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Friday, 9 September 2011

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de atestado!

Friday, 19 August 2011

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Luto - o que é normal e o que não é

Monday, 1 August 2011

Luto

O luto é uma experiência estressante, mas comum. Cedo ou tarde a maioria de nós vai sofrer com a morte de alguém que amamos. Mesmo assim, no nosso dia a dia, pouco falamos ou pensamos sobre morte, talvez porque nos encontramos com a morte menos do que nossos avós, por exemplo, o faziam. Para eles, a morte de um irmão, amigo ou parente era uma experiência comum desde a infância. Para nós, as perdas acontecem geralmente no final da vida. Assim, temos poucas oportunidades de aprender sobre luto – o que é, o que é “normal”, o que se deve fazer – ou para entender como passar por ele. Apesar disso, devemos aprender que eventualmente todos poderemos finalmente estar diante da morte de alguém que amamos.

O sentimento de luto
Nós passamos por um luto após qualquer perda, mas o sentimento é muito mais poderoso após a morte de um ente querido. Não é apenas um sentimento, mas uma sucessão de sentimentos, um processo que deve levar seu tempo e não ser apressado.

Nós sofremos mais por alguém que conhecemos a algum tempo. Entretanto, sabe-se que pessoas que passaram por abortos ou morte do recém-nascido, ou que tenham perdido bebês muito novinhos sofrem da mesma forma e precisam da atenção que alguém que perdeu um companheiro de muitos anos.

Nas primeiras horas ou dias após a morte de um parente ou amigo próximo, a maioria das pessoas simplesmente se sente chocada, como se não pudesse acreditar que a morte realmente ocorreu. Muitos se sentem assim mesmo que a morte tenha sido anunciada.

Este sentimento de paralisia emocional pode ajudar em todos os afazeres e preparações após a morte, como entrar em contato com os parentes e organizar o funeral. Se este sentimento de irrealidade, entretanto, se prolonga demasiado, pode se tornar um problema. Ver o corpo do falecido pode, para alguns, ser uma forma importante de resolver esta paralisia.

Similarmente, para muitos, o funeral é uma ocasião na qual a realidade do que aconteceu finalmente os atinge. Pode ser difícil ver o corpo ou ir até o velório, mas estas são formas de dizer adeus a quem amamos. Na hora, isto pode parecer muito doloroso e você pode tentar evitar o velório e enterro. No futuro, porém, você pode se arrepender e sentir muita culpa.

Cedo esta paralisia emocional desaparece e pode ser substituída por uma sensação de agitação ou necessidade do falecido. Há uma sensação de tentar encontrá-lo, mesmo que isso seja impossível. Esta sensação faz com que seja difícil relaxar e concentrar-se e pode alterar o sono. Mesmo os sonhos podem ser bastante estressantes.

Algumas pessoas sentem-se como se “vissem” o falecido em qualquer lugar que vão – nas ruas, nas praças, perto de casa, em qualquer lugar que tenham passado tempo juntos. Muitos ficam com muita raiva neste momento – em relação aos médicos e enfermeiros que não impediram a morte, aos amigos e parentes que não fizeram o suficiente, ou mesmo em relação ao falecido, que ao morrer, os abandonou.

Outro sentiment comum é culpa. Muitos ficam repensando todas as coisas que poderiam ter feito ou dito. Podem até considerar que se tivessem feito algo diferentemente, a morte poderia ter sido impedida. É claro que a morte em geral está além de nossa capacidade de controle e uma pessoa que passa por um luto às vezes tem que ser lembrada disso. Algumas pessoas também sentem culpa se se sentem aliviadas pela morte indolor do ente querido. Esta sensação de alívio é comum e perfeitamente normal.

Este estado de agitação é mais forte nas duas semanas após a morte, mas é logo seguido por um estado de tristeza calma ou depressão, silêncio e isolamento social. Estas mudanças emocionais súbitas podem ser confusas para amigos e parentes, mas são parte do processo normal de luto.

Embora a agitação diminua, os períodos de depressão tornam-se mais frequentes e atingem um pico quatro a seis semanas depois. Espasmos de luto com choro convulsivo podem ocorrer a qualquer momento, geralmente causados por pessoas, lugares ou objetos que tragam à memória o falecido. 

Algumas pessoas podem achar difícil de entender ou sentir-se envergonhadas devido ao comportamento da pessoa em luto de chorar de repente, sem razões óbvias. Neste estágio, pode parecer tentador ficar longe de pessoas que não entendem ou não compartilham sua dor. Entretanto, evitar a compania dos outros pode causar problemas no futuro e é melhor começar a retomar suas atividades após duas semanas da perda.

Durante este tempo, pode parecer aos outros que a pessoa em luto passa muito tempo apenas sentada, sem fazer nada. Na verdade, ele\a está pensando na pessoa que perdeu, ruminando mentalmente as boas e más lembranças. Este é um processo silencioso, mas fundamental para se passar pelo processo de luto.

Conforme o tempo passa, a dor aguda do luto breve começa a desaparecer. A depressão melhora e é possível pensar em outras coisas e mesmo planejar o futuro. O sentimento de ter perdido uma parte de si mesmo, entretanto, nunca passa completamente. Para esposas ou maridos em luto, existem lembranças constantes de seu novo estado civil, ao ver outros casais e no dilúvio de imagens na mídia de casais e famílias felizes. Após algum tempo é possível sentir-se completo novamente, mesmo que tenha perdido uma parte de si.

Estes vários estágios de luto podem ocorrer ao mesmo tempo e apresentar-se de forma variada. A maioria das pessoas recupera-se de um luto importante entre um a dois anos. A fase final do luto é o processo de desapego da pessoa que morreu e o início de uma nova vida. A depressão passa completamente, o sono melhora e o nível de energia retorna ao normal. A libido, que desapareceu por algum tempo, retorna e todos estes sentimentos são normais, nada que deva causar vergonha.

Mesmo com as descrições acima, deve-se saber que não existe um jeito “certo” de sofrer um luto. Todos somos indivíduos diferentes com modos particulares de experimentar uma perda. Além disso, pessoas de diferentes culturas lidam com a morte de forma distinta. Ao longo da história, pessoas de diferentes partes do mundo criaram suas próprias cerimônias para lidar com a morte.

