe evidencia em contrario as minhas suspeitas?
  10. 'E possivel que eu esteja sendo super-sensivel?
  11. As minhas suspeitas persistem mesmo apos outros confirmarem que sao infundadas?
A probabilidade de que seus medos sejam irrealisticos aumentam mais se voce sente que:
  • ninguem mais compartilha suas suspeitas
  • nao ha evidencia indisputavel que suporta suas preocupacoes
  • ha evidencia contra suas suspeitas
  • seja improvavel que voce seja separado
  • seus medos persistem apesar de outros falarem que sao infundados
  • seus medos sao baseados em sentimentos e eventos ambiguos
Pesquisas recentes identificaram cinco principais fatores envolvidos na ocorrencia de pensamentos de suspeicao.Todos sao bastante comuns e a maioria de nos os apresentou em algum momento. O modo como combinam, porem, 'e o que causa a paranoia:
  • Estresse e grandes mudancas no estilo de vida (eventos vitais) - dificuldades no relacionamento com outros em casa, no trabalho ou isolamento social
  • Emocoes negativas como ansiedade e depressao. Quando ansiosos, 'e comum superestimarmos o nivel de ameaca ou preocuparmos demais. Os sentimentos influenciam grandemente o modo como pensamos.
  • Sentimentos internos estranhos - estresse pode causar sentimentos estranhos (sentir-se estranho, agitado, ameacado), assim como insonia. Algumas pessoas podem sentir-se assim apos o uso de maconha ou haxixe.
  • Sua propria explicacao: pensamentos paranoides sao nossa forma de tentar entender algo. 'E perfeitamente natural tentar entender o mundo a nossa volta e os nossos sentimentos internos. Entretanto, quando estamos estressados, sentindo-nos deprimidos, ansiosos ou irritaveis, nossas explicacoes para fenomenos tendem a ser mais negativas. Pensamos o pior - e muitas vezes o pior das pessoas ao nosso redor. Pode parecer que os sentimentos desprazerosos ou estranhos que estamos sentindo sao deliberadamente causadas pelos outros.
  • Logica (o modo como pensamos as coisas, tomamos decisoes e fazemos julgamentos). Geralmente pensamentos de suspeicao podem se tornar poderosos se nao pensamos em explicacoes alternativas para eventos e nao consideramos inteiramente as evidencias pro e contra nossas preocucapoes. Isto 'e conhecido como chegar a conclusoes apressadas (jumping to conclusions).
Em conclusao, 'e preciso entender que pensamentos paranoicos sao mais comuns do que se pensava e se voce procurou este post por estar se sentindo perseguido de alguma forma, nao esta sozinho. Lembre-se de fazer o check-list acima e tentar reavaliar a situacao sob um outro ponto de vista, balanceando pros e contras antes de chegar a uma conclusao. Se mesmo assim esta a apresentar dificuldade em lidar com a ansiedade e medo, procurar ajuda psiquiatrica ou psicologica 'e o proximo passo para melhorar sua qualidade de vida.

Para saber mais como se desenvove a pesquisa no assunto, o video abaixo (em ingles) mostra a ultima geracao de estudos, que utilizam realidade virtual.



Referencias:
Freeman, D. Paranoia: the psychology of persecutory delusions. (2004).
Wikipedia. Paranoia
Institute of Psychiatry Paranoia

Imagem: http://www.spectec.net.nz/CCTV.htm

Posted by Vanessa Marsden at 08:27 0 comments  

O que os artigos cientificos realmente querem dizer

Saturday, 4 December 2010


O que esta escrito
O que quer dizer

Ha muito tempo se sabe que...
Eu nao tive paciencia para olhar as referencias, mas...

Embora nao tenha sido possivel dar respostas definitivas a estas questoes...
O experimento nao deu certo, mas achei que poderia pelo menos conseguir uma publicacao sobre isso.

O seguinte sistema de condicionamento foi escolhido para estudar o problema
O laboratorio ao lado ja tinha o equipamento preparado

Tres amostras foram escolhidas para estudo detalhado...
Os resultados das outras nao faziam sentido e foram ignorados

Acidentalmente estressado durante a montagem...
Caiu no chao

Manuseado com extremo cuidado durante o experimento...
Nao caiu no chao

Resultados tipicos sao mostrados
Os melhores resultados sao mostrados, isto e, aqueles que eu esperava.

Concordancia com a curva de predicao: excelente/bom/satisfatorio/regular
Regular/pobre/duvidoso/imaginario

Correto dentro de uma ordem de magnitude
Errado

De grande importancia teorica e pratica
Interessante no meu ponto de vista

'E sugerido que... acredita-se que... aparentemente...
Eu acho que...

Geralmente acredita-se que...
Umas duas ou tres pessoas pensam isso tambem.

Os resultados mais consistentes foram obtidos por Jones
Jones era meu aluno

Trabalho fascinante
Trabalho realizado por um de nosso grupo

De significancia duvidosa
Trabalho realizado por outros

Esta claro que muita pesquisa adicional sera necessaria antes de um entendimento completo
Eu nao entendi

Uma teoria quantitativa para explicar estes resultados ainda esta por ser formulada
Eu nao consegui pensar em uma e ninguem mais conseguiu

Agradecimentos a Glotz por sua assistencia e a Doe por valiosa discussao
Glots realizou o trabalho e Doe explicou o que significava

De pureza extremamente alta
Composicao desconhecida, exceto pelas afirmacoes exageradas do fornecedor

Presumivelmente/apos longos periodos
Eu nao tive tempo de descobrir

Trivial
Eu demorei uma semana inteira para entender

Nos obtemos...
Nos tomamos emprestado e nao temos qualquer intecao de devolver

Imagem: http://diandra-epifania.blogspot.com/2010_01_01_archive.html

Posted by Vanessa Marsden at 11:02 1 comments  

Os 9 circulos do inferno em ciencia

Tuesday, 30 November 2010

Um blog divertido e cientificamente critico, que recomendo acompanhar 'e Neuroskeptic, escrito por um neurocientista que tem uma visao bastante critica sobre sua area. Recentemente ele publicou o post abaixo e tomei a liberdade de traduzi-lo para partilha-lo em portugues. So peco paciencia e desculpas aos leitores pela falta de acentos do post de hoje, ja que o teclado estava irremediavelmente travado em ingles.


Os 9 circulos do inferno em ciencia

A Divina Comedia de Dante: um classico da literatura mundial, o atestado definitivo da visao de mundo da cristandade medieval, o primeiro grande trabalho em lingua italiana e a base para um videogame. O poema oferece um tour pelos horriveis nove niveis do Inferno, nos quais os pecadores sao para sempre atormentados.

Entretanto Dante viveu antes da era da ciencia moderna. Achei que deveria atualizar seu esquema para explicar o que acontece aqueles culpados de varios pecados cientificos, desde os comuns aos chocantes.

Tenha em mente que o Inferno de Dante tinha um lugar para todos, e apenas a intervencao de Cristo poderia salva-lo dele; mesmo pessoas "boas" iam para o inferno porque todos pecam. E pecado 'e pecado. Da mesma forma, muito poucos cientistas (e tenho certeza de que nao sou um deles) seriam capazes de evitar serem condenados a algum dos niveis do inferno... mas isto nao 'e desculpa.

O Primeiro Circulo: Limbo

"O circulo mais superficial nao 'e um local para punicao, mas para remorso. Aqueles que nao cometeram pecado cientifico em si, mas que fingiram nao ver pecado e o encorajaram ao delegar bolsas e publicacoes, passarao a eternidade no topo de uma montanha esteril, assistindo a carnificina abaixo e refletindo sobre como sao parcialmente responsaveis..."

Segundo Circulo: Vendidos

"Este circulo 'e reservado aqueles que exageram a importancia de seu trabalho para conseguir bolsas ou escrever artigos melhores. Pecadores estao presos em um imenso poco, imersos ate o pescoco em horrivel lama. Cada pecador possui apenas um degrau de escada, rotulado "Saida - Cientistas decifram o problema do Segundo Circulo do Inferno"

Terceiro Circulo: Contar historias Post-Hoc

*Post-Hoc 'e um tipo de falacia na qual eventos nao relacionados ou coincidentes tendem a ser transmitidos como causais. Do tipo, A aconteceu, depois B aconteceu. Assim A causou B.

"Pecadores condenados a este circulo devem constantemente desviar de ataques de demonios armados com arco e flecha, que atiram mais ou menos a esmo. Cada vez que alguem 'e atingido em alguma parte do corpo, o demonio passa a explicar longamente como ele estava a mirar naquela exata parte o tempo todo.

Quarto Circulo: Pesca ao valor significativo de P

Aqueles que tentaram todos os testes cientificos nos livros ate que conseguissem um valor de p menor que 0,05 encontram-se aqui, um vasto lago de agua turva. Pecadores estao em barcos e devem pescar seu alimento. Felizmente, eles tem a disposicao uma grande selecao de diferentes varas e redes de pesca (marcas incluem Bayes, Student, Spearman e muitos outros). Infelizmente, apenas um em cada 20 peixes sao comestiveis, entao eles estao constantemente com fome.

