Campanha que associa cigarro a sexo oral gera polêmica na França

Sunday, 28 February 2010

Artigo da BBC Brasil de 24/02/2010 que pode ser conferido no original aqui.

Campanha que associa cigarro a sexo oral gera polêmica na França

Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil


Uma campanha antifumo na França que mostra imagens de adolescentes com um cigarro na boca em uma pose que sugere a prática de sexo oral forçado com um homem adulto está provocando polêmica no país.
Associações ligadas à família, aos direitos das crianças e feministas se dizem “escandalizadas” com a associação feita entre o cigarro e o sexo em mensagens dirigidas aos jovens.
A campanha, lançada pela Associação Direitos dos Não Fumantes (DNF), tem como slogan “Fumar é ser escravo do tabaco”. O objetivo da organização é “mostrar que o fumo é uma submissão”.
Nas fotos que sugerem sexo oral, o órgão sexual masculino é substituído pelo cigarro. Os cartazes poderão ser vistos em lugares tradicionalmente frequentados por jovens, como bares e discotecas.
Os publicitários que realizaram a campanha de prevenção reconhecem que o objetivo é chocar a opinião pública.
“Com o cigarro, somos submetidos à pior das submissões, à pior das escravidões. Procuramos a imagem chocante mais emblemática disso. A felação é o símbolo perfeito da submissão”, diz Marco de la Fuente, vice-presidente da agência BDDP, que realizou a campanha antifumo.

'Escandaloso'


Para Christiane Terry, representante da Associação Famílias da França, misturar o vício do fumo e o sexo “é um atalho ridículo e escandaloso”. Ela se diz preocupada “com o baixo nível para defender uma causa justa”.
Organizações ligadas à defesa dos direitos das crianças e adolescentes questionam as consequências que essas imagens podem ter sobre vítimas reais de abusos sexuais.
“Que eu saiba, uma felação não provoca câncer”, disse em entrevista ao jornal Le Parisien Antoinette Fouque, fundadora do Movimento para a Liberação das Mulheres.
“É escandaloso associar o vício do fumo à sexualidade, fazer um paralelo entre uma droga nociva e o desejo sexual. A conotação de violência sexual é inadmissível. É uma campanha sexista”, afirma Florence Montreynaud, presidente da associação feminista Chiennes de Garde.
O presidente da Associação Direitos dos Não Fumantes, Gérard Audureau, reitera que campanhas tradicionais não têm mais surtido efeito e que o consumo de cigarros continua aumentando entre os jovens na França.
“Dizer que o cigarro faz mal à saúde não funciona mais. Utilizar o sexo é uma maneira de atrair a atenção dos jovens. E se for preciso chocar, choquemos”, afirma Audureau.

Aumento


Segundo o Escritório Francês de Prevenção contra o Tabagismo, o índice de adolescentes fumantes na França aumentou, entre 2008 e 2009, de 5% para 8% na faixa etária de 14 anos e de 20% para 22% no caso de jovens de 17 anos.
Mas até mesmo autoridades na luta contra o tabagismo questionam a campanha da Direitos dos Não Fumantes.
“Ela vai chocar os adultos e não vai causar medo aos jovens”, diz Bertrand Dautzenberg, presidente do Escritório Francês de Prevenção contra o Tabagismo.
A Associação Famílias da França informou que irá prestar queixa junto a Autoridade de Regulação Profissional da Publicidade. Mas a entidade não tem poder para proibir a campanha, ela pode apenas sugerir a sua retirada.
As associações teriam de levar o caso a Justiça, mas nenhuma, até o momento, informou estar disposta a fazê-lo.
O Ministério da Saúde da França já havia lançado, em 2008, uma campanha de prevenção contra o álcool que mostrava jovens em uma festa na praia, vomitando, se afogando e sugeria violências sexuais decorrentes do excesso de bebida.

Não sei quanto ao leitor, mas acho que esta campanha não é exatamente eficaz. Independentemente dos argumentos pró-família (em cujos méritos não vou me meter tanto de um lado, quanto de outro), toda vez que drogas são associadas a sexo, elas tendem a ser glamourizadas. Posso até imaginar adolescentes franceses a debochar da campanha, imitando as fotos e colocando-as no facebook ou no hi5 (sites sociais mais utilizados na Europa). Em termos de efetividade, acho que deixa muito a desejar.

Pelofobia

Saturday, 27 February 2010

Artigo da Revista Época de 24/02/2010 Texto original e foto podem ser conferidos aqui.
Pelofobia
As mulheres não se permitem mais pelos em lugar nenhum do corpo. Por quê?

Ivan Martins
É editor-executivo de ÉPOCA

Em primeiro lugar, me desculpem pela ausência da semana passada. Eu fui viajar no Carnaval, voltei na tarde de quarta-feira (17) e não consegui escrever a coluna em tempo. Quem esperava ler e não leu tem direito de ficar chateado.
A parte boa da ausência é que durante a semana sem escrever eu me dei conta de um assunto óbvio, importante, que está ao nosso redor o tempo todo e que me deixa meio indignado – e sobre o qual nunca tinha me ocorrido escrever.
Estou falando de pelos. De depilação. Da forma meio amalucada como as mulheres brasileiras parecem se relacionar com esse aspecto da anatomia delas.
Conto uma história: dias atrás, escolhíamos aqui na revista uma foto para ilustrar a reportagem sobre as mulheres que se deixam fotografar nuas por alguma causa nobre ou pelo simples prazer de exibir seus corpos diante das lentes.
Uma das possibilidades era ilustrar a reportagem com a imagem de uma mulher jovem, meio gordinha, de rosto bonito e seios grandes, fotografada pelo americano Matt Blum para o Nude Project – uma coletânea mundial de nus de mulheres anônimas, normais, sem maquiagem ou correção digital. Vejam o site e vocês irão entender. É bonito.
Bem, a moça estava fotografada da cintura para a cima, com uma das mãos atrás da cabeça, e embaixo do seu braço esquerdo se via... um delicado tufinho de pelos.
Vocês não imaginam a confusão que aquilo causou. Exceto por mim e pelo editor de fotografia – o André Sarmento – todos ao redor achavam a foto impublicável. Abominável, na verdade.

As mulheres, minhas colegas de trabalho, não se continham: “Vai publicar isso, que nojo”; “Olha esses pelos, parece sujeira, não pode colocar uma foto dessas na revista”; “Vocês estão loucos de dar uma coisa dessas. Que mau gosto”... E por aí foi.

Final da história: André e eu fomos voto vencido e a foto não saiu.

Como uma espécie de vingança – e parte do argumento – ofereço a imagem para que vocês mesmo julguem:
Não sei qual é a opinião de vocês, mas eu tenho a minha: pelos, no Brasil, viraram motivo de histeria.
Na minha geração, que se tornou adolescente nos anos 70, as pessoas já gostavam de pernas lisas e de axilas desfrutáveis – mas hoje em dia vigora uma verdadeira pelofobia.
As mulheres não se permitem mais ter pelos em lugar nenhum, em quantidade alguma. Das sobrancelhas ao períneo, tudo tem que estar liso como vidro, deserto como a superfície da Lua – sem as crateras, de preferência.
Quanto tempo se passou desde que a Vera Fischer posou nua exibindo uma versão louro-acastanhada da floresta amazônica? Quantos anos transcorreram desde que pelinhos para fora do biquíni deixaram de ser a coisa mais sensual que se podia ver em Ipanema? Foi ontem que eu vi Julia Roberts aparecer numa cerimônia publica com pelos nas axilas?

Julia Roberts, aliás, me lembra o mundo externo ao Brasil, onde as coisas não são como aqui.
As mulheres europeias – bonitas, sensuais, interessantes – não seguem o código da pele estéril.


Antes de sair a passear, numa noite de verão, elas depilam as axilas para se exibirem num vestido sem mangas. Mas essas mesmas mulheres, em outras circunstâncias, não hesitam em levar um homem para casa por causa de alguns pelos no corpo. Sobretudo aqueles pelos que os homens gostam (ou gostavam...) de descobrir.
Claro, me dizem, é cultural. As mulheres no Brasil gostam de andar sem pelos. Mas seria assim tão simples? Eu não acho.
Acredito que essas estéticas “perfeccionistas” (meu termo favorito é onanistas) têm sido impostas às mulheres brasileiras – e de uma forma muito pouco sutil.

Por causa das revistas de mulheres peladas, por causa de fotos das artistas de TV e do cinema – todas profissionais do corpo, não esqueçam – as mulheres normais foram sendo pressionadas, nos últimos 10 ou 20 anos, a cuidarem do próprio corpo como trabalhassem em boate.
Acho, inclusive, que essa última onda depilatória radical – que as próprias mulheres afirmam ser dolorosa, degradante, cara e terrivelmente trabalhosa – decorre recentemente da popularização dos filmes pornôs.


Em que outras circunstâncias se encontram mulheres totalmente preparadas para a micro-exploração minuciosa e impiedosa das câmeras?