Crianças e adolescentes
Crianças podem não enteder o siginificado da morte até que atinjam a idade de três a quatro anos, mas elas sentem a perda de um parente próximo da mesma forma que um adulto. Hoje em dia entende-se que mesmo quando bebês, as crianças experimentam o luto e sofrem com ele. Para elas, entretanto, a experiência é bastante diferente e elas passam pelas fases do luto rapidamente.

No início da fase escolar, as crianças podem se sentir responsáveis pela morte de um parente próximo e podem necessitar de conforto. Jovens podem evitar falar de seu sofrimento, com medo de aumentar a carga emocional dos adultos. O luto de crianças e adolescentes e sua necessidade de processá-lo não deve ser ignorado quando um familiar morre. Sempre que possível incluá-los nos afazeres do velório e funeral. 
Luto após um suicídio
Pode ser particularmente difícil lidar com a morte por suicídio de alguém que você conheça. Você pode se sentir:
  • Com raiva da pessoa por ter tirade sua própria vida
  • Rejeitado pelo suicídio
  • Confuso pelas razões do suicídio
  • Culpado – a maioria das pessoas se mata em um ato de desespero. Como não notou que eles estavam a se sentir assim?
  • Culpado por não ter conseguido impedir sua morte. Você pode ruminar mentalmente as diversas vezes que passou tempo com a pessoa e perguntar-se se não havia modo de impedí-lo\a
  • Preocupado se a pessoa sofreu antes de morrer
  • Feliz por saber que ele\a não sofre mais
  • Aliviado por saber que não terá mais que ajudá-lo\a a lidar com seus pensamentos e impulsos suicidas
  • Envergonhado pelo suicídio, particularmente se sua cultura ou religião vê o ato como pecaminoso ou embaraço público
  • Relutante em falar com outras pessoas porque
    • O estigma é muito forte na sua cultura
    • Você sente que as outras pessoas estão mais interessadas no drama da situação do que nos seus sentimentos
  • Preocupado pelo fato de apresentar pensamentos suicidas seus
  • Isolado – ajuda falar com outras pessoas que também tenham perdido um ente querido por suicídio

Como amigos e parentes podem ajudar
  • Passe tempo com a pessoa em luto. Mais do que palavras de conforto, eles precisam saber que você estará com eles durante este período doloroso. Um braço amigo exprime mais sobre carinho e ajuda do que palavras jamais poderiam.
  • É importante que pessoas em luto possam chorar e falar sobre seus sentimentos com alguém que não fique o tempo todo tentando acalmá-los. Com tempo o luto passa, mas neste momento eles precisam chorar e falar sobre a morte.
  • Muitos acham difícil entender porque as pessoas em luto falam sobre as mesmas coisas o tempo todo, mas isto faz parte do processo de resolução e deve ser encorajado. Se não sabe o que dizer e se pode ou não falar sobre o assunto, seja honesto e diga isso francamente. Isto dá chance a pessoa que sofreu uma perda de falar o que quer. Muitas pessoas evitam mencionar o nome do falecido\a para não causar mais choro. Para a pessoa em luto, entretanto, parece que os outros esquecem sua perda, e aumenta a sensação de isolamento e perda.
  • Lembre-se que ocasiões festivas e aniversários (de morte, casamento, nascimento) são particularmente dolorosas. Amigos e familiares devem esforçar-se em estar por perto nestas épocas.
  • Ajudar nas tarefas do dia a dia como limpeza, comprar e cuidar de crianças diminui a carga de se estar sozinho. Idosos em luto pela perda do cônjuge podem precisar de ajuda nas atividades do dia a dia que costumavam ser feitas pelo falecido\a – pagar contas, cozinhar, limpar a casa, arrumar o carro, etc.
  • Dê tempo para que as pessoas passem pelo luto. Algumas pessoas passam por isto rapidamente. Outras precisam de mais tempo. Não espere demasiado de alguém que perdeu um familiar ou amigo recentemente. 
Luto mal resolvido
Algumas pessoas parecem não sofrer a perda. Elas nem mesmo choram no funeral, evitam mencionar sua perda e voltam à vida normal rapidamente. Para alguns isto é normal, mas outros passam a sofrer de sintomas físicos ou episódios depressivos nos próximos anos. Outros podem não ter tido oportunidade de resolver o processo de luto adequadamente. As pesadas demandas da vida, de cuidar de uma família ou negócios podem ter ditado que não havia tempo suficiente.

Algumas pessoas começam o processo de luto, mas ficam “presas” a uma fase. A sensação inicial de choque continua sem resolução. Podem se passar anos e o indivíduo ainda acha difícil acreditar que seu ente querido morreu. Outras continuam a vida incapazes de pensar em qualquer outra coisa: mantem o quarto do falecido como um altar à sua memória. 

Ocasionalmente, a depressão que ocorre com o luto pode se exacerbar a ponto de a pessoa recusar comer ou beber e apresentar pensamentos suicidas.

Como seu medico pode ajudá-lo\a
  • Noites insones podem às vezes, persistir e se tornar um sério problema. O médico pode prescrever medicamentos para ajudá-lo a dormir
  • Se a depressão continua a piorar, alterando o apetite, energia e sono, antidepressivos podem ser indicados.
  • Se o luto não se resolve, deve-se procurar ajuda de um profissional de saúde mental. Para alguns, encontrar-se com um terapeuta a sós ou em grupo, no qual outras pessoas passaram por experiências semelhantes, ajuda na solução do quadro.
  • Lembre-se: O luto é uma das experiências mais dolorosas pelas quais podemos passar. Pode ser estranho, terrível e estressante, mas é uma fase da vida pela qual quase todos passamos e não requer avaliação médica por si só.
Referências
Hawton K and Simkin S (2003) Helping people bereaved by suicide. BMJ;327:177-178.

Dependência emocional e codependência

Friday, 3 June 2011

Dependência é normal para crianças e esperada em pessoas doentes. Não é saudável em adultos!

