Bate na madeira - curta sobre transtorno obsessivo compulsivo

Tuesday, 22 February 2011

Baseado em temas retirados de entrevistas com pacientes, "Touch Wood" (Bate na madeira) é um curta sobre a naturesa do Transtorno obsessivo compulsivo. O curta mostra um homem a se preparar para dormir, à noite. Ao invés de adormecer, ele passa horas conferindo luzes, portas e relógios, preparando obsessivamente a casa para a noite.

Posted by Vanessa Marsden at 03:54 2 comments  

O casamento de Rachel - toxicodependência e cinema

Sunday, 20 February 2011

Toda doença tem seu ganho secundário, isto é fato. O meu ganho secundário preferido ao ficar de cama é poder colocar em dia os filmes que assisto. Como semana passada fiquei em casa com dengue, deu para assistir um filme que há muito constava na minha lista: "O casamento de Rachel ou Rachel Getting Married".


O filme em questão, dirigido por Jonathan Demme e com Anne Hathaway e Debra Winger (grata surpresa), tem um aspecto de mockumentary, ou pretende ser um documentário fictício. Rachel é a irmã mais velha de Kym, uma usuária de drogas, e está para se casar. Devido ao fato, Kym pôde sair da clínica de recuperação para passar este fim de semana especial com a família. O filme, além de tentar ser "realidade", tem um ar experimental e sua grande força está na exploração dos sentimentos dos membros da família em relação ao retorno de Kym. Ela os magooou e mentiu a todos e é difícil voltarem a confiar nela. Além disso, Kym sente-se desconfortável no seu rótulo de "a de fora" e "difícil". Kym também sente muita culpa pelos traumas profundos que causou a todos, mas não vou me aprofundar nisto para não estragar a história.

O casamento de Rachel é sem dúvida um dos melhores filmes e representações que já assisti sobre os efeitos da toxicodependência nos membros da família. O filme tem um visual e uma história mais leve que os seus semelhantes e traz uma nota de esperança no final. Desta forma, fica aqui a recomendação para quem não assistiu ainda.

Foto: http://www.impawards.com/2008/rachel_getting_married.html

Oniomania - transtorno do comprar compulsivo

Friday, 18 February 2011

Oniomania (do grego onios, à venda, e mania, insanidade) é o termo técnico para o desejo compulsivo de comprar, mais comumente conhecido como síndrome do comprar compulsivo. O termo foi inicialmente utilizado por Kraepelin em 1915 e Bleuler em 1924. Embora tenha sido descrita há mais de cem anos, só nos últimos 15 anos a doença voltou a ser estudada, o que faz com que seja virtualmente desconhecida nas discussões sobre saúde mental. No entanto, o quadro parece estar a aumentar globalmente já que o terreno para seu desenvolvimento é fertil no mundo moderno, com o advento de catálogos de compras pelos correios, canais de televisão dedicados a vendas e compras pela internet.

Maria Antonieta

Várias figuras históricas apresentaram episódios de compras em excesso. A rainha francesa Maria Antonieta era conhecida e odiada por seus excessos. Na mesma lista figuram nomes como Jackeline Kennedy Onassis, Imelda Marcos e a Princesa Diana. Segundo seus biógrafos, os episódios de compras desregularadas custaram-lhes dinheiro, problemas pessoais e, no caso de Maria Antonieta, a própria vida. Se de fato estas figuras apresentavam oniomania é motivo de especulações. Como o transtorno propriamente dito ainda nem mesmo figura nos sistemas de classificação em psiquiatria (CID-10 e DSM-V-TR), não há uma uniformidade de critérios e nomes para definí-lo de forma adequada. Neste momento pessoas com compulsão por compras são enquadradas em "outros transtornos dos impulsos" e ainda há muita discussão se a oniomania é de fato um transtorno psiquiátrico em si ou um construto destes tempos modernos de materialismo e consumismo. Mesmo entre o que acreditam que sua classificação está por vir no DSM-V, debate-se se é um transtorno que assemelha-se às dependências químicas, se faria parte do espectro obsessivo-compulsivo ou se é mais classificado em dependências comportamentais. Todas estas especulações tornam difícil seu diagnóstico, mas alguns critérios foram sugeridos na literatura científica (McElroy et al., 1994):