Essa não é uma estética normal e nem muito menos lógica, mas assim é tratada quando se tenta discutir os assunto com as próprias mulheres e com os homens mais jovens, educados esteticamente pelos filmes da Sasha Gray.
Mas quem diz que um púbis sem pelos é mais bonito que um púbis com pelos? Quem diz que um tufo de pelos em baixo do braço é “nojento”? De onde veio essa ojeriza?
Para mim, isso tudo parece uma deformação, um exagero, uma burca ao inverso que as garotas assumem (ou vestem) como se fosse a coisa mais natural do mundo.
A lavagem cerebral está completa quando a exigência deixa de ser imposta de fora (pelos homens, pela moda ou por quem quer que seja) e passa a ser uma demanda interior das próprias mulheres, que já não se imaginam ou se toleram de outra forma que não seja ultradepiladas. Então passam a policiar as outras, transmitindo “a doença” de uma forma epidêmica.
Se algumas delas está fora do padrão vai ser olhada de lado não apenas pelos homens (supostos beneficiários finais da coqueteria feminina), mas sobretudo pelas próprias mulheres, as fiscais mais exigentes do corpo e do comportamento umas das outras.
O resultado disso é uma onda crescente de insegurança íntima: será que eu estou depilada o suficiente, ou pintada o suficiente, ou magra o suficiente, ou bronzeada o suficiente, ou durinha o suficiente para provocar o desejo dos homens e a aprovação das outras mulheres?

Parece um pesadelo, e é.

Ao falar sobre isso, uma amiga me disse que abomina essa coisa dolorosa da “depilação íntima” e que adora a estética triangular dos pelos pubianos, mas que a cada dia se sente mais sozinha na sua delicada convicção. Está virando um dinossauro – ou seria um mamute, peludo e extinto? – num mundo de coquetes histéricas.
E não se trata só de pelos. Uma das minhas colegas de trabalho que faz parte da geração mais atingida por essa onda de perfeição (a das mulheres que ainda não fizeram 30 anos) me contou que uma ex-chefe a achava relapsa por não fazer as unhas toda semana...

Por comparação, acho que vale a pena olhar para o que acontece no mundo masculino.

Há uns tantos homens que estão raspando o peito, fazendo a sobrancelha e depilando a barba – além de se submeterem a sessões cada vez mais longas de musculação, em busca do corpo perfeito. Muitos chegam a fazer plásticas.

Mas essa não é a lógica dominante.

Os homens, na sua absoluta maioria, continuam peludos, barrigudos, carecas, barbados e fora de forma.
Somos feios, somos baixinhos, somos magrelos, somos gordos. E assim somos aceitos. E assim somos amados. E assim vivemos: sem nos submetermos à tirania do gosto alheio, sem termos feito uma única sessão de depilação.
Há algo a ser aprendido com essa diferença, não?


(Ivan Martins escreve às quartas-feiras.)

Posted by Vanessa Marsden at 05:34 7 comments  

A Neuropsiquiatria da Epilepsia I

Hipócrates acreditava que a epilepsia era uma doença do cérebro
1800s – experimentos para provocar crises epilépticas

 Dicionário de Termos em Epilepsia

Convulsão – “uma descarga paroxística anormal de neurônios cerebrais, suficiente para causar eventos clínicos detectáveis que são aparentes ou ao paciente ou a um observador” (Schwartz e Marsh, 2000)

Epilepsia – tendência a convulsões recorrentes e não provocadas

Aura – convulsões parciais simples, que podem ou não progredir a outro tipo de convulsão

Convulsão/ictus – uma descarga paroxística elétrica anormal de neurônios cerebrais

Fit (inglês) – a manifestação física de uma crise

Pródromo – um fenômeno pré-icatal que consiste de consciência objetiva ou subjetiva de mudanças clínicas que anunciam o início de uma convulsão, mas que não fazem parte da mesma

Fase pós-ictal – período transitório de anormalidade do Sistema Nervoso Central (SNC), que se torna mais aprente após a fase ictal

Tipos de crises convulsivas


Crise convulsiva generalizada
Manifesta-se imediatamente
Espalha-se bilateralmente por todo o córtex cerebral
Pode apresentar-se com ou sem convulsões
Crise primariamente generalizada – não está associada a auras




Crise convulsiva parcial ou focal
Início em uma área específica do cérebro e depois se espalha
Pode tornar-se secundariamente generalizada ao se espalhar para ambos os hemisférios
Geralmente associada a patologia cerebral
Pode ser simples (sem alteração no nível de consciência) ou complexa (com alterações no nível de consciência)



Classificação: Classificação Internacional de Síndromes Epilépticas e Epilepsias

Crise generalizada (bilateralmente simétrica e sem início local)
  • A. Tônica (1), clônica (2), tônico-clônica (Grande Mal)
  • B. Ausência (Petit Mal)
    • I. Com perda da consciência apenas
    • II. Complexa – com breves movimentos tônicos , clônicos ou automatismos (3)
  • C. Síndrome de Lennox-Gastaut (4)
  • D. Epilepsia Mioclônica Juvenil (5)
  • E. Espasmos Infantis (Síndrome de West) (6)
  • F. Crises atônicas (astáticas, acinéticas) (às vezes com movimentos mioclônicos involuntários)
 Crises parciais ou focais (crises de início local)
  • A. Simples (sem perda da consciência ou alterações da função psíquica)
    • I. Motores – origem no lobo frontal (tônica, clônica, tônico-clônica, jacksoniana, epilepsia benigna da infância, epilepsia partialis continua)
    • II. Somato sensória ou sensório especial (visual, auditiva, olfatória, gustatória, vertiginiosa)
    • III. Autonômica
    • IV. Puramente psíquica
  • B. Complexas (com alteração do nível de consciência)
    • I. De início parcial simples com progressão à alteração do nível de consciência
    • II. Com alteração do nível de consciência de início
 Síndromes epilépticas especiais

  •  A. Crises mioclônus e mioclônicas
  •  B. Reflex epilepsy (7)
  •  C. Afasia adquirida com perturbação convulsiva
  •  D. Crises febris e outras crises da infância e adolescência
  •  E. Crises histéricas
Epidemiologia

Incidência: 24-53/100,000/ano
Prevalência de epilepsia ativa: 4-10/1000
Mais homens que mulheres
Standart mortality ratio (SMR) 2-3 vezes maior mortalidade que na população geral
Morte súbita é comum: 2-18% das mortes em epilepsia
Tipo mais comum: parcial complexa

Patofisiologia

A crise convulsiva se inicia através de “uma descarga excessiva, sincrônica e sustentada de um grupo de neurônios” e hiperexcitabilidade persistente neuronal é uma característica de todas as crises epilépticas.
A hiperexcitabilidade pode envolver:
  • Um único neurônio
  • O ambiente neuronal
  • Uma população de neurônios
A excitabilidade neuronal anormal ocorre como resultado de uma interrupção no mecanismo de despolarização ou repolarização.

Etiologia

Idiopática: Sem etiologia conhecida

Sintomática: Lesões cerebrais adquiridas: traumatismo craniano, traumas ao nascimento, perturbações cerebrovasculares, anoxia cerebral, infecções cerebrais, esclerose hipocampal, dysembrioneuroepithelioma (DNET), malformações corticais e tumores.

Criptogenética: Em 50% dos casos não é encontrada causa

Diagnóstico diferencial

Traumatismos, hemorragia intracraniana, causas cardiovasculares, anormalidades estruturais (aneurismas, malformações arteriovenosas, lesões de massa), causas neurológicas, metabólias, toxinas, drogas, causas psiquiátricas (narcolepsia, cataplexia, terrores noturnos, ataques de pânico, crises não-epilépticas, sonambulismo, transtorno conversivo, breath-holding spell, transtorno factício).

Diagnóstico

Não existe um teste diagnóstico
História clínica, história colateral, exame físico com exame neurológico completo, EEG ( que mostra ondas rápidas generalizadas spike-wave e polyspike-wave), exames de imagem cranianos, exames de sangue.