Você consegue reconhecer dependência? Pessoas dependentes geralmente tendem a fugir de responsabilidades, reclamam constantemente, culpam os outros e mentem para evitar as consequências de seus atos. Pessoas dependentes não desenvolvem as qualidades e habilidades essenciais para suportar uma vida adulta saudável. Eles manipulam ou demandam dos outros que façam o que não conseguem fazer por si mesmos. 

Você é dependente?

Se você define amor como um comportamento que satisfaz suas necessidades é provável que sim. Desta forma, suas expressões de amor exigem que outros ajam nas suas necessidades, de forma exigente. Se você é um dependente emocional você acredita que sua segurança emocional e seu valor (autoestima) requer a presença constante e reconfortante de outra pessoa. 

Você se preocupa intensamente com outra pessoa? Você precisa estar perto daquela pessoa? Você se sente perdido quando não não consegue estar perto? Você precisa do amor exclusivo e absoluto de alguém e só procura sua compania? Você vê os amigos e familiares desta pessoa como competição? Você é ciumento? Você só consegue se decidir ou agir se a pessoa em questão aprovar?

O que vamos discutir aqui não é a dependência infantil, normal como dito acima, ou a dependência dos doentes ou dos idosos. Neste post discutiremos a dependencia emocional vista em adultos, especialmente nos relacionamentos amorosos. Mas lembre-se: relacionamentos codependentes podem acontecer no seio da família, no ambiente de trabalho, entre amigos, etc...

Abaixo há uma pequena lista de características de Amor versus Amor Tóxico ou dependente (resumida do livro de M. Beattie & T. Gorski):

  1. Amor - desenvolvimento do self (identidade) é a prioridade
  2. Amor Tóxico - obsessão com o relacionamento
  3. Amor - espaço para crescer, expandir, desejo que o outro cresça também
  4. Amor tóxico - Segurança, conforto na mesmisse; intensidade da necessidade do outro visto como prova de amor (enquanto que na verdade pode ser apenas medo, insegurança, solidão)
  5. Amor - Interesses separados: outros amigos, mantém relacionamentos significativos com outros
  6. Amor tóxico - envolvimento total, vida social limitada, negligencia velhos amigos e interesses
  7. Amor - encoraja um ao outro a expandir, há segurança em seu próprio valor
  8. Amor tóxico - preocupação com o comportamento do outro, medo da mudança
  9. Amor - confiança apropriada (confia no parceiro e em como ele age)
  10. Amor tóxico - ciúmes, possessividade, medo de competição, protege a "demanda"
  11. Amor - compromisso, negociação, tomam a liderança em turnos. Resolvem problemas juntos
  12. Amor tóxico - brigas pelo poder, culpam o outro, manipulação passivo-agressiva
  13. Amor - acolhem a individualidade do outro
  14. Amor tóxico - tenta mudar o outro para que se pareça com sua própria imagem
  15. Amor - O relacionamento é focado na realidade
  16. Amor tóxico - relacionamento baseado na fantasia e no evitamento do desprazer
  17. Amor - Os parceiros cuidam de si mesmo, o estado emocional não depende do humor do outro
  18. Amor tóxico - expectativa de que o parceiro o curará e o resgatará
  19. Amor - Desligamento amoroso (preocupação saudável com o parceiro, enquanto o permite ser individual)
  20. Amor tóxico - fusão (obcecado com os sentimentos e problemas do parceiro)
  21. Amor - o sexo é de livre escolha para demonstrar crescimento, carinho e amizade
  22. Amor tóxico - pressão sobre a área sexual devido a insegurança, medo e necessidade de gratificação imediata
  23. Amor - habilidade para gostar de estar sozinho
  24. Amor tóxico - incapaz de suportar separação, pessoa grudenta
  25. Amor - ciclos de conforto e contentamento
  26. Amor tóxico - cliclos de dor e desespero
Analise as mensagens sobre relacionamentos com as quais você é bombardeado diariamente: relacionamentos na TV, nas novelas, nos filmes. Preste atenção crítica a letras de músicas e canções de amor. Nós diariamente somos bombardeados com modelos de dependência emocional!

Afinal, o que é codependência ou dependência emocional?
 
A codependência ou dependência emocional é uma tendência de se comportar passivamente em excesso, que leva a impacto negativo nos relacionamentos e na qualidade de vida de um indivíduo. É geralmente vista como colocando as necessidades do indivíduo abaixo das necessidades dos outros e ficar preocupado em excesso com outros.
Historicamente o conceito foi retirado dos Alcoólicos Anônimos (AA), que mostrava que o problema não era só do dependente químico, mas também dos amigos e familiares que constituem a rede social do alcoolista (já escrevi um post sobre isso aqui).
 
Características da codependência
 
Na codependência os comportamentos, pensamentos e sentimentos vão além do que é normal para cuidados e auto-sacrifício. Numa relação parental, por exemplo, a mãe pode passar a sacrificar toda sua vida e relacionamento com pai (inclusive sexual) em prol de cuidar 100% do tempo da criança. Isso é ruim para a criança também. Em geral, um pai que cuida de si primeiro de forma saudável será um melhor cuidador do que um pai codependente que pode até mesmo causar danos aos filhos.
 
Os Co-dependentes Anônimos oferences os seguintes padrões e características como ferramenta para auxiliá-lo em uma autoavaliação:
 