Quinto Circulo: Uso Criativo de Valores Atipicos

Aqueles que "limparam" seus resultados excluindo pontos de dados inconvenientes sao condenados aqui. Demonios arrancam seus cabelos, um a um, explicando o tempo todo que eles estao melhor sem aqueles fios porque havia algo errado com eles.

Sexto Circulo: Plagiarismo

Este circulo esta completamente vazio pois assim que um pecador a ele chega, um demonio alado o carrega para outro circulo e o forca a sofrer a punicao das pessoas ali. Apos 3 anos, o estagio esta acabado e ele 'e levado para outro circulo e por ai em diante.

Setimo Circulo: Omissao de Dados

Aqui pecadores estao acorrentados a cadeiras em chamas em frente a escrivaninhas com maquinas de escrever quebradas. Apenas se eles conseguirem escrever um artigo relatando sua situacao 'e que serao livres. Cada escrivaninha tem gavetas cheias destes artigos, mas as mesmas estao trancadas.

Oitavo Circulo: Publicacao Parcial de Dados

Em um dado momento metade dos pecadores aqui sao perseguidos por demonios que os atacam com lancas. Os demonios escolhem a quem atacar randomicamente, apos terem certeza de que os grupos foram divididos e regulados por idade, sexo, altura e peso. Terriveis ventos sopram uma torrente constante de artigos que anunciam o sucesso de um novo programa para aumentar a participacao em exercicio fisico - mas nao menciona os efeitos colaterais.

Nono Circulo: Invencao de Dados

Aqui o proprio Diabo esta para sempre preso a bloco solido de gelo, juntamente com os piores pecadores de todos. Congelado diante de seus olhos esta um artigo explicando convincentemente que a agua nao consegue congelar nas condicoes ambientais desta parte do inferno. Infelizmente, os dados foram inventados.

Posted by Vanessa Marsden at 09:24 4 comments  

Sindrome de Prader-Willi - filme ganhador de premio

Thursday, 11 November 2010

Um curta sobre a Sindrome de Prader-Willi (SPW) realizado no Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge ganhou reconhecimento nacional e um premio no Festival Sheffield Doc/Fest. "The Scanner", que mostra os avancos no entendimento da SPW atraves de ressonancia magnetica funcional, discute as linhas de pesquisa atuais e explica o porque da resposta de saciedade irregular, tipica da doenca.

O filme esta abaixo (em ingles) para quem quiser conferir.

Sera meu filho gay? O caso do menino Daphne

Tuesday, 9 November 2010

Noite de Halloween. Uma mae norte-americana veste seu filho de 5 anos em uma fantasia e o leva para "trick or treat" na vizinhaca. Aparentemente tudo corria bem at'e que outras maes a cercaram e passaram a criticar a escolha da fantasia em questao: o menino de 5 anos estava fantasiado de Daphne do desenho (banda desenhada) Scooby-Doo. Frustrada, a mae do menino escreveu sobre o acontecido em um blog que denominou My Son Is Gay. Or He's Not. I Don't Care (Meu filho 'e gay. Ou nao. Eu nao me importo). Rapidamente a polemica se espalhou como fogo em palha no meio virtual e o assunto tem sido debatido em programas de entretenimento no mundo todo.
Eis a foto em questao:

Aparentemente o menino pediu para se vestir de Daphne alguns dias antes do Halloween. Com o passar dos dias, ele se sentiu apreensivo e no dia do evento nao queria mais usar a fantasia e sua mae o incentivou.
Maes do mundo todo estao a debater o caso em foruns da internet, sendo que a maioria nao ve problemas na fantasia. Entretanto, um grupo menor levanta a questao do incentivo ao travestismo e transexualidade, que sao assuntos que cabem no debate deste blog.

Para debater melhor este assunto tao polemico, vou segmenta-lo em partes para melhor apreciacao:
  • Havera problema em vestir um menino de 5 anos como uma personagem feminina?
  • Como descrever o comportamento das outras maes que a confrontaram?
  • Deveria a mae dele ter colocado sua foto na internet?
Vou responder primeiro a segunda questao. No mundo animal o lider de uma matilha de lobos, por exemplo, 'e conhecido como "macho alfa". Este macho 'e o dominador, quem decide o destino da matilha. Este tipo de comportamento alfa se repete em todo o reino animal. No caso da maternidade, da-se o nome de maes alfa aquelas senhoras que sao lider de seu grupo de maes. Explico: geralmente as maes se reunem nos parquinhos e clubes para se confraternizarem e trocarem informacoes. Este 'e um comportamento milenar. Entretanto, como em qualquer grupo de pessoas, surgem personalidades mais dominantes que assumem o papel de lider e rapidamente passam a ditar as atividades do grupo, locais de reuniao, horarios, etc. Quase todos nos reconhecemos este tipo de comportamento e descricao. Entretanto, no grupo de maes, ha uma caracteristica especial do grupo de maes-alfa: a capacidade de utilizar de mecanismos passivo-agressivos para lidar com maes que nao se enquadram no grupo. Este mecanismo foi utilizado aqui quando as outras maes do grupo se juntaram para confrontar a mae do menino-Daphne, e ela se sentiu de tal forma constrangida que deu vazao a seus sentimentos em um blog e deu-lhe o titulo de que nao se importava com a sexualidade de seu menino, amando-o de qualquer forma.

Aqui respondo a meu terceiro questionamento: esta mae nao esperava que o assunto repercutisse internacionalmente. Ela jamais deveria ter colocado a foto de seu menino de 5 anos na internet nesta forma, expondo-o aos olhares do mundo. A foto ate poderia ter sido publicada, mas com o rosto desfigurado. Imagino o que este menino deve estar a sofrer na escola e ao brincar com colegas da vizinhanca (bullying).

Por fim, a primeira e mais dificil pergunta: Havera problema em travestir um menino de 5 anos para um evento no qual fantasias sao mesmo esperadas?

Diversas pesquisas online mostram que a maioria dos respondentes nao ve problemas. Psicologos infantis relatam que nesta fase criancas tem uma visao bastante estereotipada dos papeis masculinos e femininos. Talvez vestir um menino como uma personagem feminina, em um ambiente no qual os papeis sexuais esperados de cada um sao tao bem definidos como o American Bible Belt, onde se passou o ocorrido (meio oeste americano, bastante conservador) tenha cruzado a fronteira do aceitavel para aquele meio. O menino parece ter percebido isto antes mesmo do evento. Este debate se enquadra na discussao dos papeis sexuais esperados no meio social ("meninos nao choram", "meninas sao mais doceis", etc.). Em um pais como o Brasil, onde uma vez por ano todos vestem fantasias, a discussao de se 'e proprio tal comportamento parece estranha. Vemos nos bailes de carnaval meninas vestidas como piratas e nao questionamos sua pertenca. Meninos brincam com pistolas de plastico e nem por isso se tornam assassinos. Em saude mental, muito se deduz com relacao ao ditado pelo meio no qual o individuo vive. O que 'e aceito em um pais como o Brasil 'e muito diferente do que 'e esperado no meio Oeste norte americano.

Para concluir, eu tambem tenho um menino, que vesti de vampiro no Halloween. Ao final desta analise, acredito que o comportamento desta mae  foi de certa forma condenavel. Nao por ter vestido seu filho como uma personagem feminina, mas por te-lo exposto ao debate e ridiculo mundial ao nao proteger sua identidade e nao respeitar o desejo dele de nao vestir a fantasia no dia em questao.

Mecanismos de defesa (legendado)

Monday, 25 October 2010

Uma amiga psicologa partilhou o video abaixo comigo, que 'e otimo para entender o basico dos mecanismos de defesa.
O video (em ingles) esta legendado para ajudar e 'e muito engracado
Aproveitem!

Posted by Vanessa Marsden at 02:39 0 comments  

Loucura na via rápida

Wednesday, 13 October 2010

Recentemente a BBC exibiu o documentário "Madness in the fast lane" (ou Loucura na Via Rápida), que conta a história de duas gêmeas suecas que foram filmadas no momento em que correram em direção ao tráfego na M6 (uma autovia ou rodovia inglesa), sem qualquer motivo aparente. Uma delas passou meses no hospital enquanto a outra foi levada a tribunal por assassinato.

No documentário, parece que o comportamento das gêmeas se deveu a um episódio de folie à deux, daí meu interesse especial.