Drogas de escolha por tipo de crise em adultos:
Manejo

Educação
Prescrição das drogas adequadas por um especialista
Terapia cognitivo-comportamental: ajuda o paciente a relaxar
50% dos pacientes atingem um estado livre de crises convulsivas com o auxílio do medicamento

Cirurgia da Epilepsia
Para epilepsias com lesão associada
Remoção do foco epiléptogênico
Lobectomia temporal anterior – procedimento mais comum
Consequências: sintomas ansiosos/depressivos. Psicose é rara
Ansiedade ou depressão transitórios ocorrem em um terço dos pacientes
 
(1) Movimentos tônicos causam a rigidez típica do início da crise convulsiva
(2) Movimentos clônicos são espasmos involuntários
(3) Movimentos complexos involuntários
(4) A Síndrome de Lennox-Gastaut (SLG) é uma forma de epilepsia de início da infância (início aos 2 a 6 anos) caracterizada por crises convulsivas frequentes e de diversos tipos. Ocorre em 5% das crianças com epilepsia e é mais comum em meninos. É geralmente acompanhada de atraso mental e problemas comportamentais. Crises diárias frequentes são típicas na SLG, sendo as mais frequentes tônicas (90%, ocorrendo mais à noite) e mioclônicas (que ocorrem quando o paciente está cansado). Mais da metade dos pacientes sofre de status epilepticus (geralmente do tipo não convulsivo: sonolência, apatia, falta de respostas) e/ou dificuldades de equilíbrio, o que faz com que os pacientes tenham que usar capacetes para prevenir traumatismos cranianos.
(5) A Epilepsia Mioclônica Juvenil (EMJ), também conhecida como síndrome de Janz, manifesta-se geralmente entre os 12 e 18 anos, com mioclônus que ocorre pela manhã. Muitos pacientes também apresentam crises tônico-clônicas e de ausência. O mioclônus raramente faz com que os pacientes caiam, mas sim derrubem objetos. Os ataques de mioclonia são mais comuns nos braços do que nas pernas.
(6) A Síndrome de West (SW) ou Espasmos Infantis é uma forma rara de epilepsia da infância. É uma tríade clássica de espamos infantis, um padrão patognomônico ao EEG (hypsarritimia) e retardo mental. A Síndrome tem início geralmente entre o 3º e o 12º mês de vida, manifestando-se mais comumente ao 5º mês e é geralmente causada por disfunção cerebral. Cerca de um terço das crianças com SW apresenta evidências de perturbações orgânicas profundas do cérebro (microcefalia, atrofia cerebral, etc.). A SW ocorre é rara na população geral, mas ocorre em 1 a 5% dos bebês com Síndrome de Down (SD). Ao contrário das outras crianças, nas quais a síndrome tende a ser difícil de controlar, nos bebês com SD a síndrome é mas leve e responde melhor aos medicamentos. As crises típicas da SW podem ser classificadas em
Lightning attacks (ataques relâmpago): convulsões mioclônicas súbitas e severas de todo o corpo ou várias partes do corpo em poucos segundos, nos quais as pernas se dobram (as crises de músculos fletores são mais graves que as dos extensores)
Nodding attacks: convulsões dos músculos da garganta e pescoço, que fazem com que a criança mova a cabeça em direção ao peito
Salaam ou Jacknife attacks: espasmo fletor com rápida inclinação da cabeça e torso para frente, e simultânea elevação ou contração dos braços enquanto as mãos se juntam parcialmente em frente ao peito. Se o ataque fosse lento, pareceria o cumprimento oriental típico (Salaam), daí seu nome.
Mais da metade das crianças com SW desenvolve SLG posteriormente.
(7) Reflex Epilepsy, também conhecida como epilepsia ambiental é o nome dado ao conjunto de crises convulsivas causadas pela estimulação aguda do sensório de um paciente. A mais conhecida é a epilepsia fotossensível

Referências:

ResearchBlogging.org

Schwartz JM, & Marsh L (2000). The psychiatric perspectives of epilepsy. Psychosomatics, 41 (1), 31-8 PMID: 10665266
Nabbout, R., & Dulac, O. (2008). Epileptic syndromes in infancy and childhood Current Opinion in Neurology, 21 (2), 161-166 DOI: 10.1097/WCO.0b013e3282f7007e

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Modelo de prevenção ao HIV baseado em ADR

Friday, 26 February 2010


Continuo a colocar no Scribd documentos que utilizei para minha tese de mestrado. Este documento refere-se à epidemiologia do modelo ADR (Aconselhamento, Diagnóstico e Referenciação), também conhecido como "Voluntary Counselling and Testing for HIV".

Contém:
  • diferenças entre Intervenção Comunitária e Intervenção Sócio-política
  • Aconselhamento, Diagnóstico e Referenciação (ADR) como estratégia de Saúde Pública
  • A vigilância do VIH
  • A vulnerabilidade ao VIH
    • Comportamentos sexuais
    • Injecção de Drogas
  • Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e a transmissão do VIH
  • Estratégias de Prevenção do VIH
Foto: http://www.awareuk.info/studio/library/files/images/red_ribbon.jpg

Notícias em toxicodependência

Nações Unidas alertam para uso abusivo de medicamentos prescritos
por Paula Laboissière - Agência Brasil

24/02/2010

8,2 milhões exageram em medicamentos nos EUA, e número supera usuário e drogas sintéticas

A Junta Internacional de Fiscalização a Entorpecentes (Jife) - órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) - fez um alerta hoje para o uso abusivo de medicamentos prescritos em todo o mudo. O problema, segundo a Jife, deve ser abordado com urgência, a fim de impedir sua propagação e evitar mais incidentes fatais.
Nos Estados Unidos, o abuso de medicamentos prescritos é o segundo maior problema em meio ao cenário das drogas. Com 8,2 milhões de usuários, fica atrás apenas da maconha e representa mais do que o número somado de usuários de cocaína, heroína, alucinógenos, ecstasy e inalantes. Já na Alemanha, entre 1,4 e 1,9 milhão de pessoas são viciadas em remédios.
De acordo com um relatório divulgado pelo órgão, medicamentos que contêm substâncias controladas estão sendo usados como substitutos de drogas ilícitas, uma vez que causam efeitos semelhantes e estão amplamente disponíveis - inclusive pela internet - por meio da venda de conteúdos contrabandeados ou falsificados.
"As pessoas tendem a achar que o abuso de medicamentos prescritos é apenas um uso inadequado de medicamentos para tratar problemas de saúde. Mas esses incidentes são frequentemente resultado de um vício que pode ser tão letal como a dependência de outras drogas como a heroína ou a cocaína", alerta o documento.

Sexualidade Precoce

A sexualização precoce da infância parece finalmente ter começado a ser debatida na mídia. Como é época de eleições na Inglaterra, os dois principais partidos (Labour e Tory) têm trazido diversas propostas para reduzir a exposição de crianças a imagens sexuais. A BBC traz hoje um debate e reportagem sobre o assunto, que podem ser conferidos no link abaixo, que contém o texto e dois vídeos com entrevistas (em inglês):

Children 'over-exposed to sexual imagery' (com vídeo)
Media blamed for 'sexualisation' of young girls (com vídeo)
'The whole of society is hyper-sexualized' (audio)
Children absorbing message to be 'sexy' (audio)

Uma amiga me indicou este texto abaixo da revista digital Outras Palavras (pode ser lido no original no link). Achei que o texto tem tudo a ver com uma linha que tenho seguido de alerta sobre tendências comportamentais. A transcrição segue abaixo.

Sexualidade Precoce

Mariana Alves dos Santos


T- Olha tia o que eu escrevi – falou-me uma garotinha de 9 anos com um papel em suas mãos. Ao pega-lo vi que era um verso, para minha surpresa nada infantil.


“Te amo muitíssimo
Te amo como quiser
Me jogue na cama
E me faça mulher.”


Lembrei que nessa idade não pensava muito nessas coisas, o que queria era curtir as brincadeiras.
Infância precoce é um fenômeno cada vez mais preocupante para pais, médicos e sociólogos. Em um tempo não muito distante, a sexualidade era tratada como um assunto proibido e constrangedor. Porém, atualmente o quadro é outro: a sexualidade é abordada de forma ampla pela sociedade, mas muitas vezes banalizada pelos meios de comunicação.

Debate


Treze meninas e oito meninos, de 7 a 10 anos. Foram dois grupos com os quais me reuni para conversar sobre sexualidade. No dia do nosso encontro as crianças estavam todas ansiosas. Falamos sobre seus maiores sonhos e o futuro. Natália Lima Barreto, 9 anos, confessou que queria ser famosa: “ Deve ser muito legal ser celebridade, dar autógrafos...” , assim ela e mais duas amiguinhas começaram a fantasiar o possível sucesso.