 
Padrões de Negação:
  • Tenho dificuldade em identificar o que sinto.
  • Eu minimizo,altero ou nego como realmente me sinto.
  • Percebo a mim mesmo como completamente sem egoísmo e dedicado ao bem estar dos outros.
  • Falta-me empatia pelos sentimentos e necessidades de outros.
  • Eu rotulo outros com meus traços negativos.
  • Cuido de mim mesmo sem qualquer ajuda de outros.
  • Mascaro minha dor de várias formas como raiva, depressão e isolamento.
  • Eu expresso negatividade ou agressão de forma indireta e passiva.
  • Não reconheço que outros pelos quais me sinto atraído possam não estar disponíveis.
Padrões de baixa autoestima:
  • Tenho dificuldades em tomar decisões.
  • Julgo tudo o que penso ou digo duramente, como se nunca fosse bom o suficiente.
  • Fico envergonhado ao receber reconhecimentos, elogios ou presentes.
  • Nunca peço aos outros que reconheçam meus desejos ou necessidades.
  • Valorizo mais a opinião dos outros do que a minha sobre o que penso, sinto e como ajo.
  • Não me vejo como alguém que mereça amor ou atenção.
  • Constantmente busco reconhecimento que acho que mereça.
  • Tenho dificuldades em admitir que errei.
  • Tenho que parecer correto aos olhos dos outros e até minto para que parecer melhor.
  • Acho-me superior aos outros.
  • Preciso de outros para me sentir seguro.
  • Tenho dificuldades em começar atividades, completar prazos e projetos.
  • Tenho dificuldades em estabelecer prioridades mais saudáveis.
Padrões de evitamento:
  • Ajo de forma convidativa a outros para me rejeitar.
  • Julfo duramente o que os outros pensam, sentem, falam e fazem.
  • Evito intimidade emocional, física ou sexual como forma de me distanciar.
  • Permito que minhas dependências a pessoas, lugares e coisas me distraiam de atingir real intimidade nos relacionamentos.
  • Uso comunicação indireta e evasiva para evitar conlitos ou confrontações.
  • Atraio as pessoas, mas quando elas estão próximas, eu as evito.
  • Acredito que demostrações de emoção são sinais de fraqueza.
Padrões de cumplicidade:
 Eu comprometo meus próprios valores e integridade para evitar rejeição por parte de outros.
  • Eu sou muito sensível a como os outros se sentem e sinto o mesmo.
  • Sou extremamente leal, permanecendo em situações danosas por muito tempo.
  • Eu valorizo mais a opinião dos outros do que a minha própria e tenho medo de expressar opiniões e sentimentos diferentes.
  • Deixo de lado meus próprios interesses e hobbies para fazer o que os outros querem.
  • Aceito sexo ou atenção sexual quando procuro amor.
  • Tenho medo de expressar minhas opiniões e crenças quando diferentes do que os outros pensam.
  • Tomo decisões sem pensar nas consequências.
Padrões de controle:
  • Acredito que a maioria das pessoas é incapaz de cuidar de si mesmas.
  • Tento convenceros outros sobre o que "deveriam" sentir ou pensar.
  • Fico ressentido quando outros não me deixam ajudá-los.
  • Ofereço conselhos abertamente, sem ter sido convidado a isso.
  • Gasto com presentes luxuosos e favores naqueles que me são importantes.
  • Utilizo o sexo para ganhar aprovação e aceitação dos outros.
  • Necessito que "precisem" de mim para me relacionar com outros.
  • Exijo que minhas necessidades sejam acolhidas pelos outros.
  • Uso meu charme e carisma para convencer os outros de minha capacidade de compaixão e cuidado.
  • Uso culpa e vergonha para explorar emocionalmente os outros.
  • Recuso-me a cooperar, comprometer ou negociar.
  • Adoto uma atitude de indiferença, desesperança, autoridade ou raiva para manipular resultados.
  • Finjo concordar com outros para conseguir o que quero.

 

Recuperação

Existem várias formas de tratamento da dependência emocional. Muitos optam por psicoterapia e algumas pessoas usam medicamentos psiquiátricos quando o quadro é associado à depressão.
Um dos principais aspectos da intervenção familiar, feita na psicoterapia, é a identificação de padrões de codependência na família. Também existem diversos livros de autoajuda no mercado que lidam com a dependência emocional.

Qual o problema da dependência emocional a longo prazo?

Padrões mal resolvidos de codependência podem levar a problemas como alcoolismo, dependência química, transtornos alimentares, dependência sexual e outros comportamentos autodestrutivos.Pessoas com padrões de dependência tem maior probabilidade de serem abusadas por indivíduos agressivos (bullying), de ficar em empregos insatisfatórios e estressantes, e de permanecer em relacionamentos abusivos. Além disso, estas pessoas procuram menos ajuda médica quando necessária, são preteridas nas promoções no trabalho e ganham menos quando comparadas a outros indivíduos.

Referências

  • "Cluster C Personality Disorders," in: Diagnostical and Statistical Manual of Mental Disorders DSM-IV, Washington: American Psychiatric Association, 4th ed. 1994, ISBN 0-89042-062-9, 662-673.
  • "Codependence," in: Benjamin J. Sadock & Virginia A. Sadock (eds), Kaplan & Sadock's Comprehensive Textbook of Psychiatry on CD, Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 7th ed. 2000, ISBN 0-7817-2141-5, 20703-20707.
  • Anonymous Co-Dependents Anonymous, Phoenix: Co-Dependents Anonymous, 1st ed. 1999, ISBN 0-9647105-0-1, 3-6.
  • M Beattie. Beyond Codependency
  • T Gorski. Getting Love Right
  • Wikipedia - Codependency
Foto: http://sasstrology.com/2010/07/codependency-neptune-and-the-tangle-of-human-relationships.html
http://www.gizmodiva.com/fashion/codependency_suit_to_make_couples_feel_stifled.php