Folie à deux


O transtorno delirante compartilhado foi primeiramente descrito em 1860 por Jules Baillarger, que denominou a sindrome de folie à communiqué. Charles Lasègue e Jules Falret descreveram o transtorno em 1877 e o denominaram folie à deux. Outros nomes, incluindo-se transtorno psicótico compartilhado, transtorno delirante compartilhado e transtorno psicótico induzido também foram sugeridos para o mesmo.
Na folie à deux, um indivíduo desenvolve a crença delirante no contexto de um relacionamento íntimo com outra pessoa que já apresenta uma ideia delirante estabelecida. Os princiapis pontos do transtorno são a aceitação total e sem questionamento das crenças delirantes do outro e a sequência temporal de desenvolvimento do transtorno, no qual um dos indivíduos apresenta um início do quadro mais precoce. Embora o transtorno psicótico compartilhado geralmente envolve dois indivíduos, pode envolver mais pessoas, inclusive famílias inteiras. Geralmente o delírio do segundo resolve-se com a separação dos envolvidos.
Para quem quiser assistir, o documentário está no youtube:
Foto: http://exileinblonde.deviantart.com/art/La-Folie-De-Deux-Wallpaper-148358366

Posted by Vanessa Marsden at 08:04 0 comments  

Psicopatologia e manejo do luto

Saturday, 18 September 2010

Fases do luto (reação à perda) - do luto à melancolia
  • choque
  • negação
  • culpa (e depressão)
  • agressividade (e ansiedade)
  • agressividade contra o objeto perdido
  • restituição
Luto patológico - mecanismos de cura

1. ultrapassar a fase de negação
  • Terminar com rituais que atenuam a presença do falecido (fotografias, conversas imaginárias, limpeza de roupas, cheiros)
  • Imaginar o estado real do falecido - idas ao cemitério, verbalizar o estado em que estará, confrontar com fotografias, observar ossos e caveiras
  • estimular o choro, por ex., perante roupas ou objetos pessoais que já não servem para nada
  • enfrentar os locais onde viria com o falecido e onde ele já não está
2. ultrapassar a fase de culpa
  • investigar e verbalizar possíveis remorsos ou sentimentos de culpa em relação à morte
  • saber se o paciente alguma vez desejou a morte do falecido
  • verbalizar e representar a culpa até a exaustão (gritar, escrever - incluindo cartas ao falecido)
  • imaginar o castigo que seria devido à culpa
  • no fim do processo, dramatizar a culpa
3. ultrapassar a fase de agressividade
  • permitir que o indivíduo seja temporariamente agressivo para com os outros, incluindo o próprio terapeuta
  • usar mecanismos de deslocamento da agressividade (fotografias, bonecos) e estimulá-la
  • promover expressões verbais (gritos) e destruição de objetos da agressividade deslocada
Foto:http://susancorso.com/seedsforsanctuary/?m=201001

Posted by Vanessa Marsden at 10:50 2 comments  

Psicopatologia da consciência

Friday, 17 September 2010

Qualidades da consciência (estado momentâneo)

  • continuidade
  • reflexibilidade
  • clareza
  • orientação
Turvação, obnubilação, confusão, desorientação, delírio ocupacional, vivências do tempo, hiperfrenia, desagregação, estado crepuscular, hiper e hipoprosexia, distractibilidade, fascinação, concentração, atenção expectante.

Vigilância - pode ser objetivada (ex, beliscar o paciente)
Clareza - avaliação qualitativa. Pode-se compreender que o paciente tem conteúdo claro (está bem desperto)
Obnubilação (flutuação da consciência) - Na turvação conteúdos imaginários aparecem
Estado onírico
Estado oniróide - tem a ver com situações nas quais a vigília coexiste paralelamente à imaginação
Alucinose - visão no espaço exterior sem convicção de realidade
Alucinação - percepção no espaço exterior com convicção

Amplitude (campo de consciência): hiperprosexia (aumento do campo), infrequente
aumento da antenção espontânea, aumento da tenacidade - redução no campo.

Consciência de si

Identidade (evolução ao longo do tempo), unidade, atividade, limites
transexuais: apresentam conflitos entre a consciência de si e consciência do corpo (a consciência de si geralmente ganha)
despersonalização, dissociação, personalidade alternante, sósias, biloculação (sensação de viver aqui e em outro lugar), autoscopia, desintegração
roubo, inserção, eco do pensamento, influência, passividade, hiperatividade, hipoatividade, divulgação do pensamento, transitivismo (apropriação, projeção)

Consciência do corpo

transexualismo, dismorfofobia, membro fantasma, negligência, anestesia, hiperestesia, alienação, transformação, autopoagnosia, anosognosia

Delírio do sósia: hiperidentificação (Síndrome de Capgras): o indivíduo convence-se de que uma pessoa conhecida foi substituída por estranho.
hipoidentificação (Síndrome de Frególi): convence-se de que pessoa desconhecida é familiar.

Foto: http://strangeworldofmystery.blogspot.com/2008/03/doppelganger-evil-twin.html

Posted by Vanessa Marsden at 01:36 1 comments  

Psicopatologia dos Impulsos

Wednesday, 15 September 2010


Jaspers: Impulsos mais evoluídos (em ordem decrescente)
  • impulsos intelectuais
  • impulsos vitais - criativos, psíquicos, existenciais
  • impulsos somátivo-sensoriais
Maslow: Impulsos menos evoluídos (do mais para o menos)
  • necessidade de auto-realização
  • necessidade de saber
  • necessidade de reconhecimento
  • necessidade de amor e pertença
  • necessidade de segurança
  • necessidades fisiológicas
Enquanto os impulsos inferiores não estiverem completamente desenvolvidos, não se desenvolve os outros. Esta hierarquia obedece a estratificação cerebral.

Patologias dos impulsos
  • desintegração dos níveis superiores (demência)
  • cisão dos níveis impulsivos entre si
  • inversão da relação entre os níveis
  • fixação dos impulsos
  • transformação dos vícios
Dinâmica entre vontade e impulsos

Adequação vontade/impulsos:
direta
indireta (mobilização de emoções)
recurso a comportamentos laterais

Inadequação entre a vontade e impulsos: forçar atividades fisiológicas

Conflitos entre a vontade e impulsos: mecanismos de defesa

Fundo vs. Transfundo (K. Schneider)

Explica como um estado emocional (tristeza) se transforma em um estado de humor (depressão). Se tristeza pode virar fundo (ex, quando faz anos fica triste), tem sempre um fundo depressivo. Quando ocorre uma depressão reativa pode deprimir muito. Em geral, fundo depressivo significa perda.
Para entender melhor o conceito de transfundo, um exemplo: Uma pessoa que, sem qualquer razão aparente, explode em uma crise de raiva. Pode ser que esta crise seja causada por uma situação à qual esta pessoa não reagiu e de repente, um dia, a emoção inunda o campo vital deste indivíduo. Pode ser que uma pessoa está no trabalho e, sem nada acontecer, começa a chorar ou fica com raiva. São reações adiadas.

Emoções:
  • raiva
  • paixão
  • tristeza
  • medo
  • ansiedade
  • angústia
  • melancolia
  • saudade
  • alegria
  • felicidade
Emoções básicas (Elkman): surpresa, cólera, alegria, repugnância, tristeza, medo

Emoções complexas: vergonha, culpa, orgulho, humildade, admiração, compaixão, inveja, ciúme, simpatia, amor, paixão

Vergonha vs. culpa
Vergonha é o que sentimos quando outros invadem nosso espaço privado
Culpa é o que sentimos quando invadimos o espaço de outros
São sentimentos de transgressão.

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Psicopatologia Compreensiva

Monday, 13 September 2010

Psicopatologia fenomenológica: baseia-se na nossa capacidade de empatizar com os outros.
imitação - mais externo que interno
identificação - externo e interno
compreensão - mais interno que externo

"O primeiro passo para a a apreensão científica do psíquico é separar, delimitar, distinguir e descrever determinados fenômenos vividos, que assim são representados claramente e designados regularmente por uma determinada expressão" Karl Jaspers

Indivíduos estão todo o tempo a elaborar juízos de valor e juízos reducionistas.

Este ramo da ciência entende o paciente como:

  • objeto significativo - para o observador (apresentação, postura, morfologia, mímica e expressão, motricidade, contato, linguagem e obras)
  • objeto de intenções viradas para o mundo (impulsos, vontade, sentimentos)
  • objeto de si próprio - consciência (estado momentâneo da consciência, continuidade, reflexibilidade, clareza, orientação, campo e atenção)
  • construtor de signos - a percepção de objetos reais (pensamento, raciocínio ou forma, juízos, conteúdos, representação, imaginação, concentração e recordação, sensopercepção)
Compreensão estatística
É a compreensão do fenômeno a primeira vista. Se coisas são significativas ou não.

Compreensão dinâmica
Ecadeamento de sintomas: procura motivos para o fenômeno.

Compreensão/Explicação

Reação
Corresponde a qualquer acontecimento da vida que fez mudar o mode de ser. Desaparece após acontecimentos. Como exemplo, reação fóbica, reação paranóide, obsessivo ou paranóide.

Desenvolvimento
De uma reação a uma mudança que se perpetua

Crises
Períodos específicos: saída de casa para escola, adolescência, crises conjugais

Fase
Um indivíduo com uma personalidade, sem qualquer motivo aparente de repente muda. Ex: uma pessoa que de repente fica muito feliz/eufórica. Se volta ao normal é uma fase. Ex: fase depressiva, maníaca. Implica em volta ao normal.

Surto
Houve uma mudança e a pessoa nunca mais volta a ser o que era.