Luana Maia, 9, Verônica Bernardino, 10, e Heloísa Vilela, 8, já têm o pé no chão. Sonham em ter profissões convencionais e não acham o mundo dos famosos tão glamuroso assim. Acreditam que viver expostas na mídia traz perda de liberdade.
As meninas demonstraram ser mais reservadas, já os meninos tiveram menos vergonha para contar alguns segredos.
- Eu gosto de ver o canal da Playboy - disse um deles com um sorriso maroto.
- E a sua mãe sabe disso?- perguntei a ele
- Não. Eu me tranco no meu quarto e ela nem vê.
Os outros garotos começaram a rir. Mudei de assunto.
- Vocês querem fazer o que da vida?
- Quero ser policial, para dar tiro, andar depressa com o carro e não ser multado- disse o mesmo que gosta do canal erótico.
- Você acha que o policial só faz isso?
- É – disse ele seguramente.
Diferente do colega, Bruno Bueno Lenzi, 8 anos, revela :
- Quero ser veterinário pra cuidar dos animaizinhos.
Bruno não é o único que prefere uma vida mais tranqüila. Éric Raise disse que não quer namorar agora, porque sabe que é criança, e seus pais lhe ensinaram que as crianças não devem namorar, mas sim brincar. A maioria beijou na boca.
Durante a conversa, percebi que meninas e meninos sentem falta de conversar com a família. As crianças reclamam que seus pais e mães trabalham demais e nem sempre têm tempo para ouvi-los. Quando estão junto dos filhos não podem ou não dão atenção a eles.
A ausência dos pais, em alguns casos, os leva, por exemplo, à televisão como companhia. As crianças dos dois grupos vêem TV no mínimo 4 horas por dia, não só desenhos animados e programas direcionados às suas idades, como também novelas, programas voltados para adolescentes. Todos adoram a MTV.
A socióloga Sônia Dezute, formada pela Fundação Santo André, lecionou diversas disciplinas em escolas do Ensino Fundamental e Médio e faz palestras sobre sexualidade infantil. Para ela, não existem crianças precoces, os filhos apenas reproduzem o que vêem e tem dentro de casa.
O problema do limite que os pais devem estabelecer é um dos maiores dramas. “Impor limites é totalmente raro”, diz a socióloga. Para ela há um certo desleixo dos pais, que infelizmente nem notam comportamentos precoces, e sugere: “Trocar a TV por bons livros seria um começo”.
Segundo pesquisas da organização Mídia Ativa, não há como controlar o acesso das crianças e adolescentes aos conteúdos impróprios. Cada programa tem uma faixa etária determinada, mas se a criança vê a culpa não é da TV e sim de quem permitiu que ela visse o programa.
A TV por si só não influencia esses comportamentos nada infantis, mas sim um conjunto de fatores, abrangendo a família, a escola, amigos, a sociedade de uma maneira geral.

Fotos: http://farm3.static.flickr.com/2125/2547301979_51cc07bf82.jpg

O equilibrista não é louco?

Thursday, 25 February 2010

Mais um blog em psiquiatria digno de nota. Tenho acompanhado a pouco tempo o blog Psiquiatria e Sociedade, de Daniel Martins de Barros, médico psiquiatra do Instituto de Psiquiatria (IPq) de Hospital das Clíncas da USP. Seu último post é muito divertido e não tenho como não compartilhá-lo (pode ser lido no original aqui). Não vi o documentário, mas está na minha lista. Como estou ficando meio pesada e minha última experiência no cinema não foi das melhores (Avatar é muito comprido para quem está grávida) adicionei o documentário à minha crescente lista de reservas na locadora.

Assistir ao documentário O equilibrista (Man on wire), que ganhou Oscar de melhor documentário em 2009 me levou a uma série de reflexões: até onde se pode ir na busca de um sonho, como são borrados os limites entre a autonomia do sujeito e a proteção do Estado, qual a força da amizade, como avaliar a beleza de uma conquista. De todas, gostaria de aprofundar-me brevemente em uma, tema central desse blog: o desafio da psiquiatria para diferenciar os loucos dos doentes mentais. Explico.


No senso comum, qualquer pessoa que aja de forma diferente da norma é anormal. Mas a minoria é doente. Como Philippe Petit, equilibrista que andou por quase uma hora entre as torres gêmeas num cabo preso clandestinamente por sua equipe. “Esse cara é louco”, pensamos ao ver sua proeza. Tanto assim que, logo após ser detido, foi imediatamente levado aonde? A um psiquiatra. Divertidíssimo vê-lo contando que o médico lhe perguntava se ele havia bebido. “Você está louco?” redarguia Petit “Você sabe o quê eu acabei de fazer? Como me pergunta se eu bebi?”. De fato, se alguém pretende se equilibrar num cabo a quase meio quilômetro do chão, a última coisa que deve fazer é beber.

No final das contas o médico sensatamente dá alta ao “nefelibata” (aquele que anda nas nuvens), não tendo diagnosticado qualquer transtorno mental. Mesmo ele sendo “doido”.

Penso, enfim, que a maior dificuldade não é diferenciar os loucos dos doentes. Tecnicamente isso não é assim tão complicado na maioria das vezes. O difícil mesmo é, feita essa distinção, explicar para a sociedade que, apesar de ser anormais, algumas pessoas não são doentes. Afinal, a gente está sempre em busca de uma causa para os comportamentos excêntricos. Mas como disse o próprio Petit, nem sempre temos as razões: “Não tem um porquê, essa é a beleza da coisa”.

Outra recomendação veio da colega do blog "Esqueci a Ana", sobre o documentário "Esboços de Frank Gehry".

Fotos: http://temavercomigo.files.wordpress.com/2009/04/man-on-wire.jpg
http://i.thisislondon.co.uk/i/pix/2007/06/frankgehry_243x337.jpg

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Modelo Sistêmico em Psiquiatria

Psicossomática

Modelo estrutural de S. Minuchin (1975)

A Terapia Familiar Estrutural foi desenvolvida pelo argentino Salvador Minuchin para lidar com problemas dentro de uma família. O terapeuta neste modelo tenta "entrar" no seio familiar durante a terapia para entender as regras invisíveis que governam seu funcionamento, mapear os relacionamentos entre os membros e finalmente, interromper relacionamentos disfuncionais favorecendo a estabilização do grupo em padrões mais saudáveis. Características notadas em famílias patológicas neste modelo incluem:


• Vulnerabilidade fisiológica
• Emaranhamento (alto grau de envolvilmento entre pais e filhos) – menor diferenciação do self?
• Superproteção
• Rigidez (às mudanças)
• Evitamento de conflitos (através de mecanismos como)
  • o Triangulação
  • o Coligação pai-filho
  • o Deslocamento
Minuchin acreditava que uma família é funcional ou disfuncional baseada em sua habilidade em adaptar a um ou vários estressores (Rigidez). Além disso, famílias tendem a ser subsistemas caracterizadas por uma hierarquia de poder, nos quais os pais tipicamente ocupam o "topo" da cadeia. Em famílias saudáveis, as fronteiras pais-filhos são claras, mas fluidas, o que permite a interação dos pais com filhos mantendo ainda graus de autoridade e permitindo a negociação dos objetivos parentais. As crianças não confundem os pais com outras crianças, estes permitem a interação dos pares (irmãos, amiguinhos) para socializar os filhos e não são rígidos ou desligados (ignorando as necessidades de suporte, educação e amor dos pequenos).

Já as famílias disfuncionais exibem subsistemas misturados (emaranhados) e hierarquias de poder impróprias: o filho é o rei da casa (por exemplo), trazido à alta hierarquia parental devido a um pai/mãe física ou emocionalmente ausente.

 Este modelo postulado foi inicialmente para a anorexia, asma e diabetes juvenil. Abordagem familiar estrutural: “Família Fortaleza” – muralha contra eventos externos, mas por dentro os indivíduos têm poucas delimitações, papéis pouco estabelecidos. Na anorexia os papéis da família rígida no desenvolvimento do transtorno, e da figura da mãe (ou pai) "intrusiva" na vida da filha são bem conhecidos e explorados (Hartman, 1995).

Terapia estrutural

Territórios
 Lutos
 Organização das refeições
 Saída
Não vou entrar muito no mérito da terapia propriamente dita. Vou apenas citar Grandesso:
As micro-práticas transformativas
Trata-se de um processo de terapia narrativa com ênfase nas micro-práticas transformativas no contexto da conversação que, através de um processo de questionamento, vem a desestabilizar as narrativas organizadoras dos problemas, dilatando seu horizonte e referência.
O resultado de tal processo de questionamento conduz à organização de histórias qualitativamente ‘melhores’ para o sistema, em torno dos “estranhos atratores”, fazendo referência à teoria do caos. (...) Sluzki considera que as narrativas que surgem no contexto das terapias organizam-se em torno de temas, muitos deles podendo ser considerados universais a qualquer que seja a família: perdas e luto, gênero, ciclo vital, transgeracionalidade e famílias de origem, lealdades e ética relacional, etnia e cultura, estrutura e organização da família, dentre outros.