Oxi, uma nova e devastadora droga se espalha pelo país

Thursday, 19 May 2011

Da revista Veja, disponível neste link

Desde a década de 1980, distante dos grandes centros brasileiros, o estado do Acre convive com a destruição produzida pelo oxi, uma mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem mais devastadora do que o temível crack. A droga, vendida no formato de pedra, ao valor médio de 2 reais a unidade, vem se popularizando na região Norte e, agora, espalha sua chaga pelas cidades do Centro-Oeste e Sudeste. "Ela já chegou ao Piauí, à Paraíba, ao Maranhão, a Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro", diz Álvaro Mendes, vice-presidente da Associação Brasileira de Redução de Danos. Uma amostra da penetração da droga em São Paulo pôde ser vista na última quinta-feira, quando a Polícia deteve, na capital, um casal que carregava uma pedra de meio quilo de oxi.
Ao menos duas característias da droga ajudam a explicar por que ela se espalha pelo país. A primeira é seu potencial alucinógeno. Assim como o crack, o oxi pode estimular em um usuário o dobro da euforia provocada pela cocaína. A segunda razão é seu preço. "O crack não é uma droga cara, mas o oxi é ainda mais barato", diz Philip Ribeiro, especialista em dependência química do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). "Quando surge uma droga mais poderosa, mais barata e fácil de produzir, a tendência é que ela se dissemine", diz Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Univesidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Isso ocorre especialmente porque não se criou no Brasil até agora um sistema eficaz de tratamento de dependentes."
O lado mais assustador do oxi talvez seja a carência de dados sobre seu alcance no território brasileiro. Quem se debruça sobre o assunto, avalia que a droga atinge todas as classes sociais. "Não há um perfil estabelecido de usuário: ela é usado tanto pelos estratos mais pobres quanto pelos mais ricos da população", diz Ana Cecília Marques, psiquiatra da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Abead).
Também faltam estudos científicos sobre sua ação sobre o ser humano. Por ora, sabe-se que, por causa da composição mais "suja", formada por elementos químicos agressivos, ela afeta o organismo mais rapidamente. A única pesquisa conhecida sobre a droga – conduzida por Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos, em parceria com o Ministério da Saúde – acompanhou cem pacientes que fumavam oxi. E chegou a uma terrível constatação: a droga matou um terço dos usuários no prazo de um ano.
Além, é claro, do risco de óbito no longo prazo, seu uso contínuo provoca reações intensas. São comuns vômito e diarreia, aparecimento de lesões precoces no sistema nervoso central e degeneração das funções hepáticas. "Solventes na composição da droga podem aumentar seu potencial cancerígeno", explica Ivan Mario Braun, psiquiatra e autor do livro Drogas: Perguntas e Respostas.
Por último, mas não menos importante, uma particularidade do oxi assusta os profissionais de saúde: a "fórmula" da droga varia de acordo com "receitas caseiras" de usuários. É possível, por exemplo, encontrar a presença de ingredientes como cimento, acetona, ácido sulfúrico, amônia e soda cáustica - muitos dos itens podem ser facilmente encontrados em lojas de material de construção. A variedade amplia os riscos à saúde e dificulta o tratamento.

Dia Internacional dos Enfermeiros

Thursday, 12 May 2011

Todos os anos, em 12 de maio, enfermeiros ao redor do mundo celebram a enfermagem. Poucos podem dizer que nunca foram tocados pelas mãos dedicadas e trabalhadoras de enfermeiros em nosso país. Este é um dia para que enfermeiros ao redor do mundo celebrem sua profissão e se unam em orgulho de sua importância na saúde da população.

Posted by Vanessa Marsden at 07:03 0 comments  

Dia das mães

Monday, 9 May 2011

Posted by Vanessa Marsden at 12:23 0 comments  

Como uma criança responde à morte? - o luto dos pequeninos

Monday, 2 May 2011


Uma morte na família afeta a todos. Crianças, em particular, precisam aprender sobre isso, mesmo que seja um momento difícil para toda a família. Como elas vão reagir depende de diversos fatores, como por exemplo:

Quão próxima era a pessoa que faleceu da criança.

Se a morte era esperada.

A idade da criança e sua capacidade de entendimento.

Bebês podem sentir a perda mais porque afeta sua rotina diária e quem cuida deles. Eles são muito sensitivos aos sentimentos de infelicidade à sua volta e podem ficar ansiosos, agitados e necessitar de mais atenção. Pré-escolares geralmente encaram a morte como temporária e reversível – uma crença reforçada pelos desenhos animandos, nos quais as personagens “morrem” e “voltam a viver”.

Crianças a partir de 5 anos de idade são capazes de entender fatos básicos sobre a morte:
Ela acontece a todas as coisas vivas
Tem uma causa
Envolve separação permanente

Elas também entendem que os mortos não precisam comer ou beber e não vêem, ouvem, falam ou sentem. Adolescentes são capazes de entender a morte da mesma maneira que adultos e são muito conscientes dos sentimentos dos outros.

A maioria das crianças fica com raiva e preocupada, assim como triste, quando alguém morre. Raiva é uma reação natural à perda de alguém essencial para a sensação de estabilidade e segurança da criança. Uma criança pode demostrar esta raiva em brincadeiras violentas, ficando irritável ou tendo pesadelos. Ansiedade aparece através de fala e comportamento infantilizado e necessitando comida, conforto e abraços.

Crianças mais jovens acreditam que elas causam o que acontece à sua volta. Elas podem se preocupar de ter causado a morte por terem sido levadas. Adolescentes tem dificuldades em colocar seus sentimentos em palavras e podem evitar mostrar o que sentem, por medo de deixar outros tristes.


As circunstâncias da morte também tem um impacto sobre a criança. Cada família responde de forma particular à morte. Religião e cultura tem importante influência em como isso ocorre. Outros fatores que podem influenciar a criança:

  • Quão traumática foi a morte – é mais difícil lidar com uma morte traumática
  • Se a morte foi súbita ou esperada, um alívio do sofrimento ou um golpe
  • O efeito do luto nos membros da família, especialmente se eles não conseguem lidar com ele e não provêm os cuidados necessários à criança
  • Quanta ajuda é disponibilizada à família, para ajudá-los neste momento.

Ajudando uma criança a lidar com a morte


Ter consciência de como uma criança normalmente responde à morte facilita a ajuda por parte de um adulto, além de facilitar a identificação de problemas com os quais a criança tenha dificuldade em lidar.

Estágios iniciais

Os adultos às vezes tentam proteger as crianças da dor e não contam o que aconteceu. A experiência demonstra que há benefícios em a criança conhecer a verdade desde o início. Pode ser que queiram ver o familiar falecido. Quanto mais próxima a relação entre eles, mais importante isto é. Os adultos podem ajudar as crianças a lidar com a morte ao ouvir suas experiências sobre morte, respondendo seus questionamentos e dando-lhes segurança. As crianças geralmente se preocupam que serão abandonadas por aqueles que amam ou tem medo de que serão culpabilizadas pela morte. Se são permitidas discutir isso e se expressar através de brincadeiras, conseguem lidar melhor com a morte e ter menos problemas emocionais na vida.