Processo
Há uma situação em que a pessa muda e não volta mais a ser o que era.



Patologias

Doenças compreensíveis (reações, desenvolvimentos e crises)
Reações neuróticas, neuroses instituídas
Perturbações de personalidade
Reações paranóides e estados iniciais das paranóias
Crises ansiosas e depressivas

Doenças incompreensíveis (não explicadas - surtos, processos e fases)
Esquizofrenia
Mania e depressões endógenas
Psicoses atípicas

Doenças incompreensíveis, mas explicadas por alterações corporais (processos e ataques orgânicos)
Síndrome cerebral orgânica
Psicoses sintomáticas e orgânicas

Na Psicopatologia Compreensiva a percepção de um objeto é de todas as perspectivas (mesmo que não veja um lado, imagina-se). Implica em transcendência e na capacidade do examinador em transferir-se para outros para entender, colocar-se no lugar do objeto. Pertencemos uma comunidade inter-subjetiva (todos colocamo-nos no lugar dos outros) com exceção de esquizofrênicos.

Avaliação da esquizofrenia na psicopatologia compreensiva:

Apresentação
Bizarra, excêntrica, extravagante, pretenciosa, amaneirada, desleixada, subcultural

Postura
Retraída (em reflexão), defensiva, expansiva, desafiadora, rígida, catatônica, flexibilidade cérea, catalepsia, distônica, inadequada

Morfologia
Endomórfica - mais virados para si
Mesomórfica - mais preparados para ação, para si
Ectomórfica - mais sensíveis ao mundo
Dismórfica

Mímica, expressão, motricidade
Hipermimia, hipercinesia, amimia, acinesia, paramimia (expressões mímicas contraditórias), paracinesias
Agitação, inquietação, acatisia, taquicinesia, discinesia, rituais compulsivos, tiques, maneirismos (movimento normal dentro de movimento com sentido), estereotipias (movimentos sem sentido), sincinesias, automatismos, córeo-atetose, mioclonias, tremores, apraxia, ataxia, abasia.

Contato
Expansivo, defensivo, submisso, sugestionável, em oposição, negativismo, autismo, indiferente, empátivo, mimético (ecopraxia, ecolalia), superficial

Linguagem e voz
Mutismo, verborréia, verbigeração, perseveração, palilalia, logoclonia, pedolalia, coprolalia, afasia, disfasia, disgrafia, afonia, disfonia, dislalia.

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As Neuroses (parte 3) - Histeria e Obsessões

Friday, 10 September 2010

Traços de personalidade histérica
Nem todos os indivíduos que apresentam sinais de neurose histérica correspondem à personalidade histérica.

  • histrionismo (constante busca de atenção)
  • hiper-reatividade emocional (labilidade, comportamentos encenados)
  • afetos factícios (dramatização)
  • egocentrismo
  • sugestionabilidade
  • mitomania (falsificação da realidade)
  • pensamento imaginário (percepção do real infiltrado pelas fantasias)
  • dependência afetiva
  • perturbações sexuais (evitamento ou erotização das relações interpessoais)
Forma mono ou paucissintomática
perda ou alteração de uma função física (conversão)
caráter único do sintoma ao longo do mesmo episódio, embora possa variar de um episódio para outro
persistência do sintoma para obter "benefícios"

Forma polissintomática: Síndrome ou doneça de Briquet
queixas somáticas múltiplas e persistentes
sintomas de conversão múltiplos com fundo ansioso e labilidade emocional

Formas clínicas presentes na CID-10 e DSM-IV-TR

Perturbação ou Transtorno Somatoforme: dores gastrointestinais, pseudoneurologicas, conversão (déficits e sintomas sem correspondência orgânica), dano ou lesão sugerindo afecção neurológica, hipocondria, dismorfofobia.

Formas de somatização (em gravidade crescente):
somatização propriamente dita
conversão
equivalentes afetivos
perturbação psicossomática
hipocondria
Estas perturbações não tem origem orgânica, não são produzidas intencionalmente (patomínia) nem simuladas (transtorno factício)

Perturbação ou transtorno de conversão: sintomas que envolvem motricidade voluntária ou as funções sensitivas ou sensoriais. Sugerem uma perturbação neurológica que não existe.

Perturbações ou transtornos dissociativos: alterações de funções como consciência, identidade, memória ou a percepção.

Interpretações patológicas

A Histeria de Angústia
difere da conversão pelo fato de nesta última o afeto poder ser transformado em manifestação somática dotada de um sentido, que os indivíduos não compreendem, enquanto que na histeria de angústia o recalcamento desencadeia uma angústia que é deslocada.

Neurose obsessiva
Constroi-se a partir de um sintoma "obsessão" (perturbação do pensamento) que não é o único sinal do quadro nem específico desta entidade.
Diferentes abordagens deste quadro:
as obsessões como sintoma (também em outros quadros)
Neurose obsessiva, na qual se encontram, mas não é exclusivo
O TOC, nova definição da neurose obsessiva
a personalidade obsessiva
ato complusivo - diminui a ansiedade que a ideia obsessiva produz. Geralmente associado a uma ideia obsessiva.

Ato impulsivo - primário, passagem ao ato
Ato compulsivo - o indivíduo luta contra o ato

As defesas obsessivas são mecanismos de defesa (isolamento, anulação retroativa, formação reativa) que se encontram na neurose obsessiva, mas também noutras perturbações, bem como em indivíduos normais. A estrutura obsessiva corresponde a um modo de organização de processos psíquicos, dos mecanismos de defesa e uma relação específica com o objeto de desejo. A doença obsessiva compulsiva é a que mais põe em dúvida a atividade decisória de um indivíduo.

Tratados de Escrúpulos, J. J. Du Guet (1717) - versava sobre os escrúpulos religiosos
As Obsessões e a Psicastenia, Janet (1903) e Freud (1894 e 1896) - descrevem esta entidade pela primeira vez
outros: Mania sem Delírios (pinel), Monomania Afetiva (Esquirol), Loucura com Consciência (Ballanger), Delírio Emotivo (Morel), Loucura da Dúvida (Trelat, 1861), Loucura Relacionada (Falret).
Para Janet, a obsessão aparece como uma psicastenia.

Semiologia da obsessão-compulsão

Ideia, sentimento ou imagem que se impõe de modo incoercível ao indivíduo que (obsidere, do latim, assediar):

reconhece o caráter patológico da ideia
luta contra a mesma, com angústia
reconhece que a ideia emana da sua própria atividade psíquica
está em desacordo com o seu próprio pensamento consciente

tipos de obsessões

ideativas
fóbicas
impulsivas (fobia de impulsão - mais rara, corresponde a maior gravidade do TOC)

Compulsões

Ideia de um ato a realizar, geralmente absurdo, ridículo ou incômodo que se impõe ao indivíduo de maneira incoercível.
O indivíduo não consegue impedir-se de cumprir o ato, apesar de esforços no sentido de evitar realizá-lo.

tipos

verificação
compras
limpeza
acumular objetos

Rituais são uma sequência fixa de atos que o indivíduo considera absurdos mas sente compulsão a realizá-los.
Foto:http://cureanxiety.com/ocd-anxiety

As Neuroses (parte 2) - Histeria

Tuesday, 31 August 2010

Este post continua a história e psicopatologia das neuroses, iniciada aqui.

Formas clássicas


Histeria de conversão - substituição de um conflito por expressividade somática
Histeria de dissociação

Crianças somatizam normalmente e com frequência, também convertem mas raramente dissociam.

Histeria (segundo conceitos clássicos) utiliza o mecanismo de defesa recalcamento. As fobias utilizam evitamento (antigamente chamada de Histeria de angústia) e deslocamento.

No transtorno obsessivo compulsivo (TOC) o componente ansioso é menos marcante. Nestes pacientes nota-se um afeto depressivo enquanto que o afeto básico da histeria e das fobias é a angústia.

Existem dois afetos básicos: ansiedade/angústia e depressivo. Estes afetos são normais nos indivíduos. Todos temos mecanismos destes dois afetos. O primeiro é desencadeato por estresse e o segundo por perdas significativas.

O termo histeria designa:
  • doença (categoria das neuroses)
  • personalidade: O indivíduo histérico tem insight e juízo crítico preservados. Os sintomas são egodistônicos. Este grupo de sintomas preserva o insight, enquanto que os egossintônicos prejudicam o juízo ( o paciente aceita como dele os delírios).
    Nos borderline e antissocial predomina o mecanismo "acting out": predomínio da periculosidade e ausência de culpa. Nos fóbicos o que predomina é a inibição. A personalidade que mais facilmente passa ao ato é a histérica (explosões histéricas: gritar, falar alto, etc.)
  • estrutura (pertencente ao registro da neurose) Estrutura histérica é algo além da personalidade, com maior tendência à doença.
  • discurso (ex, maiêutica socrática) - há uma dissociação entre o conteúde e a forma de falar
Abordagem histórica

Hipócrates
histerus (útero)
Teoria etiológica (migração do útero através do corpo) com noções de insatisfação sexual e de crise

Idade média
histéricas apelidadas de bruxas ou imbuídas de fervor religioso

Século XVI
surgem concepções "orgânicas" da histeria: "doença do espírito", dos "nervos" ou afecção "vaporosa"

Século XIX
estatuto de doença com reconhecimento de fenômenos psicológicos
Briquet (1859) defende a sede da doença no cérebro, contrapondo-se a Pinel (1813) que defendia o útero como ponto de partida da doença.
Charcot (1825-1893) atribui à histeria o estatuto de doença. Babinski nota que o quadro pode ser produzido por sugestão.
Janet, o "pai da psicologia clínica", a partir de 1893 considera a histeria como doença
Freud (1893) desenvolve a ideia de causalidade inconsciente e sexual dos sintomas histéricos.