Toxicodependência
Modelo estratégico-estrutural de M. Ducan Stanton e Todd (1982)

Pseudo-individuação
Primazia da família de origem face à família de procriação
Temática da morte

Um texto Duncan Stanton sobre a toxicodependência está disponível na íntegra nas referência

Alcoolismo
Famílias sob influência (Elkin, 1984)

Games people play: salvador, vítimia e perseguidor – “rescue triangle”
A família alcoólica (steinglass et al, 1987) – prevalência da homeostasia a curto prazo sobre o crescimento a longo prazo

Referências:

ResearchBlogging.org
Duncan Stanton, M. The Role of Family and Significant Others in the Engagement and Retention of Drug-Dependent Individuals. http://nida.nih.gov/pdf/monographs/Monograph165/157-180_Stanton.pdf

Grandesso, M. A. Desenvolvimentos em Terapia Familiar: das teorias às práticas e das práticas às teorias. Disponível na íntegra em http://www.dialogosproductivos.net/upload/publications/04092009174325.pdf

Hartman, D. (1995). Anorexia nervosa--diagnosis, aetiology, and treatment. Postgraduate Medical Journal, 71 (842), 712-716 DOI: 10.1136/pgmj.71.842.712

Kafka, P. (2008). Structural Family Therapy. An Effective Approach to Understanding and Healing Families http://clinical-psychology.suite101.com/article.cfm/structural_family_therapy#ixzz0gY0eE1qc

Minuchin S (1998). Where is the family in narrative family therapy? Journal of marital and family therapy, 24 (4), 397-403 PMID: 9801999

Foto: http://vig-fp.prenhall.com/bigcovers/0205543200.jpg

DSM-V

Wednesday, 24 February 2010

Só um breve update sobre o debate sobre o DSM-V na rádio CBN:
Retirei o player do blog porque ele começava a tocar automaticamente e estava me irritando. O debate continua disponível no link abaixo. Mantive o post com o menu dos principais assuntos.

http://cbn.globoradio.globo.com/programas/show-da-noticia/2010/02/20/DEBATE-SOBRE-AS-MUDANCAS-NA-NOVA-EDICAO-DO-MANUAL-DE-DIAGNOSTICO-E-ESTATISTICO-DE-DOE.htm

Posted by Vanessa Marsden at 07:12 0 comments  

Rio Eating Disorders and Obesity Conference 2010

Para maiores informações, clique na figura e/ou no email abaixo.

Anne Haylock, MA Healthcare Ltd, St Jude’s Church, Dulwich Road , London SE24 0PB
Tel: +44 (0)20 7501 6760 Fax: +44 (0)20 7733 8174
Email: anne.haylock@markallengroup.com Web: www.mahealthcareevents.co.uk

Posted by Vanessa Marsden at 03:04 0 comments  

Utilidade Pública

APM abre inscrições para grupo de apoio a familiares de Hiperativos (divulgação da ABP)


Já estão abertas as inscrições para o ‘Grupo de Apoio aos Familiares de Portadores do Transtorno do Déficit da Atenção e Hiperatividade’ (TDAH). Promovidos pelo Comitê Multidisciplinar de Adolescência da Associação Paulista de Medicina, os grupos se formam a cada semestre e são coordenados pelo dr. Wimer Bottura Júnior, presidente do Comitê.

No dia12 de março, o grupo iniciará seus trabalhos. Sempre gratuito, cada grupo realiza uma série desete encontros nos quais os participantes são orientados por meio de palestras. Nessas oportunidades, profissionais ligados ao transtorno abordarão suas experiências, levando, inclusive, alguns casos clínicos para ilustrar a conversa.

O objetivo é informar e orientar os familiares sobre a doença, tratamento, características e, com isso, melhorar o convívio com o paciente no dia-a-dia. “Os portadores enfrentam transtornos pessoais, familiares e sociais e não conseguem se relacionar com outros indivíduos. Há casos de indivíduos hiperativos, extremamente inteligentes, que obtêm maus resultados na escola, pois são muito dispersos. Querem fazer tudo ao mesmo tempo e raramente conseguem concluir suas tarefas”, explica o dr. Wimer.

Também serão debatidos outros problemas, como o fato de alguns portadores sentirem-se excluídos. De acordo com o especialista, na falta de tratamento ou abordagem adequada, muitos destes podem vir a se transformar em adolescentes rebeldes, aumentando, até, a probabilidade de envolvimento com drogas.

O evento visa, também, gerar multiplicadores na criação de grupos semelhantes em outras instituições. Este fato é extremamente importante tendo em vista o grande número de portadores de TDAH. “Atualmente, o distúrbio atinge de 3 a 5% da população infantil em idade escolar e mantém-se até a fase adulta”, afirma dr. Wimer.

Dia12 de março: ‘Grupo de Apoio aos Familiares e Portadores do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade’

Informações e inscrições: (11) 3188-4243, com Luci, das 16 às 21h, ou pelo e-mail: cientifico@apm.org.br.

Posted by Vanessa Marsden at 02:43 0 comments  

Notícias em psiquiatria

As duas últimas são de Portugal. As primeiras são do clipping da ABP. Fiquei embasbacada com a primeira, que está em praticamente todos os veículos hoje, sobre um hospital no Pernambuco (Nordeste brasileiro) que vai ser fechado para dar lugar à construção de um shopping center (!!!!!).

Pacientes vão ser transferidos
Não tem jeito. Os pacientes do Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano terão mesmo que deixar a unidade que funciona no local há 71 anos
Veículo: Diário de Pernambuco
Seção: Vida Urbana
Data: 23/02/2010

Quando o ciúme destrói o lar
Imaginação, fantasia; crença e certeza. Esses sentimentos afloram numa linha tênue, quando envolve o ciúme
Veículo: Diário do Nordeste
Seção: Cidade
Data: 22/02/2010

Drogas transformam pequenas cidades
Reportagem mostra o avanço dos entorpecentes em Romaria, Estrela do Sul e Monte Carmelo
Veículo: Correio de Uberlândia
Seção: Home
Data: 19/02/2010

ONU alerta para drogas de violação
Jornal de Notícias (Portugal)
23/02/2010

"Casos graves de acne acabam na psiquiatria"
Sociedade
Jornal de Notícias (Portugal)
23/02/2010
 
Tratamento precoce pode evitar problemas emocionais 80% dos adolescentes são afectados no Mundo inteiro

CLÁUDIA LUÍS

"A maioria dos doentes com acne tem problemas psico-emocionais", alerta o dermatologista António Massa. Para evitar cicatrizes no corpo e na personalidade, especialistas desvendam mitos e verdades sobre a doença que afecta 80% dos adolescentes no Mundo.

Mafalda Magalhães, 18 anos, tem uma colega de escola que não sai à noite com os amigos por ter medo da reacção das pessoas. "Diz que sai quando a doença passar". Entretanto, ao lado da vida da amiga de Mafalda, passam coisas essenciais: auto-estima; desenvolvimento de relações com outras pessoas; sensação de bem-estar individual e até um possível emprego.

"Os casos de acne mais graves acabam, invariavelmente, na psiquiatria", afirma António Massa. A boa notícia é que a maioria desses pacientes deixa de necessitar de cuidados psiquiátricos assim que vê a patologia melhorar.

Foi com o objectivo de evitar quadros de doença psicológica ou psiquiátrica que a Portuguese Acne Advisory Board, um centro de estudo português sobre acne, promoveu, na manhã de ontem, uma sessão de esclarecimento aos alunos da escola secundária Alexandre Herculano, no Porto. Alguns dos adolescentes foram surpreendidos.

Chocolate não causa borbulhas

"Não fazia ideia que a alimentação não tinha nada a ver com a acne!", espantou-se Diana Oliveira, de 16 anos. "Quando me apareceram as primeiras espinhas, os meus pais pensavam que era consequência do que comia, mas hoje vejo que não". De facto, não há prova científica de que alimentos como chocolate, azeitonas, frutos secos ou fritos provoquem o aparecimento de acne.

Da mesma forma, não está demonstrado que o estilo de vida tenha influência, sendo mais "uma forma de os pais penalizarem certos comportamentos", explica o médico, como saídas à noite.

Actividade sexual e falta de higiene também não têm relação com a doença. Nem mesmo a maquilhagem, desde que não contenha componentes que favoreçam a produção de sebo.

Em Portugal, a acne é o motivo mais frequente de consulta de Dermatologia entre a população adolescente. Segundo a Media Heath Portugal, em cada dez jovens há quatro a oito casos de acne. Cerca de 15% dos pacientes que procuram a consulta apresentam já formas graves da doença.

Ao verem imagens reais de formas graves de acne na face, pescoço, ouvidos e tronco, a plateia do Alexandre Herculano soltou um "arghhhhh" uníssono. Ruben Silva, de 15 anos, conhece um rapaz com um quadro clínico semelhante: "Quase nem se vê a pele dele". Ruben não sofre de acne, "mas se um dia o tiver esse problema, já sei o que fazer".

Até a acne mais impressionante tem remédio. O especialista avança que a taxa de sucesso do tratamento é "muito elevada". Daí que as imagens anteriores e posteriores à terapêutica sejam igualmente impressionantes, mas pela positiva.

Tratar é essencial. Sem a terapêutica adequada, a acne tende a agravar as marcas na pele e na forma de ser e de lidar com o Mundo. Pode até condicionar o tipo de emprego que se terá no futuro, numa sociedade cada vez mais demarcada pela imagem.

Segundo um estudo descrito pelo perito, concluiu-se que havia mais pessoas com acne na zona de Mouzinho da Silveira, onde se encontra um centro de emprego, do que na zona de Cedofeita, no Porto. Porquê? Cedofeita é uma zona comercial. "Para o atendimento ao público, só são contratados aqueles que têm boa imagem".

Nos blogs de psiquiatria e saúde mental em Portugal

Tuesday, 23 February 2010

Li no blog Psiquiatruras: 14ªs Jornadas de Saúde Mental do Algarve - "Fronteiras Fluídas", nos dias 28, 29 e 30 de Abril de 2010.