Crianças pequenas geralmente tem dificuldade em lembrar de uma pessoa morta, sem antes serem lembradas dela. Pode ser muito difícil não ter estas memórias. Uma fotografia traz grande conforto e pode ajudar incluir as crianças em atividades familiares, como ir ao velório e enterro. Deve-se pensar em como preparar e acolher a criança nestas circunstâncias. Uma criança amedrontada sobre o velório nunca deve ser forçada a ir. Mesmo assim é muito importante encontrar uma forma que as permita dizer adeus. Por exemplo, elas podem acender uma vela, dizer uma prece ou visitar o túmulo. 
Estágios avançados

Quando a criança tenha aceitado a morte, é provável que exiba sentimentos de tristeza, raiva e ansiedade esporadicamente, por longos períodos, e geralmente em momentos inesperados. Os familiares devem passar o máximo de tempo possível com a criança, deixando claro que ela pode demonstrar seus sentimentos abertamente, sem medo de incomodar os outros. Ás vezes a criança pode “esquecer” que o familiar morreu ou persistir na crença de que ele ainda vive. Isto é normal nas primeiras semanas após a morte, mas pode causar problemas se persisitir.

Sinais de alerta de que a criança não consegue processar o luto:

  • Um periodo longo de depressão, com perda de interesse em atividades e eventos diários
  • Dificuldades para dormir, perda do apetite ou medo prolongado de ficar sozinha
  • Agir como uma criança mais nova por muito tempo
  • Negar que o familiar tenha morrido
  • Imitar a pessoa morta o tempo todo
  • Falar repetidamente sobre se juntar à pessoa morta
  • Isolar-se dos amigos
  • Queda súbita e importante da performance escolar ou recusar-se a ir à escola

Estes sinais de alerta indicam que ajuda profissional deve ser procurada. Um terapeuta ou psiquiatra especialista em crianças e adolescentes pode ajudar a criança a aceitar a morte e auxiliar os familiares a encontrar maneiras de ajudar a criança através do processo de luto.

Referências

  • Carr, A. (ed.) (2000) 'What Works with Children and Adolescents?' - A Critical Review of Psychological Interventions with Children, Adolescents and their Families. London: Brunner-Routledge
  • Rutter, M. & Taylor, E. (eds) (2002) 'Child and Adolescent Psychiatry' (4th edn). London: Blackwell.
  • Scott, A., Shaw, M. & Joughin, C. (eds) (2001) 'Finding the Evidence' - A Gateway to the Literature in Child and Adolescent Mental Health (2nd edn). London: Gaskell.

Paralisação Nacional dos Médicos - 7 de abril

Tuesday, 5 April 2011

No próximo dia 7 de abril, quinta-feira, acontece o Dia Nacional de Paralisação do Atendimento aos Planos de Saúde. A mobilização foi definida pelas entidades médicas nacionais (Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina e Federação Nacional dos Médicos), em plenária realizada em São Paulo, com a participação de inúmeras entidades, conselhos, sindicatos, associações e sociedades de especialidades.

São três diretrizes nacionais do movimento: organizar a luta por reajustes de honorários, tendo como balizador os valores da CBHPM/ Sexta Edição; exigir a regularização dos contratos entre operadoras e médicos, conforme a Resolução ANS Nº 71 / 2004; e promover ações no Congresso Nacional, visando a aprovação de projetos de lei que contemplem a relação entre médicos e planos de saúde.

As entidades médicas encaminharam cartas à população, aos médicos e às entidades. Abaixo você pode ter acesso aos documentos.

As entidades sugerem que as Comissões Estaduais, compostas pelas Associações Médicas, Conselhos Regionais de Medicina, Sindicatos Médicos e Sociedades Estaduais de Especialidades concluam, até o final de março, uma avaliação da situação econômica com levantamento dos valores pagos pelos planos de saúde que atuam no estado.
À população, as entidades explicam que a paralisação trata-se de um ato em defesa da saúde suplementar, da prática segura e eficaz da medicina e, especialmente, por mais qualidade na assistência prestada aos cidadãos. O objetivo é protestar contra a forma desrespeitosa com que os médicos e os pacientes são tratados pelas empresas que atuam no setor.

Aos médicos, as entidades médicas pedem a suspensão, no dia 7 de abril, no consultório e em outros estabelecimentos, de todas as consultas e procedimentos eletivos de pacientes conveniados a planos e seguros de saúde, com agendamento para data oportuna.

Fonte: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21365:paralisacao-nacional-dos-medicos-7-de-abril&catid=3

Foto: http://www.visualphotos.com/image/2x3539029/doctors_crossed_arms

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Every breath you take - Sting & The Police - dependências comportamentais

Wednesday, 9 March 2011

Continuando os posts sobre dependências comportamentais, resolvi ilustrá-los com o clássico "Every Breath You Take" de Sting e The Police.
Vale lembrar que dependências podem aparecer de todas as formas, químicas, comportamentais, emocionais, como ilustrada pela música. Quando Sting canta esta música, na letra vê-se bem que é alguem bastante dependente e obcecado pela pessoa a quem ela é dirigida.



Every Breath You Take
Sting & The Police

Every breath you take
Every move you make
Every bond you break
Every step you take
I'll be watching you

Every single day
Every word you say
Every game you play
Every night you stay
I'll be watching you

O can't you see
You belong to me
How my poor heart aches with every step you take

Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every claim you stake
I'll be watching you

Since you've gone I been lost without a trace
I dream at night I can only see your face
I look around but it's you I can't replace
I feel so cold and I long for your embrace
I keep crying baby, baby please

Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every claim you stake
I'll be watching you

TRADUÇÃO

Toda vez que você respirar
Todo lugar que você for
Todos os laços que você partir
Cada passo que você der
Estarei te vigiando


Todos os dias
Cada palavra que disser
Todos os jogos que fizer
Todas as noites que ficar em casa
Estarei te vigiando

Porque você não vê
Você me pertence
Meu pobre coração dói com cada passo que você dá

Todo lugar que for
Todos os votos que você quebrar
Todos os sorrisos que você fingir
Todas as afirmações que fizer
Estarei te vigiando

Desde que você partiu fiquei completamente perdido
Eu sonho à noite e tudo que vejo é seu rosto
Eu olho em volta, mas é você que não posso repor
Eu me sinto tão frio e ansioso por seu abraço
Eu fico chorando, baby, baby, por favor...
Todos os lugares que você for
Todos os votos que você quebrar
Todos os sorrisos que você fingir
Todas as afirmações que você fizer
Estarei te vigiando

Posted by Vanessa Marsden at 11:40 2 comments  

Dependências comportamentais - vivendo em excessos

Friday, 4 March 2011

Dependência comportamental, também conhecida como dependência não-química é definido como uma condição de impulsos recorrentes na qual a pessoa afetada engaja-se em atividades específicas apesar de consequências danosas à sua saúde física, mental ou social. Entre os comportamentos comumente associados à este tipo de dependência destacam-se a compulsão por jogos de azar, por sexo, pornografia, computadores, video games, internet, trabalho (workaholics), exercícios físicos (vigorexia), compras (oniomania), entre outros.