Semiologia

A definição de histeria nunca foi dada e nunca o sera. Os sintomas não são suficientemente constantes nem suficientemente semelhantes na forma, suficientemente iguais em termos de duração e de intensidade para qualquer um tipo, ainda que descritivo, possa compreender todas as variedades. (Lasigue)

A histeria é um quadro de semiologia múltipla, variável num mesmo indivíduo e os sintomas são funcionais e reversíveis.

Tipos de apresentação
  • alteração da motricidade e do tônus
  • alterações sensitivas
  • alterações neurovegetativas
Perturbações da  motricidade e do tônus
Crise clássica ou "grande ataque" em 5 fases: aura, epileptóide, contorções, transe e terminal.
Movimentos anormais (tremores paroxísticos, movimentos de expressão coréica)
Soluços, tosses espasmódicas, "nó na garganta"
pseudoparalisias - "bélle indifference"
contraturas
astenia ou fraqueza muscular

Perturbações sensitivas
anestesias, hipoestesias, hiperestesias que não respeitam sistematizações neurológicas (em luva ou meia)
alterações da visão

Perturbações neurovegetativas
espasmos
alterações em todos os aparelhos: gravidez histérica, palpitações, vômitos, perturbações tróficas (estigmas)

Sintomatologia psíquica (dissociação - F44 da CID10)
repentina e transitórica
amnésia
fuga psicogênica
estados crepusculares
sonambulismo
personalidade múltipla
despersonalização
Os sintomas têm um caráter espetacular e são apresentados de forma dramática (pode existir bélle indifférence). O sintoma é sensível à sugestão (presença de espectadores reforça ou modifica o sintoma - plasticidade do indivíduo histérico e labilidade do sintoma). O sintoma está inscrito numa relação, podendo assumir um valor de sedução, manipulação ou refúgio.

Foto: http://jessicadoyle.com/2006/06/08/female-hysteria-aids-that-every-woman-appreciates/
http://www.counselor.org/dissociative-disorders.html

Princípios da supervisão em psiquiatria

Thursday, 26 August 2010


Definições e princípios da supervisão


Supervisão clínica e educacional: processo formal de aprendizado e suporte profissioinal que permine ao indivíduo desenvolver conhecimento, competências e a assumir responsabilidade.

Supervisão clínica – supervisão ativa do trabalho clínico diário, garantindo que as decisões clínicas são seguras e apropriadas.

Supervisão educacional – o treino e a menção do trabalho do residente são o focus. Pode envolver casos clínicos como base da demonstração e aprendizado.

Objetivos da supervisão

• Identificar soluções para problemas clínicos

• Melhorar o standard

• Aprimorar o entendimento de problemas profissionais

• Aprimoramento da prática clínica do interno/residente

• Desenvolver habilidades e conhecimento

Responsabilidades do supervisor

• Agir como um mentor

• Estabelecer objetivos de aprendizado e monitorizá-los

• Dar feedback construtivo

• Estar envolvido na avaliação do residente/interno

Como estabelecer uma supervisão adequada – 1 hora de sessão de supervisão todas as semanas

• 10 minutos para revisar problemas levantados em sessões prévias para avaliar se melhorias foram implementadas

• 40 minutos para levantar problemas e assuntos a serem discutidos

• 10 minutos para resumir e anotar pontos principais da sessão

Conteúdo da sessão de supervisão

• Manejo clínico

• Experiência de ensino do residente/interno

• Experiência com pesquisa/investigação clínica

• Necessidades, gerência e atenção ao residente/interno

Princípios do feedback

Propósito – permitir que o residente/interno tenha insight sobre seu progresso e comparar o que era esperado dele e o resultado atingido realmente

Princípios gerais

Ende, 1983

• Supervisor e interno/residente devem trabalhar como aliados em direção a objetivos comuns

• O feedback deve ser planejado e esperado

• O feedback deve ser dado dentro da estrutura da sessão de supervisão

• O feedback deve ser sobre comportamentos específicos e observáveis, não performance em geral

• O feedback deve ser dado em uma linguagem descritiva e sem julgamentos

• O feedback deve ser limitado a decisões ou atos observáveis

Heirson & Little, 1998

• Clima amistoso, de respeito mútuo e de mente aberta

• Deve-se provocar o pensamento e sentimentos antes de ser dado

• Sem julgamentos

• Focar-se me comportamentos

• Fatos observáveis

• Sugerir ideias para melhorar a performance

• Basear o feedback em objetivos negociáveis e claramente definidos

Modelos de feedback

Regras de Pendleton

• O supervisor brevemente clarifica o assunto do dia

• O residente/interno fala primeiro e discute o que foi bem sucedido

• O supervisor discute o que foi bem sucedido em seu ponto de vista

• O residente/interno descreve o que poderia ter sido feito de forma diferente e propõe sugestões para mudança

• O supervisor faz o mesmo

Problemas : formato estricto, bons pontos versus maus pontos e o residente/interno pode ficar defensivo

Modelo Calgary-Cambridge

• A sessão inicia-se com a discussão da agenda do residente/interno

• O resultado que o residente busca atingir é discutido

• O residente passa a auto-avaliação e resolução de problemas ao dizer como a tarefa foi desenvolvida

• O supervisor dá feedback dentro do princípio SET-GO ( vide abaixo)

• O supervisor resume as habilidades necessárias para atingir o objetivo

Princípio SET-GO

• O que vi (SAW) – o supervisor descreve o que viu

• O que mais você notou (what ELSE) – o residente faz o mesmo

• O que você pensa sobre o assunto (THINK) – o supervisor reflete sobre o assunto

• Quais objetivos a se atingir (GOALS)

• OFERTAS (sugestões) sobre como atingir os objetivos

Feedback verbal

Sempre sobre comportamentos específicos e observáveis, deve evitar julgamentos em comentários ou linguagem

Benefícios do feedback

Promove a competência (Rolle & McPherson, 1995) e ajuda a promover o aprendizado

Cartoon: http://alchemist.excessivelydangerousthing.com/webcomic.pl?comic=16

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Medicamentos não licenciados – quando e como prescrevê-los

Tuesday, 24 August 2010

Medicamentos não licenciados (off label ou unlicensed) são medicamentos prescritos fora de sua indicação. Nos EUA e no Reino Unido os medicamentos são mais regulados que no Brasil e em Portugal. A prescrição de medicamentos desta forma é bastante comum, mesmo nestes países e em psiquiatria seu uso chega a 31%. Nos países de língua portuguesa, pode-se dizer que a prática diz respeito à prescrição de um fármaco para uma condição que não é seu alvo inicial. Por exemplo, a muitos pacientes é prescrita a carbamazepina, um antiepilético, para estabilização do humor na doença bipolar.


Como prescrever medicamentos não licenciados?

Deve-se sempre INFORMAR O PACIENTE adequadamente sobre o medicamento proposto e o porquê do seu uso. O médico deve esclarecer sobre as alternativas licenciadas existentes e o porquê de não prescrevê-las. Em qualquer prescrição deve-se explicar os potenciais efeitos colaterais e interações medicamentosas. Especificamente no caso dos medicamentos não licenciados, é prática na Europa obter o consentimento informado do paciente e certificar-se de que tudo esteja muito bem documentado.

No Reino Unido, por exemplo, o General Medical Council (GMC) exije os seguintes requerimentos para a prescrição off label

• Estar satisfeito de que as alternativas não atendem às necessidades do paciente

• Estar satisfeito de que existe evidência suficiente para embasar o uso do off label e estar seguro de sua segurança e eficácia

• Assumir responsabilidade pela prescrição – monitorar e follow up adequados

• Escrever detalhadamente a necessidade da prescrição e as razões que levaram à escolha do medicamento

• O medicamento deve servir às necessidades do paciente melhor do que os licenciados

• Deve haver evidência suficiente para sua prescrição

Lembre-se, se não tem certeza de que o medicamento é licenciado para sua condição, converse com seu médico para melhores esclarecimentos

Foto: http://mylocalhealthguide.com/off-label-drugs-what-you-need-to-know/

Pistas de comunicação dos bebês - Linguagem não-verbal

Sunday, 22 August 2010

Porque se importar em aprender as pistas de comunicação de um bebê:

É comum pensar que um bebê vem "sem manual de instruções" e até que ele aprenda a verbalizar seus desejos há um bloqueio à comunicação eficaz. Hoje em dia, entretanto, muito se desenvolveu no que tange ao entendimento da comunicação de um bebê. Na maioria das vezes ele se comunica através de "pistas" de linguagem não verbal que podem ser identificadas e utilizadas para criar um diálogo único entre os pais e a criança.