Para maiores informações, visite o blog do colega.

Posted by Vanessa Marsden at 13:04 0 comments  

Todos vivemos no sótão

Este post é dedicado a Exhamia, que disse trancar-se no sótão voluntariamente (vide Jane Eyre e a loucura). Muitos posts hoje! Este um bocado autobiográfico.

Sempre achei que todos somos casas com muitos quartos vazios. E um sótão, onde trancamos a louca, ou os impulsos de todos nós. Entendo sua necessidade de solidão e de afastar-se de tudo. A solidão pode ser muito terapêutica. Quando mudei para Portugal, embora trabalhasse e estudasse, não conhecia ninguem. A única companhia que tive, por meses a fio, para tomar um café, para passear comigo, era eu mesma. E assim, tive que abrir as temerosas portas ruidosas dos quartos da "minha casa", retirar os lençois que cobriam os móveis... Abrir os armários e enfrentar os esqueletos que lá se escondiam foi o mais difícil. Tive que lidar com eles um por um. Aprendi a tê-los por companhia. Não mais saía sozinha para tomar café. Meus medos e culpas me acompanhavam agora não como sombras mas como amigos que me fortaleciam. Não precisava mais me esconder no canto do café, tímida e com medo de estar sendo analisada. Hoje digo que eles se sentam comigo à mesa e debatemos longamente. Aprendi a apreciar a solidão e às vezes até mesmo a ansiar por ela. Quando finalmente tive companhia física para tomar um café, não havia mais aquela "necessidade" de alguém. Eu satisfazia a mim mesma. E os que passaram a me acompanhar a partir de então enriqueciam meu colorido mundo interno.

Encontrei este poema de Judah Emanuel que diz respeito ao assunto:

Os Dias ( Ou memórias de um quarto vazio )

Entre dias cinzas eu pairo
riscando sorrisos amargos ao nada
desenhando lágrimas
nos braços da solidão
esboço memórias passadas
em palavras tristes
Mais entre palavras e sonhos
ouso gritar para o vão
pra o só
ser só mais fraco então
pra esse sorriso
ser amargo mais não
nele cabe um mundo
cantando sempre riso
o vivo
e o motivo
de ser feliz
e à solidão cabe o tempo
destroçar
derrubar e derrotar
e bate ao peito o calor
reclamar à si felicidade
sem temor
e o dia se faz azul
nem estás só assim.

PS: Só não confunda solidão com auto-isolamento. O isolamento social leva à depressão e não faz bem à ninguem. Isolamento quer dizer não querer ver ninguém na maior parte do tempo, ao invés de sentir-se sozinha (como ocorre na solidão).

Foto: http://rtmulcahy.files.wordpress.com/2007/05/empty-house.jpg

Melancolia vs depressão

Este post é uma resposta a Rodrigo, que comentou sobre melancolia e depressão e trouxe uma indagação muito boa para ser respondida em forma de comentário apenas. Ele queria entender (não com estas palavras) qual a diferença entre melancolia e depressão.

Você pode afirmar que sabe a diferença?

Um dicionário online traz que

Melancolia (do grego μέλας "negro" e χολή "bilis") é um estado psíquico de depressão sem causa específica. Se caracteriza pela falta de entusiasmo e predisposição para atividades em geral. Melancolia é uma das "características" da Depressão Maior. A duração do estado depressivo deve ser superior a dois anos, afetando as funções básicas do dia-a-dia de uma forma considerável. A melancolia pode ou não estar presente na pessoa que sofre de depressão maior

Melancolia por Albrecht Dürer (1471 – 1528)

Hipócrates (460-377 a.C.) foi quem postulou o conceito de Melancolia. Ele acreditava que a maioria das doenças resultava de transtornos de humores. Por humores, entenda-se "líquidos" que circulavam no corpo: sangue, bílis, linfa e fleuma. De acordo com a predominância de um ou outro destes "líquidos", as personalidades poderiam ser sanguíneos, melancólicos, coléricos e fleumáticos. Ou seja: uma pessoa era melancólica se apresentava um excesso de bílis negra a circular no corpo, que causava os sentimentos negativos (tristeza, apatia, etc.). Para Hipócrates, a doença começava no baço, órgão influenciado por Saturno: o astro induzia o órgão a expelir o excesso de bílis causador da melancolia. Durante a Idade Média, na qual superstições e religiosidade dominavam o campo da psiquiatria, era comum atribuir fatores astrológicos às doenças mentais. Só com o Renascimento e Iluminismo esta atitude mudou.

No século 10, Avicena, um médico e filósofo persa, descreveu no seu Canon de Medicina várias perturbações neuropsiquiátricas, inclusive a melancolia, que definiu como um estado depressivo de humor no qual a pessoa suspeita de tudo e desenvolve certas fobias (Haque, 2004).

No clássico artigo de FreudLuto e Melancolia (1917), ele já previa uma certa dificuldade para definir esta condição emocional. Freud acreditava que a melancolia se assemelha ao luto, mas sem o contexto da perda. Na melancolia o objeto perdido é mais emocional que real. Além disso, o paciente melancólico sofre um profundo abalo de sua auto-estima, o que não ocorre no luto (no qual o indivíduo mantém o senso de auto-estima razoavelmente intacto). O problema na identificação da melancolia é que ela se manifesta de diversas formas, dificultando seu enquadramento em um bloco único.

Segundo Santana (2007),
Alguns vêem a melancolia não só como uma doença, mas como um estado de espírito, algo passageiro. O sucesso desse tema, de qualquer forma, revela uma grande identidade do público com ele, tanto nos séculos passados, quanto nos tempos atuais. Ele é igualmente objeto de divagações filosóficas, e um assunto muito caro ao filósofo Walter Benjamin. Recentemente, o escritor Moacyr Scliar escreveu o livro Saturno nos Trópicos, no qual também explora esse filão. Para o autor, o que mais se aproxima do estado de melancolia é o sono, porque ambos conduzem a um certo entorpecimento, à falta de ação, a uma carência de iniciativa própria. A literatura brasileira está repleta de protagonistas que tendem para o humor melancólico – o médico de O Alienista, de Machado de Assis, e o mais conhecido, o Jeca Tatu, de Monteiro Lobato.

Esta tendência a ver a melancolia como inspiradora vem do período romântico ou Romantismo, movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século 18 na Europa. O Romantismo buscou opor-se ao Racionalismo e iniciou um culto da melancolia. A imagem do escritor pálido, tuberculoso, apreciador de absinto que escrevia obras trágicas e morria jovem vem desta época. Interessante notar, que ainda hoje observa-se traços do romantismo especialmente no meio artístico brasileiro: Devido ao culto da melancolia (e do abuso de entorpecentes), os autores da época acreditavam que "sofriam" mais que o resto da sociedade e que esta de tal forma lhes deveria aceitar com seus defeitos e qualidades. Este discurso ainda hoje é ouvido no Brasil como justificativa para estes comportamentos no meio artístico (quem nunca ouviu alguém falando: "ah, ele se droga, não é? Os artistas são assim mesmo, mais sensíveis").
Retirado do blog "Meu divã é na cozinha", de Vanessa Souza Moraes

Depressão s. f. Fig. Abatimento; enfraquecimento físico ou moral; desânimo; esgotamento (No dicionário online).
Segundo Del Porto (1999), "O termo depressão, na linguagem corrente, tem sido empregado para designar tanto um estado afetivo normal (a tristeza), quanto um sintoma, uma síndrome e uma (ou várias) doença(s). (...)
Enquanto sintoma, a depressão pode surgir nos mais variados quadros clínicos, entre os quais: transtorno de estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia, alcoolismo, doenças clínicas, etc. Pode ainda ocorrer como resposta a situações estressantes, ou a circunstâncias sociais e econômicas adversas.

Enquanto síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, falta da capacidade de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de outros aspectos, incluindo alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono, apetite).
Finalmente, enquanto doença, a depressão tem sido classificada de várias formas, na dependência do período histórico, da preferência dos autores e do ponto de vista adotado. Entre os quadros mencionados na literatura atual encontram-se: transtorno depressivo maior, melancolia, distimia, depressão integrante do transtorno bipolar tipos I e II, depressão como parte da ciclotimia, etc."

Segundo o mesmo autor, a melancolia tem sido empregada na terminologia científico-psiquiátrica para designar um cluster de sintomas da depressão endógena (que aparentemente quanto mais melancólica, mais responsiva a tratamento) nas classificações atuais. Assim um Diagrama de Venn básico sobre o assunto como é visto hoje seria:
Quanto à origem do termo e do seu uso em medicina, a palavra "depressão", é derivada do latim deprimere" e significa abaixar. A partir do século 14, enquanto o termo melancolia ainda era bastante usado, "deprimir" significava subjugar ou rebaixar o espírito. Dois autores ingleses (Richard Baker, 1665 e Samuel Johnson, 1753) utilizaram o termo no sentido de alguém sentir "grande depressão do espírito".
O uso do termo para designar um sintoma pode ser visto nos trabalhos do psiquiatra francês Louis Delasiauve em 1856 e por volta de 1860 já aparecia em diversos dicionários médicos, com significado de redução da função emocional (Berrios, 1988). Engraçado entender que, como ilustrado acima, o termo melancolia tenha sido utilizado mais para homens brilhantes desde os tempos dos gregos, como se a melancolia fosse a maldição atribuída ao grande exercício das faculdades mentais por pessoas brilhantes, enquanto que o termo depressão, no século 19, era utilizado mais para mulheres e de certa forma, estava ligado à hipocondria (Radden, 2003).