Tradicionalmente o termo "dependência" tem sido utilizado para descrever a dependência de substâncias, como álcool ou drogas. Recentemente o termo passou a designar também os comportamentos por distúrbios dos impulsos, com alguma controvérsia.

Em geral as dependências comportamentais seguem o mesmo padrão cíclico do uso de substâncias, que começa com a sensação de prazer associado ao comportamento em questão, busca do comportamento (inicialmente para sentir prazer, posteriormente para lidar com o estresse), e aumento da frequência de busca do comportamento: esta busca se torna frequente, ritualizada e passa a constituir parte significativa da vida diária do indivíduo afetado. Um indivíduo com dependências comportamentais passa a experimentar desejos importantes ou urgências para buscar o comportamento, que se intensificam sobremaneira até que o comportamento seja executado, o que causa sentimentos de alívio ou exaltação. Apesar das consequências negativas do comportamento para sua vida, a pessoa afetada insiste no mesmo, com dificuldades para resitir a ele.

Os efeitos nos relacionamentos da pessoa afetada são semelhantes aos de um usuário de drogas: mentiras, negação, perda de confiança, divórcios, etc.
 
Nos próximos posts, vamos definir uma a uma as dependências mais comuns, assim como abordar suas dimensões diagnósticas e tratamento:
 
  1. Jogo patológico
  2. Compras compulsivas (oniomania)
  3. Dependência da tv
  4. Dependências sexuais
  5. Dependência do trabalho (workaholics)
  6. Dependência de exercícios físicos (vigorexia)
  7. Dependência de computadores e internet
  8. outras dependências
Foto: http://www.spiritualriver.com/how-substance-addictions-differ-from-behavioral-addiction/

Posted by Vanessa Marsden at 09:24 1 comments  

Bate na madeira - curta sobre transtorno obsessivo compulsivo

Tuesday, 22 February 2011

Baseado em temas retirados de entrevistas com pacientes, "Touch Wood" (Bate na madeira) é um curta sobre a naturesa do Transtorno obsessivo compulsivo. O curta mostra um homem a se preparar para dormir, à noite. Ao invés de adormecer, ele passa horas conferindo luzes, portas e relógios, preparando obsessivamente a casa para a noite.

Posted by Vanessa Marsden at 03:54 2 comments  

O casamento de Rachel - toxicodependência e cinema

Sunday, 20 February 2011

Toda doença tem seu ganho secundário, isto é fato. O meu ganho secundário preferido ao ficar de cama é poder colocar em dia os filmes que assisto. Como semana passada fiquei em casa com dengue, deu para assistir um filme que há muito constava na minha lista: "O casamento de Rachel ou Rachel Getting Married".


O filme em questão, dirigido por Jonathan Demme e com Anne Hathaway e Debra Winger (grata surpresa), tem um aspecto de mockumentary, ou pretende ser um documentário fictício. Rachel é a irmã mais velha de Kym, uma usuária de drogas, e está para se casar. Devido ao fato, Kym pôde sair da clínica de recuperação para passar este fim de semana especial com a família. O filme, além de tentar ser "realidade", tem um ar experimental e sua grande força está na exploração dos sentimentos dos membros da família em relação ao retorno de Kym. Ela os magooou e mentiu a todos e é difícil voltarem a confiar nela. Além disso, Kym sente-se desconfortável no seu rótulo de "a de fora" e "difícil". Kym também sente muita culpa pelos traumas profundos que causou a todos, mas não vou me aprofundar nisto para não estragar a história.

O casamento de Rachel é sem dúvida um dos melhores filmes e representações que já assisti sobre os efeitos da toxicodependência nos membros da família. O filme tem um visual e uma história mais leve que os seus semelhantes e traz uma nota de esperança no final. Desta forma, fica aqui a recomendação para quem não assistiu ainda.

Foto: http://www.impawards.com/2008/rachel_getting_married.html

Oniomania - transtorno do comprar compulsivo

Friday, 18 February 2011

Oniomania (do grego onios, à venda, e mania, insanidade) é o termo técnico para o desejo compulsivo de comprar, mais comumente conhecido como síndrome do comprar compulsivo. O termo foi inicialmente utilizado por Kraepelin em 1915 e Bleuler em 1924. Embora tenha sido descrita há mais de cem anos, só nos últimos 15 anos a doença voltou a ser estudada, o que faz com que seja virtualmente desconhecida nas discussões sobre saúde mental. No entanto, o quadro parece estar a aumentar globalmente já que o terreno para seu desenvolvimento é fertil no mundo moderno, com o advento de catálogos de compras pelos correios, canais de televisão dedicados a vendas e compras pela internet.