Jackeline Kennedy Onassis

1. Preocupações ou compras mal-adaptadas como indicadas pelos seguintes:
  • Preocupações ou impusos frequentes que são sentidos como irresitíveis, intrusivos ou sem sentido
  • Compras frequentes de mais do que se pode pagar, de itens que não são necessários ou comprar por períodos maiores do que planejado
  • Evidência de sofrimento marcado, consumo do tempo, interferência significativa do funcionamento social ou ocupacional, ou problemas financeiros
2. Não ocorre exclusivamente durante perídos de hipomania ou mania

Segundo a literatura científica no assunto, do dinheiro gasto pelos compradores compulsivos, 96% os gastam em roupas, 75% compram sapataos, 33% maquiagem, 42% jóias, 21% CDs e 25% gastam com itens colecionáveis (Christenson et al., 1994).

Para os leigos, algumas perguntas podem ajudar a avaliar seu comportamentos de compras:

  • Você se sente preocupado\a em demasia com o ato de comprar ou gastar dinheiro?
  • Você acha que seu comportamento de comprar é excessivo, impróprio ou descontrolado?
  • Seus desejos, urgências, impulsos, comportamentos ou fantasias sobre comprar consomem muito tempo e lhe deixam chateado\a ou culpado\a e ocasionam sérios problemas na sua vida?

Como reconhecer se você é um comprador compulsivo?

Compradores compulsivos, quando se sentem deprimidos compram ou gastam para sentir-se melhor. Eles comprar para sentir um efeito euforizante, de certa forma semelhante a um toxicodependente, que usa drogas para conseguir um "barato". Em geral, quanto mais caro ou mais supérfluo o ítem comprado (por exemplo, jóias), maior o efeito euforizante. As compras compulsivas afetam mais mulheres que homem e em geral o comprador gasta em coisas que não precisa. As festas de fim de ano ou datas comemorativas caracterizadas por compras fazem com que todos nós gastemos mais do que planejado. Todos sofremos com compras compulsivas nestas épocas, que chamamos de "binge". Um comprador compulsivo apresenta diversos períodos de binge por ano e estes podem ser restritos a apenas um tipo de compra, como sapatos, por exemplo. Na casa de um comprador compulsivo podem se encontrar pilhas de objetos comprados ainda com as etiquetas. Muitas vezes compra-se roupas ou sapatos que nem mesmo servem. Alguns nem mesmo se lembram de tê-los comprado. Quando a família começa a reclamar do comportamento, o comprador compulsivo começa a mentir ou a comprar escondido e a esconder os objetos pela casa. Conforme as dívidas começam a acumular, os relacionamentos interpessoais sofrem.

Tratamento

Como o transtorno ainda não é bem definido na literatura científica, diversos tratamentos tem sido propostos:
  • psicoterapia (seja ela psicanalítica, cognitivo-comportamental)
  • tratamento com medicamentos para os casos mais graves
  • mudança de hábitos
Mudança de hábitos

Para prevenir compras compulsivas, os sofredores são orientados a alterar alguns hábitos em suas vidas:
  • compre apenas com dinheiro e cartão de débito.
  • Destrua seus cartões de crédito, deixando apenas um guardado em local seguro para o caso de emergências
  • Faça listas de compras e só compre o que está na lista
  • Evite lojas em promoção. Se você for a uma, tenha a quantia certa de dinheiro que queira gastar consigo
  • Só passeie para ver vitrines quando as lojas já estiverem fechadas. Se você for passear em lojas ou ver vitrines em horário comercial, deixe sua carteira em casa.
  • Não receba catálogos de compras por telefone ou internet em casa. Se eles chegarem pelo correio, jogue-os direto no lixo. Não assista canais de compras
  • Se você for viajar para ocasiões festivas, compre os presentes e embrulhe-os antes mesmo de sair de casa.
  • Nomeie os sentimentos: porque você compra? Porque está deprimido? Porque está entediado? Porque está se sentindo mal?
  • Exercite-se quando o impulso de comprar aparecer
  • Evite lugares e pessoas que fazem com que você gaste dinheiro
  • Leve um amigo em quem possa confiar se tiver que fazer compras
  • Pergunte a si mesmo: eu realmente preciso disto ou estou comprando só porque o quero?
  • Lembre-se: se você está se sentindo fora de controle é porque realmente o está. Procure ajuda de um profissional de saúde mental para avaliação.
Fotos:
http://www.gogmsite.net/grand-ladies-of-the-eightee/subalbum-marie-antoinette-n/1785-marie-antoinette-by-el.html
http://bettys.uol.com.br/tag/jackie-o/
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=6883984863814864292&postID=249872354271273597