Embora a melancolia tenha continuado como termo diagnóstico predominante, o uso do termo depressão ganhou força nos tratados médicos até que o psiquiatra grego Emil Kraepelin usou-o de forma intensa para referir-se aos diversos tipos de melancolia como estados depressivos.
Outro psiquiatra alemão, Kurt Schneider, cunhou os termos "depressão endógena" e "depressão reativa" em 1920, para designar depressão que surge de forma patológica, sem necessidade de estímulos internos (a primeira) e depressão resultante de estressores de vida.

O primeiro DSM, de 1952, continha o termo depressão reativa. Já o DSM-II de 1968, com o avanço da psicanálise trazia o termo neurose depressiva, definida por uma reação excessiva a conflitos internos ou eventos identificáveis. Neste século, diversas teorias sobre a depressão surgiram (que merecem um post só para elas) para explicar as causas e propor tratamentos.

Para concluir, devo afirmar que adorei a participação do Rodrigo no blog. Como havia acontecido anteriormente no post Banzo negro, que foi "sugerido" por uma leitora do blog, uma simples pergunta mostrou-se extremamente complexa para responder, requerendo uma análise epistemológica dos termos, auxiliada por uma viagem histórica.
Espero que tenha esclarecido as dúvidas de uma forma clara para auxiliar quem está em tratamento e quer entender melhor o que se passa ou para quem quer conhecer melhor a área.



Referências

ResearchBlogging.org

Berrios, G. (1988). Melancholia and depression during the 19th century: a conceptual history The British Journal of Psychiatry, 153 (3), 298-304 DOI: 10.1192/bjp.153.3.298

Davison, K. (2009). Historical aspects of mood disorders Psychiatry, 8 (2), 47-51 DOI: 10.1016/j.mppsy.2008.10.019

Freud, S. Luto e Melancolia (1017). Disponível na íntegra em http://www.scribd.com/doc/16372739/LUTO-E-MELANCOLIA-FREUD

Haque, A. (2004). Psychology from Islamic Perspective: Contributions of Early Muslim Scholars and Challenges to Contemporary Muslim Psychologists Journal of Religion and Health, 43 (4), 357-377 DOI: 10.1007/s10943-004-4302-z

José Alberto Del Porto (1999). Conceito e diagnóstico Revista Brasileira de Psiquiatria, 21 (1), 6-11 : 10.1590/S1516-44461999000500003

Radden, J. (2003). Is This Dame Melancholy?: Equating Today's Depression and Past Melancholia Philosophy, Psychiatry, & Psychology, 10 (1), 37-52 DOI: 10.1353/ppp.2003.0081

Santana, A.L. (2007). Melancolia. Disponível no Infoescola em http://www.infoescola.com/psicologia/melancolia/

Wikipedia. History of depression. http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_depression#cite_note-Radden2003-2

Notícias em psiquiatria

Do clipping da ABP

Depressão gestacional pode ter relação com comportamento violento dos filhos
Crianças cujas mães sofreram de depressão durante a gravidez são mais propensas a desenvolver comportamentos antissociais, incluindo mais casos de violência na vida adulta
Veículo: Uol
Seção: O que eu tenho?
Data: 21/02/2010

Déficit de atenção ainda é problema subestimado
As vendas de metilfenidato - medicamento indicado para o tratamento TDAH – saltaram quase 80% entre 2004 e 2008, segundo a Anvisa
Veículo: Veja On-line
Seção: Saúde - Notícia
Data: 19/02/2010

Transexualismo é retirado de lista de doenças mentais na França
O transexualismo não é mais considerado uma doença mental na França, primeiro país no mundo que o retira da lista das patologias psiquiátricas, segundo um decreto publicado no "Diário Oficial" de quarta-feira (10)
Veículo: Folha Online
Seção: Equilíbrio e Saúde
Data: 13/02/2010

A vida com altos e baixos
Formas mais leves e crônicas de transtornos de humor, distimia e ciclotimia costumam ser confundidas com jeito de ser do paciente e demoram a ser diagnosticadas
Veículo: Folha de São Paulo
Seção: Saúde
Data: 18/02/2010

Famosos ajudam a combater estigma de doenças mentais, dizem médicos
O novo blog não pretende decifrar sintomas, nem explorar a vida privada dos artistas e sim informar e educar a população para vencer o estigma das doenças mentais.
Veículo: Bol
Seção: Ciência
Data: 18/02/2010

Entenda o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
O transtorno obsessivo-compulsivo conhecido por muitos como TOC, é um transtorno mental bastante comum, acomete aproximadamente uma em cada *40 ou 50 pessoas
Veículo: Vya Estelar Seção: TCC
Data: 19/02/2010

Fobia de dentistas: má saúde bucal pode ser reflexo de problemas familiares
Crianças e adolescentes com medo intenso de dentistas normalmente têm famílias problemáticas
Veículo: Uol
Seção: O que eu tenho?
Data: 19/02/2010

Chocólatras: é possível ser viciado em chocolate?
Os chocólatras de plantão podem confirmar: é comum correr atrás de uma barra desse doce vício quando se está em determinados estados emocionais
Veículo: Uol
Seção: O que eu tenho?
Data: 19/02/2010

Quando o sexo vira obsessão
Compulsões: Há pessoas que nunca ficam saciadas, independentemente do quanto repetem aquilo que lhes dá muito prazer. Limite entre o saudável e o doentio nem sempre é claro
Veículo: O Tempo
Seção: Interessa
Data: 21/02/2010

Quando a pessoa quer, é possível
O compulsivo sexual pode buscar satisfação em qualquer atividade que esteja relacionada ao tema sexual
Veículo: O Tempo
Seção: Interessa
Data: 21/02/2010

"Ele age com crueldade, tem prazer em ver a vítima sofrer"
Suspeito não atua por impulso, é organizado e evita deixar pistas
Veículo: O Tempo
Seção: Cidades
Data: 07/02/2010

Notícias em psiquiatria

A vida por um fio

Desde os 12 anos, Fernanda do Valle sofria de distúrbios alimentares. Aos 30, foi diagnosticada com anorexia, doença que estava tirando sua saúde. Depois de duas internações, ela resolveu escrever um livro no qual relata a saga pessoal e familiar rumo à sobrevivência

Veículo: Correio Braziliense
Seção: Saúde
Data: 19/02/2010

Bonita, jovem, bem-sucedida, carismática, extrovertida e prestes a se casar, Fernanda do Valle tinha tudo para ser considerada uma mulher feliz. Assim, pelo menos, parecia às pessoas que cercavam a turismóloga carioca. Ninguém, porém, sabia que ela guardava um segredo. Desde os 12 anos, era vítima de transtornos alimentares e, somente aos 30, recebeu o diagnóstico definitivo: Fernanda tinha anorexia(1).

A luta contra a doença teve início em março de 2008, incluiu duas internações, vigilância de enfermeiras 24 horas por dia, ganho e perda de peso, vontade de vencer, vontade de desistir, muitas sessões de terapia... e vai durar pelo resto da vida. “É como o alcoólatra, você tem de continuar o tratamento sempre”, contou Fernanda ao Correio. Na primeira vez em que ficou internada, ela resolveu escrever um diário. O texto cresceu, ganhou mais capítulos. Ela resolveu tirar o cadeado do caderninho e transformar sua história particular em um livro (leia trechos nesta página). “É uma forma de ajudar as outras pessoas a entenderem o problema. Tanto as que sofrem de anorexia quanto as pessoas próximas. Muita gente não compreende, e mesmo sabendo que é uma doença, acha que é frescura”, diz.

Fernanda deixou o trabalho no ramo de turismo para se dedicar às palestras e encaminhamentos médicos que faz — em Campinas (SP), onde mora, muita gente a procura, atrás de ajuda. “É um absurdo o Brasil ter tão pouca gente especializada. Existem médicos, mas o tratamento de transtorno alimentar exige um acompanhamento multidisciplinar. Aqui em Campinas, por exemplo, não tem”, reclama a escritora que, ontem, pouco depois da entrevista, viajou para a capital paulista, com o objetivo de encaminhar outra vítima de anorexia ao Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (Ambulim), para o qual Fernanda doou os direitos autorais do livro.