Maria Antonieta

Várias figuras históricas apresentaram episódios de compras em excesso. A rainha francesa Maria Antonieta era conhecida e odiada por seus excessos. Na mesma lista figuram nomes como Jackeline Kennedy Onassis, Imelda Marcos e a Princesa Diana. Segundo seus biógrafos, os episódios de compras desregularadas custaram-lhes dinheiro, problemas pessoais e, no caso de Maria Antonieta, a própria vida. Se de fato estas figuras apresentavam oniomania é motivo de especulações. Como o transtorno propriamente dito ainda nem mesmo figura nos sistemas de classificação em psiquiatria (CID-10 e DSM-V-TR), não há uma uniformidade de critérios e nomes para definí-lo de forma adequada. Neste momento pessoas com compulsão por compras são enquadradas em "outros transtornos dos impulsos" e ainda há muita discussão se a oniomania é de fato um transtorno psiquiátrico em si ou um construto destes tempos modernos de materialismo e consumismo. Mesmo entre o que acreditam que sua classificação está por vir no DSM-V, debate-se se é um transtorno que assemelha-se às dependências químicas, se faria parte do espectro obsessivo-compulsivo ou se é mais classificado em dependências comportamentais. Todas estas especulações tornam difícil seu diagnóstico, mas alguns critérios foram sugeridos na literatura científica (McElroy et al., 1994):

Jackeline Kennedy Onassis

1. Preocupações ou compras mal-adaptadas como indicadas pelos seguintes:
  • Preocupações ou impusos frequentes que são sentidos como irresitíveis, intrusivos ou sem sentido
  • Compras frequentes de mais do que se pode pagar, de itens que não são necessários ou comprar por períodos maiores do que planejado
  • Evidência de sofrimento marcado, consumo do tempo, interferência significativa do funcionamento social ou ocupacional, ou problemas financeiros
2. Não ocorre exclusivamente durante perídos de hipomania ou mania

Segundo a literatura científica no assunto, do dinheiro gasto pelos compradores compulsivos, 96% os gastam em roupas, 75% compram sapataos, 33% maquiagem, 42% jóias, 21% CDs e 25% gastam com itens colecionáveis (Christenson et al., 1994).

Para os leigos, algumas perguntas podem ajudar a avaliar seu comportamentos de compras:

  • Você se sente preocupado\a em demasia com o ato de comprar ou gastar dinheiro?
  • Você acha que seu comportamento de comprar é excessivo, impróprio ou descontrolado?
  • Seus desejos, urgências, impulsos, comportamentos ou fantasias sobre comprar consomem muito tempo e lhe deixam chateado\a ou culpado\a e ocasionam sérios problemas na sua vida?

Como reconhecer se você é um comprador compulsivo?

Compradores compulsivos, quando se sentem deprimidos compram ou gastam para sentir-se melhor. Eles comprar para sentir um efeito euforizante, de certa forma semelhante a um toxicodependente, que usa drogas para conseguir um "barato". Em geral, quanto mais caro ou mais supérfluo o ítem comprado (por exemplo, jóias), maior o efeito euforizante. As compras compulsivas afetam mais mulheres que homem e em geral o comprador gasta em coisas que não precisa. As festas de fim de ano ou datas comemorativas caracterizadas por compras fazem com que todos nós gastemos mais do que planejado. Todos sofremos com compras compulsivas nestas épocas, que chamamos de "binge". Um comprador compulsivo apresenta diversos períodos de binge por ano e estes podem ser restritos a apenas um tipo de compra, como sapatos, por exemplo. Na casa de um comprador compulsivo podem se encontrar pilhas de objetos comprados ainda com as etiquetas. Muitas vezes compra-se roupas ou sapatos que nem mesmo servem. Alguns nem mesmo se lembram de tê-los comprado. Quando a família começa a reclamar do comportamento, o comprador compulsivo começa a mentir ou a comprar escondido e a esconder os objetos pela casa. Conforme as dívidas começam a acumular, os relacionamentos interpessoais sofrem.

Tratamento

Como o transtorno ainda não é bem definido na literatura científica, diversos tratamentos tem sido propostos:
  • psicoterapia (seja ela psicanalítica, cognitivo-comportamental)
  • tratamento com medicamentos para os casos mais graves
  • mudança de hábitos
Mudança de hábitos

Para prevenir compras compulsivas, os sofredores são orientados a alterar alguns hábitos em suas vidas:
  • compre apenas com dinheiro e cartão de débito.
  • Destrua seus cartões de crédito, deixando apenas um guardado em local seguro para o caso de emergências
  • Faça listas de compras e só compre o que está na lista
  • Evite lojas em promoção. Se você for a uma, tenha a quantia certa de dinheiro que queira gastar consigo
  • Só passeie para ver vitrines quando as lojas já estiverem fechadas. Se você for passear em lojas ou ver vitrines em horário comercial, deixe sua carteira em casa.
  • Não receba catálogos de compras por telefone ou internet em casa. Se eles chegarem pelo correio, jogue-os direto no lixo. Não assista canais de compras
  • Se você for viajar para ocasiões festivas, compre os presentes e embrulhe-os antes mesmo de sair de casa.
  • Nomeie os sentimentos: porque você compra? Porque está deprimido? Porque está entediado? Porque está se sentindo mal?
  • Exercite-se quando o impulso de comprar aparecer
  • Evite lugares e pessoas que fazem com que você gaste dinheiro
  • Leve um amigo em quem possa confiar se tiver que fazer compras
  • Pergunte a si mesmo: eu realmente preciso disto ou estou comprando só porque o quero?
  • Lembre-se: se você está se sentindo fora de controle é porque realmente o está. Procure ajuda de um profissional de saúde mental para avaliação.
Fotos:
http://www.gogmsite.net/grand-ladies-of-the-eightee/subalbum-marie-antoinette-n/1785-marie-antoinette-by-el.html
http://bettys.uol.com.br/tag/jackie-o/
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=6883984863814864292&postID=249872354271273597

Referências:

ResearchBlogging.org

McElroy SL, Keck PE Jr, Pope HG Jr, Smith JM, & Strakowski SM (1994). Compulsive buying: a report of 20 cases. The Journal of clinical psychiatry, 55 (6), 242-8 PMID: 8071278

Christenson GA, Faber RJ, de Zwaan M, Raymond NC, Specker SM, Ekern MD, Mackenzie TB, Crosby RD, Crow SJ, & Eckert ED (1994). Compulsive buying: descriptive characteristics and psychiatric comorbidity. The Journal of clinical psychiatry, 55 (1), 5-11 PMID: 8294395

Black DW (2007). A review of compulsive buying disorder. World psychiatry : official journal of the World Psychiatric Association (WPA), 6 (1), 14-8 PMID: 17342214