Referências:

ResearchBlogging.org

McElroy SL, Keck PE Jr, Pope HG Jr, Smith JM, & Strakowski SM (1994). Compulsive buying: a report of 20 cases. The Journal of clinical psychiatry, 55 (6), 242-8 PMID: 8071278

Christenson GA, Faber RJ, de Zwaan M, Raymond NC, Specker SM, Ekern MD, Mackenzie TB, Crosby RD, Crow SJ, & Eckert ED (1994). Compulsive buying: descriptive characteristics and psychiatric comorbidity. The Journal of clinical psychiatry, 55 (1), 5-11 PMID: 8294395

Black DW (2007). A review of compulsive buying disorder. World psychiatry : official journal of the World Psychiatric Association (WPA), 6 (1), 14-8 PMID: 17342214

Blog em licença médica

Thursday, 10 February 2011

Caros

O blog vai ficar uns dias parado enquanto fico de repouso por conta de Dengue.
Deixo então a foto da campanha contra a dengue para lembrá-los que TODOS temos que trabalhar para combater o mosquito. Não adianta só você cuidar. O mosquito viaja e transmite da mesma forma. Seja chato: converse com seus vizinhos e tenha certeza de que eles também estão a cuidar para acabar com este ciclo.

Foto: http://www.nslourdes.com.br/atividadeNaParoquia.php

Posted by Vanessa Marsden at 13:03 3 comments  

Como uma dieta saudável pode se tornar um transtorno alimentar: ortorexia

Friday, 4 February 2011

É só abrir uma revista feminina e lá está o conselho, dizendo-nos o que devemos ou não comer e quais as últimas dietas da moda. Estudos recentes mostram, entretanto, que a última dieta da moda ou a obsessão por consumir apenas alimentos saudáveis pode estar a causar danos à saúde física e mental das pessoas. Já existe até um nome para este suposto transtorno alimentar: ortorexia.

Aparentemente aqueles que desenvolvem o transtorno tornam-se tão preocupados com a pureza daquilo que comem que se negam diversos grupos alimentares. Enquanto aqueles que apresentam anorexia nervosa restringem a quantidade do que comem, os que apresentam ortorexia são obcecados com a qualidade dos alimentos e eliminam de suas vidas itens como sal, açúcar, cafeína, álcool, trigo, glúten, fermento, soja e derivados do leite, além de qualquer alimento que contenha aditivos. Nos casos mais graves, a adesão rígida a estas regras leva o indivíduo a evitar comer em restaurantes ou na casa de amigos, colocando pressão nos relacionamentos sociais.
Aparentemente a ortorexia parece alinhar-se com as doenças do espectro obsessivo compulsivo, já que o objetivo não é a perda de peso, mas a qualidade dos alimentos. Além disso, pacientes com anorexia tendem a manter sua condição em segredo enquanto aqueles com "ortorexia" falam muito de suas dietas e fazem mesmo pregações aos conhecidos. Outra diferença parece ser a idade dos indivíduos afetados pela ortorexia: maiores de 30 anos, de classe média e em geral com bom nível de escolaridade. Em geral, eles passam horas lendo as últimas pesquisas sobre alimentos, peregrinam por lojas de comida saudável e passam muito tempo planejado seus menus.

O termo ortorexia nervosa foi cunhado em 1997 para descrever pessoas que desenvolvem uma fixação com alimentação saudável e embora seja referido em diversos sites e publicações como um transtorno mental não é um termo reconhecido medicamente.