Em Eu, ele e a enfermeira... na luta contra a anorexia, da Clio Editora, ela relata a dificuldade de se sentir gorda, mesmo se sabendo magra, a incompreensão social, a importância do apoio da família. O título é uma referência à segunda internação de Fernanda, depois do casamento. Com o marido, Vicente, ela passou a ser acompanhada por duas enfermeiras que vigiavam sua conduta. Para quem pensa que a anorexia é pura frescura, o texto mostra que a doença é tão grave quanto a dependência química. Em vez de drogas, porém, a vítima se vicia na perda de peso e, dificilmente, conseguirá viver sem uma intervenção médica.

Desculpa

Desde a pré-adolescência, Fernanda sofria de distúrbios alimentares. Passou da compulsão a chocolates ao uso de laxantes, além de exagerar nos exercícios físicos. Mas foi aos 30 anos que um diagnóstico errado de hipoglicemia desencadeou a maior crise de anorexia que jamais tinha enfrentado. Depois de se consultar com um nutrólogo, ela teve de cortar todos os carboidratos, as gorduras e os doces da dieta. Na época, tinha um peso normal: 54kg para 1,64m. Seguindo a recomendação do profissional, perdeu 9kg em apenas quatro meses. Era somente o início da crise, que iria fazê-la chegar a um índice de massa corporal 15 , sendo que a recomendação da Organização Mundial de Saúde é mantê-lo entre 18,5 e 25.

Para Fernanda, a dieta prescrita pelo nutrólogo serviu como desculpa para que, inconscientemente, ela pudesse perder peso à vontade, sem sentir que, na verdade, estava doente. A cada semana, era 1kg a menos na balança. As pessoas começaram a comentar. Em uma viagem ao Chile, o noivo fez várias fotos dela, na esperança de que, ao ver os retratos, Fernanda ficasse consciente da própria magreza. “Na época, eu olhava e achava lindo. Hoje, acho horrível e penso como posso ter chegado àquele ponto. Eu parecia um ratinho de laboratório”, diz.

Preocupada ao ver a filha definhando, a mãe de Fernanda a levou numa clínica geral. Queria saber uma segunda opinião sobre a dieta da hipoglicemia. Descartando o regime do nutrólogo, a médica foi enfática: a paciente estava anoréxica, com quadros bulímicos por causa dos laxantes. Os resultados dos exames de Fernanda foram um alerta. Ela estava carente de nutrientes e, a cada cinco dias, precisava tomar soro. A internação era inevitável. Mãe de um menino que na época tinha 7 anos, Fernanda sabia que poderia morrer. Hospitalizada no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, resolveu relatar, dia a dia, seus esforços pela recuperação.

Em 28 de abril de 2008, faltando 45 dias para seu casamento, Fernanda foi internada, às 14h. Soube pelo psiquiatra que o tratamento não teria prazo para terminar. Na clínica, ela se deparou com situações ainda piores. Viu garotas alimentadas por sonda porque se recusavam a comer. O pior é que algumas delas tinham orgulho de exibir o tubo de alimentação. Era uma prova de quem “é mais anoréxica”. Mesmo na época, Fernanda achou a situação estranha. No diário, anotou: “É triste, mas isso acontece”. Uma das internas que conheceu tinha como sonho chegar a 29kg. O caderno foi testemunha dos conflitos passados pela turismóloga — desde o nojo pela comida ao medo de não conseguir se recuperar.

Retrocesso

Em pouco menos de um mês, ela recebeu alta. A história, porém, mal havia começado. Depois de voltar da lua de mel passada na Europa, Fernanda se consultou. Ela tinha perdido muito peso e estava quase igual ao dia em que se internou. Ganhou do psiquiatra mais uma chance de se cuidar sozinha — e desperdiçou. Em vez de engordar 500g por semana, como o combinado, emagrecia. Mais uma viagem surgiu e Fernanda, novamente, voltou mais magra.

O psiquiatra deu um ultimato: ou engordava, ou voltava para a clínica. Como alternativa, disse que Fernanda poderia passar pela internação domiciliar. Isso significa que a recém-casada teria de ser acompanhada 24 horas por uma equipe de enfermagem. Mesmo sabendo da necessidade de se cuidar, ela só se convenceu depois de desmaiar na rua, ao sofrer um choque.

Fernanda e o marido mudaram-se para São Paulo e alugaram um flat ao lado da clínica. Em todos os programas eram acompanhados pela enfermeira. “Coitado do meu marido. Casou-se comigo e ganhou de brinde a enfermeira”, escreveu. Além do tratamento psiquiátrico, ela fazia terapia três vezes por semana. Foram vários momentos de desespero, mas também de muito autoconhecimento. A internação foi interrompida para uma viagem do casal a Nova York, mesmo sob protestos do psiquiatra. Na volta, Fernanda, finalmente, ficou feliz ao se pesar: tinha engordado 600g.

A luta da turismóloga não acabou. Ela sabe que terá de continuar o tratamento, mas, depois de quase morrer, ver o sofrimento da família, do marido e conviver com mulheres cujo sonho de consumo era pesar menos de 30kg, Fernanda tem certeza de que venceu a batalha. “Minha visão mudou. Não abro mão de uma vida saudável e livre. Se hoje preciso ser escrava de alguma coisa, quero ser escrava da verdadeira felicidade.”

1 - Padrões de beleza

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a anorexia é uma das doenças que mais cresce entre as mulheres. Estima-se que 1% da população sofra do problema, e os padrões de beleza cada vez mais enxutos são apontados como responsáveis pelo aumento do distúrbio entre jovens. Entre os males causados pela doença, estão depressão, insuficiência renal aguda, atrofia muscular e morte



"Eu, ele e a enfermeira... na luta contra a anorexia" está a venda em várias livrarias com preço médio de R$29,00.





Foto: http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Marieclaire/foto/0,,33365909,00.jpg




10 mitos sobre saúde mental no trabalho


Quando um empregador pensa em contratar alguém que tenha transtornos mentais, ou mesmo se mantém um empregado diagnosticado com algum problema, uma série de questões passam pela sua cabeça (a maioria sem fundamento ou casos similares para se basear)

Veículo: Expresso MT
Seção: Variedades
Data: 18/02/2010

Abaixo algumas das questões mais comuns colhidas entre empresários e chefias na Inglaterra podem ajudar os patrões a se convencerem que contratar ou manter empregados com transtornos mentais não são sinônimos de problemas no ambiente de trabalho:

1. Transtornos mentais são problemas raros e que acontecem com poucas pessoas. Ninguém no meu trabalho, por exemplo, sofre com algum tipo de problema com sua saúde mental.
R.: Não tão raros: 1 em cada 5 pessoas é afetada pela depressão, ansiedade ou outro transtorno mental com algum nível clínico.

2. Pessoas com transtornos mentais severos não são capazes de trabalhar.
R.: Não necessariamente. Só porque alguém foi diagnosticado com algum tipo de transtorno, como esquizofrenia, isso não significa que ela é incapaz de trabalhar. A maioria das pessoas diagnosticadas com transtornos mentais continuam, ou voltam, a trabalhar.

3. Trabalhar piora o quadro de alguém com transtornos mentais
R.: Na verdade pode ocorrer o inverso: pessoas que deixam de trabalhar podem ter uma piora na saúde e no bem-estar.
O trabalho, em geral, é bom para a saúde e seus benefícios se estendem igualmente para pessoas com ou sem algum tipo de transtorno mental, incluindo aqueles que sofrem de transtornos severos.
Entretanto, locais de trabalho estressantes, que não promovem a saúde do funcionário, podem piorar a saúde mental de todos. Por isso é importantíssimo que os patrões façam com que o ambiente de trabalho seja um lugar agradável, proporcione conforto e seja um lugar onde os benefícios do bem-estar contribuam positivamente para o empregado.


4. Contratar alguém com transtorno mental não é viável e mesmo que ocorra não há certezas que vai dar certo trabalhar com alguém assim.
R.: Diversas pesquisas feitas na Europa dizem exatamente o inverso. A grande maioria das empresas que contrataram funcionários, mesmo sabendo que eles sofriam de algum transtorno mental, nunca se arrependeram. É o que afirma um estudo amplo da Royal College of Psychiatrists, na Inglaterra, em 2008.
Aliás, se for considerado o dado anterior de que 1 em cada 5 pessoas sofre de algum transtorno mental, é provável que a maioria das empresas já contrataram pessoas com esse tipo de problema e nem mesmo notaram qualquer diferença na produção.


5. Alguém que admita que já sofreu com algum tipo de transtorno mental com certeza ficará doente e faltará mais ao trabalho no futuro.
R.: Apesar de algumas pessoas realmente precisarem se ausentar por algum tempo para tratar de um problema relacionado à transtornos mentais, isso não é regra geral.
A maioria desses indivíduos continua a trabalhar sem nunca precisar se ausentar, e os que se ausentam retornam ao trabalho após um período pequeno.
E isso é válido inclusive para casos de esquizofrenia e depressão profunda. Mais de 70% dos casos totais de trabalhadores com transtornos mentais se recuperam completamente, de acordo com dados da Sociedade Britânica de Psicologia.
Há exceções, claro, como em toda situação que envolva saúde de uma maneira geral.

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