Porque é importante observá-las:
  • um bebê perde menos energia lutando para se comunicar quando é respondido apropriadamente
  • uma resposta rápida leva a bebês que choram menos
  • ajuda o bebê a atingir seu potencial e a comunicar-se de forma mais fácil
  • crianças que são ouvidas crescem em um meio de respeito mútuo que encoraja a autoestima, confiança e habiliade para regular extremos emocionais
  • bebês que são respondidos apropriadamente são mais estáves e tornam-se mais eficientes em habilidades como alimentação, sono e a lidar com as demandas da vida em geral
  • os pais tornam-se mais confiantes quando aprendem e entendem a linguagem corporal de seu bebê
  • Ao serem respondidos adequadamente, os bebês aprendem se seu comportamento é ou não aceitável dentro da família
  • responder aos sinais de um bebê é como uma dança entre a mãe/pai e a criança - um diálogo que estreita o processo de ligação entre eles
  • bebês que são ignorados têm que criar táticas para conseguir a atenção que necessitam. Estas crianças são geralmente rotuladas "difíceis", "mimadas", quando tudo o que querem é serem ouvidas
  • É importante observar o corpo todo do bebê para aprender as pistas. Elas são todas interligadas, criando um diálogo. É a figura completa que conta.
Um exemplo de pistas de comunicação: Quando um recém-nascido é levado ao peito, ele levanta o braço oposto, que funciona como um "nível de combustível". Conforme ele alimenta e vai ficando satisfeito, o bracinho abaixa lentamente até que fica relaxado, repousando junto ao corpo do bebê.

Pistas de comunicação

Pistas de engajamento

Pistas óbvias:
  • para de se mexer
  • movimentos suaves de pernas e braços
  • busca o interlocutor
  • move os olhos em direção ao interlocutor
  • sorri
  • olha no rosto do interlocutor
  • faz sons de alimentação
  • "conversa"
  • mantém contato visual
Menos óbvias:
  • olhos bem abertos e brilhantes
  • face brilhante
  • mãos abertas
Quando o bebê apresenta as pistas de engajamento acima, ele diz que é a hora ideal para conversar, brincar, segurá-lo ou alimentá-lo.

Pistas de "disengagement" - não engajado
Pistas óbvias:
  • move a cabeça para o outro lado
  • choro, remexe muito
  • tosse, engasga
  • arqueia as costas
  • quase a dormir
  • movimentos difíceis
  • afasta-se
  • muda de cor
Menos óbvias:
  • olha para o outro lado
  • respiração rápida
  • bocejos
  • testa enrugada
  • olhos fechados ou vidrados
  • faz caretas
  • mão na boca
  • soluços
  • língua para fora
Foto:
http://www.kidsmalta.com/articles/view/472/contactus.aspx

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Parentalidade

Saturday, 21 August 2010

Antes de se conceptuar parentalidade, deve-se pensar que as forças biológicas e ambientais que levam homens e mulheres a desejar ter filhos e as fantasias nascidas desse desejo podem ser encaradas como a “pré-história da vinculação”. A maternidade e a paternidade acentuam a dimensão psico-afetiva de um estado de expectativa, caracterizam-se em um ou mais aspectos da dimensão da personalidade do sujeito e há que se entender que são mediados pelos aspectos culturais, uma clivagem que acentua o afetivo para o lado da mãe e delega poder no pai (Bégoin, 2005. Do traumatismo à emoção estética)


Concepção Psicanalítica:

A parentalidade é uma das figuras específicas da relação de objeto, a que une o sujeito ao seu filho (Laplache; Pontalis, 1988) e depende de maior ou menor grau de aspectos narcísicos (relação narcísica) e anaclíticos (relação anaclítica). Tanto a sexualidade quanto a parentalidade, enquanto dimensões da identidade do sujeito se atualizam na relação com um parceiro interativo, num caso o parceiro sexual e noutro o filho – dimensão diacrônica.

Ao se analisar as competências parentais, diversos aspectos são avaliados:

• Caracterísitcas da personalidade dos pais
• A qualidade da relação entre os pais
• Características da criança – é bastante diferente criar uma criança saudável de uma criança com uma doença crônica incapacitante
• Idade, fase de desenvolvimento da criança (bebê, idade escolar, adolescência)
• Adequação e desadequação dos pais à criança em particular num contexto determinado.

Quando se avalia a parentalidade, o que se avalia realmente?

• A capacidade de amar?
• A capacidade de cuidar?
• A capacidade de proteger?
• A capacidade de cuidados continuados?

A avaliação de parentalidade indica avaliar a adequação ou inadequação do adulto cuidador relativamente à criança objeto de cuidados: A capacidade empática e de diferenciar-se do outro.

Tornar-se uma mãe, tornar-se um pai (J. Begoin, 2002)

Criar uma criança é também simultaneamente criar um pai e uma mãe. A procriação trata de fato da criação de uma relação totalmente nova de 3 pessoas entre elas e é uma situação única e excepcional que comporta enorme força potencial pela intensidade das reações emocionais que provoca, não só entre os três protagonistas mas também à sua volta, nomeadamente no meio familiar e social.

A maternalidade e paternalidade são estados psicoafetivos em evolução, que desenvolvem-se com o tempo. O caráter de mutualidade e reciprocidade das inter-relações precoces torna difícil distinguir o papel de cada um dos atores: bebê, mãe e pai. A criança tem um papel de “pai do homem”, ou seja, alguém com o poder de fazer surgir capacidades parentais nos seus dois progenitores.

A Experiência de ser mãe

É marcada pela

• História pessoal da mulher
• Qualidade da relação do casal
• Expectativaas em torno do bebê
• Qualidade da relação com familia e amigos
• Posição da mulher na sociedade
• Fatores sociais, econômicos e culturais

O desejo de ter um filho na mulher é influenciado por fatores como a identificação com a mãe, o desejo de ser completo e onipotente (desejo narcísico), o desejo de fusão e união com o outro, o desejo de se rever no filho, realização de ideais e oportunidades perdidas, o desejo de renovar velhas relações e a dupla oportunidade de substituição e separação da própria mãe.

Psicologia da Gravidez

Dois fatores são particularmente importantes na gravidez: a gravidez como crise de desenvolvimento (Deutch; Bibring; Caplan) e a gravidez como início da Ligação Mãe-Bebê (Brazelton, Cramer). A ligação mãe-bebê na gravidez age como um processo de ajustamento físico e psicológico ao feto em crescimento. Há uma intimidade psicobiológica que torna indissociáveis aspectos biológicos e psicológicos.

Na primeira fase do processo de ligação, há adaptação à notícia da gravidez, assim como ambivalência afetiva e dúvidas sobre o estado. Na segunda fase, notam-se os primeiros movimentos fetais, há reconhecimento do feto como um Ser separado da mãe e as fantasias passam a ser mais focadas no bebê (bebê perfeito versus bebê anormal). Na terceira fase há progressiva individualização do feto e a ocorrência de medos e fantasias acerca do parto.

Movimentos identificatórios da grávida

• Identificação à mãe – movimento de aproximação à própria mãe, identificação voltada ao passado
• Identificação ao bebê – identificação voltada para o futuro.

No desenrolar deste duplo processo identificatório desenvolve-se a capacidade da mulher ser mãe, ou seja, de responder às necessidades do seu bebê

Todos estes processos levam à ocorrência de 3 bebês no momento do nascimento:

• O bebê imaginário

• O feto invisível, mas real

• O recém-nascido real

O processo de gravidez e maternidade envolve a concretização de tarefas desenvolvimentais, especificamente
1. Aceitação da notícia
2. Aceitação do feto como um ser separado
3. Reavaliação e reestruturação da relação com os pais
4. Reavaliação e reestruturação da relação com o companheiro
5. Aceitação do bebê como uma pessoa separada
6. Redefinição da própria identidade (integrando a identidade materna)
7. Reavaliação e reestruturação da relação com outros filhos

Paternidade – identificações e alteridade

Reconhecimento de si e do outro na sua individualidade. A distância entre o filho ideal e o filho real pode ser mais ou menos dolorosa e pode ser colmatada pelo respeito da alteridade e do prazer da descoberta do outro, mas também e simultaneamente da descoberta de novos aspectos de si próprio. Na paternidade há ainda que se identificar os riscos da indiferenciação pai, mãe/criança (entender a criança como uma parte de si próprio). No Pré-histórico da ligação ocorre o fenômeno do “paradoxo da masculinidade” (Bell, 1984): como conciliar um primeiro movimento identificatório à mãe com o novo movimento identificatório ao pai e ao comportamento masculino.