Diagnóstico

Embora a ortorexia não seja um transtorno mental reconhecido pela CID-10 ou pelo DSM-IV e nem haja planos de incluí-la no DSM-V, alguns profissionais que trabalham com transtornos alimentares utilizam o termo para documentar os resultados da condição em seus pacientes.

Foto: http://www.metro.co.uk/lifestyle/852166-you-can-be-too-healthy

ResearchBlogging.org
Hepworth K (2010). Eating disorders today--not just a girl thing. Journal of Christian nursing : a quarterly publication of Nurses Christian Fellowship, 27 (3) PMID: 20632480

Porque meu bebê chora quando saio? Ansiedade de separação

Wednesday, 2 February 2011

Você teve um bebê há pelo menos 6 meses e de repente parece que ele está grudado a você com supercola. Soa familiar? Provavelmente ele está começando a apresentar a famosa "ansiedade de separação". Neste post vamos explicar o porque isso acontece e como lidar com a ansiedade do bebê.

Porque o bebê se torna tão grudento?

Você se tornou a pessoa mais importane na vida do bebê e ele se sente seguro e feliz quando em sua compania. Quando ele era menor, você podia sair da sala que ele não notava: longe dos olhos, longe do coração. Agora, entretanto, que ele está um pouco maior, ele percebe quando você não está e fica chateado. Se o bebê a vê sair, ele não tem certeza que você vai voltar. No seu ponto de vista, você desapareceu completamente e nunca mais volta. Você sabe onde vai, o que vai fazer e quanto tempo vai demorar, mas ele não.

Quando o bebê crescer mais um pouco ele vai aprender que você sempre retorna quando sai da sala ou quando o deixa na creche-hotelzinho-etc; mas neste momento ele vai chorar todas as vezes que você vai-se embora. Psicólogos e especialista denominam esta síndrome de "ansiedade de separação".

Como lidar com isto?

A melhor forma de lidar com um bebê grudento é aceitar que esta é uma fase e que ele vai estar mais feliz se puder estar consigo enquanto você faz suas tarefas. Isto é mais fácil se você está a maior parte do tempo em casa. Se você já retornou ao trabalho ou tem que deixar o bebê com outra pessoa enquanto faz outras coisas, você terá pela frente despedidas difíceis.
Se você ignorar a necessidade do bebê de tê-la por perto, ele pode ficar ainda mais grundento e brincar menos tempo sozinho enquanto você desempenha suas tarefas.

Trabalhando em casa

Se você fica a maior parte do tempo em casa, pode ser fácil encaixar as necessidades do bebê com as suas. Posicione-o de forma que ele possa vê-la a trabalhar enquanto ele brinca. Se você tem que ir a outra parte da casa, leve-o consigo ou dê-lhe tempo para seguí-la engatinhando. Você pode ter um local em cada quarto no qual ele pode brincar alegremente: a cadeirinha na cozinha, um tapete de brincar na sala de estar, uma seleção de brinquedos no quarto e brinquedos de banho e esponjas no banheiro.
Deixando seu bebê para ir trabalhar

A correria frenética de arrumar tudo para ir trabalhar, organizar as coisas do bebê para a creche ou hotelzinho e de sair de casa na hora certa é um trabalho árduo. Ela torna-se ainda mais difíci se o bebê fica muito triste quando você sai.
Você pode se sentir dividida entre confortá-lo e saber que já deveria ter saído. Saber que vai deixá-lo com outra pessoa "especial", a qual ele gosta e confia ajuda. Talvez ele tenha uma "professora" ou "cuidadora", um familliar ou amigo com a qual seu bebê goste de passar tempo. Ele pode ainda estar chateado quando você se vai mas se ele tem esta pessoa, ele vai acalmar logo depois de você sair.
Muitos pais que deixam um bebê gritando para trás sentem-se ansiosos e culpados... apenas para descobrir que ele está brincando feliz e satisfeito 5 minutos após ter sido deixado. Ligue para a creche ou cuidador assim que chegar ao trabalho para ficar mais relaxada. Se o bebê não se acalma, talvez seja recomendável repensar a creche ou cuidador, para garantir-lhe paz de espírito.

Olás e até-logos

Se você marcar o fim de cada separação com uma frase como "A mamãe voltou!" ou similar, você ajudará seu bebê a aprender que você sempre voltará para ele.

Perdendo a paciência

Pode haver horas em que a necessidade constante de atenção do bebê pode ficar "demais"; você nem mesmo consegue ir ao banheiro em paz! Se notar que está impaciente ou irritada, pode ajudar pensar a situação do ponto de vista do bebê: ele a ama intensamente e é realmente importante para ele que esteja por perto. Lembre-se, ele não vai agir assim para sempre, esta fase logo passará.

Foto: http://www.theparentszone.com/infants/infant-separation-anxiety-is-common-in-the-developmental-phase/

Posted by Vanessa Marsden at 14:40 3 comments  

Lidando com as demandas da vida profissional

Tuesday, 1 February 2011

Este é o título de um artigo recentemente publicado escrito por um psiquiatra e um cirurgião cardíaco. O artigo debate uma importante questão, não apenas relacionada à vida médica, mas a de todos os profissionais.
Brevemente, o trabalho lida com 5 conceitos que podem ajudar a vida de profissionais ocupados da vida moderna.

  • "Mindfulness" - em uma tradução livre, quer dizer estar atento. Mindfulness tem papel central na meditação budista, na qual se afirma que o estado correto de atenção é um fator crítico no caminho para a liberação e iluminação. Descrito como uma consciência calma das funções corporais, sentimentos, conteúdo da consciencia, sua prática resulta no desenvolvimento da sabedoria. Mindfulness é um conceito pouco reconhecido e aconselhado a profissionais com vida agitada. Em geral, estas pessoas estão ocupadas tentando atingir objetivos em um futuro próximo e tem pouco tempo para pensar sobre e aproveitar o presente. O artigo detalha exercícios para melhorar a atenção, cujos exemplos podem ser facilmente encontrados na internet.

  • Intencionalidade - o termo foi introduzido por Jeremy Bentham como um princípio em sua doutrina da consciência, para distinguir atos que são intencionais dos que não são. O termo é descrito no Oxford English Dictionary como "a propriedade que distingue os fenômenos mentais de serem necessariamente direcionados sobre um objeto, seja ele real ou imaginário". No artigo, intencionalidade diz respeito a "ter escolhas". Profissionais tendem a estar ocupados para viver as expectativas e estarem preparados para escolher demandas e expectativas sobre eles ao invés de pensar em suas próprias necessidades. Isto é vida automática ao extremo: leva a perda do foco em nossos sonhos pessoais e esperanças. Lembre-se: você sempre tem escolhas.

  • Empatia. Os autores utilizam o termo "mindsight" que quer dizer "habilidade, imaginada ou não, de ver a mente de outros. Provavelmente o termo empatia seria melhor, habilidade de se conectar com as experiências de outros, que é uma importante qualidade na vida profissional. Empatia é um ponto importante para poder entender como as coisas estão a andar e ver o mundo através dos olhos dos outros.

  • Perdão e partilha de significados. Estes processos permitem-nos reconhecer pessoas que nos magoaram, desapontaram ou enraiveceram. Quando não perdoamos, criamos relacionamentos tóxicos, tanto com nós mesmos quanto com outros. É o peso do ressentimento que nos previne de estar em um estado mais relaxado.

  • Manejo efetivo do estresse. Estresse é difícil de reconhecer ou admitir. Ele leva a criação de mecanismos para lidar com o estresse (coping), mas de um estilo que não foi criado para melhorar nossas vidas. Lidar com o estresse (coping) geralmente funciona naquele momento, reduzindo a ansiedade temporariamente. Eventualmente, porém, cria mais estresse. A meu ver, este parece ser o fator mais importante. Um ciclo vicioso pode resultar deste mecanismo: estresse causa falta de empatia, seguida de falta de motivação para tratar pacientes e encontrar aspectos positivos do seu trabalho. O que você pensa?
Este post é baseado no artigo abaixo
Dickey, J., & Ungerleider, R. (2007). Managing the demands of professional life Cardiology in the Young, 17 (S2) DOI: 10.1017/S1047951107001242
Foto: http://www.compass-clinical.com/hospital-accreditation/2010/04/knock-knock-states-here-reporting-restraint-deaths/