O desejo de um bebê – ser completo/onipotente/rever-se no bebê, desejo de continuidade, transpor para o bebê ideais, oportunidades perdidas, renovar velhas relações, oportunidade de igualar-se ao pai

A gravidez – proximidade/distância entre o pai e a mãe grávida (amostras transculturais indicam que 79% dos casos pai e mãe dormem separados durante amamentação)

• A síndrome de Couvade (ou gravidez empática, na qual o pai experimenta sintomas de gravidez)
• A aproximação do pai do bebê ao próprio pai tem função protetora
• Transição da relação dual para relação triangular
• Preocupação com a saúde da grávida e feto

Parentalidade e família

O nascimento do primeiro filho marca o nascimento da família nuclear, acarretando mudanças estruturais e funcionais, com diferenciação dos sub-sistemas parental e filial. Com o nascimento de segundos filhos diferencia-se o sub-sistema fraternal. Na perspectiva da família alargada o bebê concretiza a ligação entre as duas famílias de origem e cria novos laços de parentesco, como avós, tios, primos e acarreta uma reorganização das relações entre a família nuclear e as famílias de origem. Por fim, um bebê introduz novas dimensões na relação família e sociedade.

Fotos:
http://www.wellsphere.com/parenting-article/trouble-conceiving/260294
http://www.reasonforliberty.com/ethics/parenthood-and-freedom.html

Abuso e dependência de substâncias na terceira idade

Tuesday, 10 August 2010

Na terceira idade, a comorbidade do abuso de substâncias é a forma de apresentação mais comum. É um quadro muitas vezes não avaliado adequadamente, o que é uma pena, visto que os idosos aderem melhor ao tratamento do transtorno de uso/abuso de substâncias do que outros grupos etários.

Uso/Abuso de álcool

 
Dois terços dos homens e um terço das mulheres com mais de 65 anos de idade ingerem bebidas alcoólicas pelo menos uma vez por semana. 19% dos homens e 5% das mulheres bebem mais de 4 e 3 unidades (respectivamente) de álcool por dia. Há uma crescente porcentagem de indivíduos que excedem as unidades de álcool diárias recomendadas por 2/3 entre 1984 e 2004.

 
Detecção da dependência de álcool nos idosos

 
Ferramentas de rastreio – não são utilizadas nos cuidados primários: pouco tempo para consultas, treinamento inadequado, ideia generalizada de que há pouca evidência sobre o sucesso do tratamento e as escalas desenvolvidas para adultos e jovens podem não ser sensíveis o suficiente para indivíduos da terceira idade.
Ferramentas de rastreio específicas para a terceira idade: short MAST-G (Michigan Alcohol Screening Test – Geriatric Version); Drinking Problems Index e Alcohol-Related Problems Survey.

 
Interações farmacocinéticas do álcool com medicamentos:

 

 
Barreiras à identificação dos pacientes e ao tratamento:
  • Estigma
  • “ageism” – racionalização de que as dificuldades deste grupo etário se devem tão simplesmente ao envelhecimento
  • Falta de treinamento adequado da equipe técnica
  • “misattribution” – pensar que os sintomas do abuso de álcool, como déficit cognitivo ou transtornos do humor, se devem à idade do paciente ou atribuir os efeitos físicos do abuso a traços de personalidade como “ele sempre dormiu/comeu mal”.
 Identificação do uso/abuso de álcool na terceira idade

 
O abuso de álcool é menos prevalente em indivíduos idosos, mas implica em:
Dificuldades médico-legais
Problemas judiciais como dirigir embriagado
Ofensas a terceiros
Violência doméstica

A forma de apresentação mais comum do abuso/dependência de álcool nestes indivíduos é:
  • Deterioração lenta dos cuidados pessoais e das atividades domésticas na ausência de doença orgânica que justifique estes sintomas
  • Transtorno depressivo
  • Demência
  • Desnutrição
  • Desidratação
  • Quedas
O consumo de álcool ocorre mais comumente em casa e pode ser utilizado como uma medida para lidar com dor, insônia, ansiedade, isolamento social ou luto.

 
Entrevista motivacional

 
A entrevista motivacional é uma intervenção psicológica desenhada para ajudar na identificação e reconhecimento do próprio uso de substâncias e direcionar o paciente à cessação dos consumos. É uma abordagem não confrontacional que evita rotular o paciente e aceita a perspectiva do mesmo como um ponto de partida sobre o qual trabalhar para conseguir a mudança. Ambivalência e relapso (recaída) são reconhecidos e vistos como oportunidades para direcionar o paciente a objetivos de saúde.

 
FRAMES:
Feedback
Responsabilidade pela mudança reside com o indivíduo
Advice (conselhos)
Fornecer um Menu de opções de mudança
Um estilo de aconselhamento/terapia EMPÁTICO
Aumentar a auto-eficácia (SELF EFFICACY)
Os pacientes muitas vezes passam e voltam a diferentes estágios durante o curso do tratamento.

Comorbidade/comorbilidade psiquiátrica

 
Abuso/dependência de álcool e depressão
Luto
Mudanças no papel social após a aposentadoria
Restrições e dificuldades relacionadas à idade
O uso de álcool aumenta o risco de depressão e o risco de suicídio nestes pacientes é 60 a 120 vezes maior do que na população geral.
Alcohol Epidemiologic Survey: indivíduos com mais de 65 anos que são depndentes do álcool apresentam 3 vezes mais risco de ter um transtorno depressivo (depressão major). Para a maioria dos pacientes, a sintomatologia depressiva resolve com a abstinência em 2 a 4 semanas.

Álcool e doenças cerebrais
Demência alcoólica primária: prejuízo cognitivo associado a alterações cerebrais pelo uso do álcool. Melhora com a abstinência.

Demência associada ao uso de álcool:
É a comorbidade mais comum entre as doenças cerebrais, melhora com a abstinência e tem o álcool como principal contributor para o quadro.
Critérios para condição provável:
-diagnóstico de demência 60 dias após a última exposição ao álcool
-consumo significativo da substância nos 3 anos anteriores ao início do quadro.
Estes critérios são aliados à presença de:
-dano a órgãos (fígado, por exemplo), relacionado ao consumo de álcool
-ataxia ou polineuropatia sensorial periferal não isquêmica
-melhora ou estabilização do prejuízo cognitivo
-melhora das alterações radiológicas após 60 dias de abstinência e evidência (neuroimagem) de atrofia cerebelar
Os seguintes critérios causam dúvida no diagnóstico de demência associada ao uso de álcool:
-prejuízo da linguagem
-sinais neurológicos focais
-evidência em neuroimagem de infarto ou hemorragia

Abuso/dependência de benzodiazepínicos (ou benzodiazepinas)
BZD são os psicofármacos mais comumente prescritos na terceira idade: 13-23% dos pacientes que vivem em comunidades (residências) as utilizam, 50% para os indivíduos com mais de 75 anos. Mais comum em mulheres. 1 em cada 10 idosos apresentam efeitos adversos como redução do tempo de reação e quedas (aumentam incrivelmente o risco de quedas).
Os idosos não apresentam os sintomas clássicos de abstinência de BZD (ansiedade, insônia, alterações perceptuais) e sim alteração do nível de consciência e desorientação

Abuso/dependência de outras substâncias
Nicotina - Principal causa de morte prematura. A cessação dos consumos na meia idade evita em 90% o risco de câncer de pulmão. É a substância mais comumente utilizada em idosos alcoólicos – 5 vezes mais comum neste grupo.

Drogas ilícitas - Cohortes de nascimento que evidenciam aumento nas taxas de uso de drogas ilícias apresentam maiores taxas na terceira idade. A mortalidade é 12 a 22 vezes maior em utilizadores de drogas idosos e estes apresentam 2 a 6 vezes mais risco de óbito relacionado à droga do que utilizadores mais jovens (overdose, por exemplo).

 Outras substâncias - Medicamentos para dor e tosse: 90% dos indivíduos com mais de 75 anos utilizam uma ou mais drogas vendidas livremente em farmácias

Comorbidades físicas

 
BZD – cansaço, tonturas, problemas com equilíbrio. A dependência desenvolve-se gradualmente com pequenas doses. Podem apresentar convulsões na retirada.

 
Opiáceos – diminuem o reflexo da tosse, respiração, pulso e pressão arterial. Lentificação do intestino leva a constipação.

 
Cannabis – associada a câncer de pulmão e câncer de cabeça e pescoço

 
Estimulantes – hipertensão, arritimias, derrame (AVC), danos renais e hepáticos

Tratamento do abuso/dependência de substâncias na terceira idade

 
Abordagem farmacológica

 
3 principais obstáculos ao uso do arsenal utilizado em adultos:
-não estão licenciados para uso nesta faixa etária: buprenorfina, naltrexone, acamprosato, lofexidina, dissulfiram e clonidina
-Riscos: a buprenorfina nestes pacientes não deve ser utilizada por causa convulsões, problemas respiratórios e doença hepática (maior sensibilidade nos pacientes idosos). As BZD também não devem ser utilizadas pois causam problemas respiratórios e instabilidade postural. Se utilizados, o diazepam e o clordiazepóxido não devem exceder metade da dose para adultos jovens. Da mesma forma a metadona. Terapia de uso da nicotina (para os que querem deixar o cigarro) não deve ser utilizada em pacientes com doenças cardiovasculares, tireoidianas ou diabetes.
-pouca evidência da eficácia dos medicamentos nesta população

Abordagem psicológica

Álcool: Resultados semelhantes aos esperados em adultos. Melhores resultados associados a maior tempo em terapia, maior envolvimento ao final do tratamento, mulheres e a pacientes com maior rede de apoio social.

Cigarro: Evidência limitada em idosos. Parece ser tão eficaz quanto em adultos, particularmente em pacientes com problemas físicos associados ao uso. Melhores resultados para os que fizeram uso de terapia de uso da nicotina e Intervenções Breves

Opiáceos e medicamentos prescritos: Metadona: poucos estudos, mas alguma evidência de melhora.

Foto: http://spiritlodge.wordpress.com/

Os seis estágios de consciência de um bebê

Continuando os posts maternais, para entender melhor como um bebê se comunica e aprende:

Estados de sono:

Sono profundo:
Não há qualquer atividade corporal
respiração suave e regular
Sem movimentos faciais ou oculares
Às vezes apresenta movimentos de sucção
Ocasionalmente apresenta o reflexo do susto (abana os braços)
É difícil acordar o bebê neste estágio
Se acordado, rapidamente volta a dormir
Procedimentos intrusivos não são recomendados nesta fase
Não amamenta
Geralmente irresponsivo

Sono leve:
Maior nível de atividade corporal
Repiração irregular
Movimentos faciais
Movimentos oculares (REM)
menos difícil de ser acordado
Amamentar nesta fase pode ser difícil
pode sorrir
mais responsivo

Estados transicionais

Sonolência
Atividade variável
Respiração irregular
Abre e fecha os olhos
Olhar vidrado
Responsividade tardia
Mais fácil de ser acordado
Difícil dizer se o bebê esta a dormir ou acordado
Se deixado em paz, volta a dormir
Amamentar pode ser difícil até que completamente acordado
Pode acordar ou voltar a dormir

Estados despertos

Alerta pacífico
Atividade corporal mínima
Respiração regular
O rosto está iluminado e alerta
Mais atento a estímulos
Boa fase para segurar e interagir com o bebê
Aprende e responde melhor nesta fase
Nas primeiras horas após o nascimento, recém nascidos apresentam intensos períodos desta fase, alternados com sono profundo.

Alerta ativo
Alto nível de atividade corporal
Respiração irregular
Movimentos faciais
Sensível a estímulos
Pode sinalizar que precisa de trocar a fralda; se alimentado, reposicioná-lo
Contorce o corpo e mexe os membros
Difícil de interagir
Se deixado em paz, pode consolar-se sozinho

Choro
Respiração irregular
Face contorcida
Chora
Mudança de cor
Os limites do bebê foram atingidos
Necessita de trocar a fralda
Necessita consolo
Sensibilidade variável a estímulos

Fotos: http://for-your-child.blogspot.com/
http://krystlehaines.com/the-final-post-on-self-soothing/
http://picasaweb.google.com/lh/photo/lAv5iW0dhTmSVPXLcoIgAg[http://parentinguru.com/sleep/health-issues-related-to-baby-sleep/
http://www.jerileakroll.com/
http://4everfamily.com/2009/09/16/works-for-me-wednesday-7-ideas-for-soothing-a-fussy-baby/

Posted by Vanessa Marsden at 03:02 3 comments  

Competência, capacidade e habilidade de tomada de decisões nos transtornos mentais

Monday, 9 August 2010

Princípios éticos básicos


 
Abordagem deontológica

 
Moralidade – atos corretos ou incorretos por razões intrínsecas aos mesmos, ao invés das consequências que produzem.
Immanuel Kant (1724-1804) – consequências não fazem parte do conceito de moralidade e os imperativos categóricos ditam o que se deve fazer em uma devida situação.
Haja apenas de acordo com aquela máxima
em qualquer lugar que puderes e a todo tempo
e isso se torna uma lei universal”
Immanuel Kant
Imperativos categóricos – são requisitos absolutos, incondicionais que exercem autoridade em todas as circunstâncias
Kant acreditava que apenas decisões racionais são autônomas (Kant cunhou o termo “autonomia”): Um indivíduo tem que ter capacidade intelectual para ter habilidade para tomada de decisões racionais.

 
Utilitarismo

 
Define moralidade em relação às consequências dos atos. Possui 3 premissas principais:
  • Consequências
  • Distribuição das consequências pela maioria
  • A natureza das consequências, geralmente medida em termos de felicidade
J. S. Mill (1806-1873) – uma decisão autônoma é aquela que expressa uma preferência.

 Mill acreditava que qualquer interferência na liberdade causaria mal. Os indivíduos podem agir como desejam, a não ser que sua ação cause mal a outros. Para Mill, a interferência só se justifica quando beneficia “aqueles que ainda estão em um estado que requer cuidados por parte de outrem e aqueles que devem ser protegidos contra suas próprias ações e injúria exterior”.

 
Tradição judaico-cristã

 
Todos os homens são criados à imagem de Deus, com dignidade humana e direitos recebidos através da criação divina.

 
Bioética moderna: autonomia e respeito à autonomia

 
Autonomia – “autodeterminação crítica na qual o agente melhora ao tomar decisões que são pouco prejudicadas por defeitos de lógica, informação ou controle ocorridos no ato da tomada de decisão”. Harris, 1985

 

 Bases legais

 
Capacidade – é o estado legal, isto é, um indivíduo tem ou não tem o direito legal de votar e, portanto, tem ou não tem capacidade.

 
Competência – a qualidade da habilidade de tomada de decisões de um indivíduo e é específica a uma decisão em particular que está a ser questionada

 

 Filosofias da avaliação da habilidade de tomada de decisões

 
Resultado – utiliza as consequências do processo de tomada de decisões sem se importar com a lógica por trás do mesmo. Geralmente é rejeitado pelo Direito.

 
Status – determina a capacidade de pertença a uma população específica (por exemplo, um indivíduo com doença mental). É utilizado na legislação de saúde mental

 
Abordagem funcional – analisa componentes do processo de tomada de decisões e é o utilizado pelo Direito.

 
Respeito à autonomia – o consentimento deve sempre ser obtido. Por exemplo, tocar um paciente sem permissão constitui assalto. O consentimento tem 3 componentes:

  •  Revelar informação
  •  O paciente deve ser competente, ter capacidade
  •  A decisão deve ser voluntária

Tratamento de pacientes incompetentes:

 
Legitimiza o toque não consensual já que o benefício é a maior consequência. - Não deve haver qualquer objeção ao tratamento -O tratamento não pode ser mais extenso do que o que a situação exige.

 “Declaração antecipatória” do judiciário de que o tratamento desta forma não é ilegal. Para esta decisão utiliza-se um processo conhecido como “best interest test”.

 
Estatutos

 
São as leis que dizem respeito à incompetência. Em geral, incapacidade é definida se um indivíduo é incapaz de:
• Agir
• Tomar de decisões
• Comunicar decisões
• Entender decisões
• Reter a memória de decisões
• Por razão de transtornos mentais ou inabilidade de comunicá-las devido a defeito físico.

 
Déficits associados a prejuízo da habilidade de tomada de decisões

Transtornos formais do pensamento e crenças delirantes
Estados maníacos
Prejuízo de insight
Sintomas negativos

 
Maximização da habilidade de tomada de decisões
Tempo
Mínimo possível de distrações na sala ou quarto do paciente
Comunicação clara e precisa
Panfletos informativos
Explicar prós e contras
Deixar claro que a decisão pertence ao paciente
Facilitar reflexão, relação e questionamento
Tratamento do transtorno mental subjacente

 
Transtornos de aprendizagem

 
Déficits nas habilidades verbais e de memória, dificuldades associadas a resolução de problemas, tendência a concordar, sugestionabilidade, problemas associados a concretismo e dificuldades em abstrair exemplos.

 
A habilidade de tomada de decisões racionais é afetada por déficits na memória, compreensão e lógica inferencial.

 
Para maximizar a habilidade, deve-se fornecer informações para reflexão e correlação, utilizar-se de ajudas visuais, dispor de tempo adequado, dar atenção à comunicação de problemas por parte do paciente e fornecer um setting adequado.

 
Demências

 
Déficits em conceptualização, memória semântica e verbal recall (busca de palavras)

 
Para maximizar a habiliadde, deve-se apresentar pequenas partes da informação de cada vez, simplificar o formato da informação e utilizar ajudas escritas (para a memória).

 
MMSE – Mini Mental State Exam: resultados do teste correlacionam com resultados de avaliação de capacidade. Resultados menores que 19 ou maiores que 23 são fáceis para discriminar capacidade e incapacidade. 95% dos pacientes com score menor que 18 são incapazes.

 
Foto: http://germanhistorydocs.ghi-dc.org/sub_image.cfm?image_id=2741