Lidando com as demandas da vida profissional

Tuesday, 1 February 2011

Este é o título de um artigo recentemente publicado escrito por um psiquiatra e um cirurgião cardíaco. O artigo debate uma importante questão, não apenas relacionada à vida médica, mas a de todos os profissionais.
Brevemente, o trabalho lida com 5 conceitos que podem ajudar a vida de profissionais ocupados da vida moderna.

  • "Mindfulness" - em uma tradução livre, quer dizer estar atento. Mindfulness tem papel central na meditação budista, na qual se afirma que o estado correto de atenção é um fator crítico no caminho para a liberação e iluminação. Descrito como uma consciência calma das funções corporais, sentimentos, conteúdo da consciencia, sua prática resulta no desenvolvimento da sabedoria. Mindfulness é um conceito pouco reconhecido e aconselhado a profissionais com vida agitada. Em geral, estas pessoas estão ocupadas tentando atingir objetivos em um futuro próximo e tem pouco tempo para pensar sobre e aproveitar o presente. O artigo detalha exercícios para melhorar a atenção, cujos exemplos podem ser facilmente encontrados na internet.

  • Intencionalidade - o termo foi introduzido por Jeremy Bentham como um princípio em sua doutrina da consciência, para distinguir atos que são intencionais dos que não são. O termo é descrito no Oxford English Dictionary como "a propriedade que distingue os fenômenos mentais de serem necessariamente direcionados sobre um objeto, seja ele real ou imaginário". No artigo, intencionalidade diz respeito a "ter escolhas". Profissionais tendem a estar ocupados para viver as expectativas e estarem preparados para escolher demandas e expectativas sobre eles ao invés de pensar em suas próprias necessidades. Isto é vida automática ao extremo: leva a perda do foco em nossos sonhos pessoais e esperanças. Lembre-se: você sempre tem escolhas.

  • Empatia. Os autores utilizam o termo "mindsight" que quer dizer "habilidade, imaginada ou não, de ver a mente de outros. Provavelmente o termo empatia seria melhor, habilidade de se conectar com as experiências de outros, que é uma importante qualidade na vida profissional. Empatia é um ponto importante para poder entender como as coisas estão a andar e ver o mundo através dos olhos dos outros.

  • Perdão e partilha de significados. Estes processos permitem-nos reconhecer pessoas que nos magoaram, desapontaram ou enraiveceram. Quando não perdoamos, criamos relacionamentos tóxicos, tanto com nós mesmos quanto com outros. É o peso do ressentimento que nos previne de estar em um estado mais relaxado.

  • Manejo efetivo do estresse. Estresse é difícil de reconhecer ou admitir. Ele leva a criação de mecanismos para lidar com o estresse (coping), mas de um estilo que não foi criado para melhorar nossas vidas. Lidar com o estresse (coping) geralmente funciona naquele momento, reduzindo a ansiedade temporariamente. Eventualmente, porém, cria mais estresse. A meu ver, este parece ser o fator mais importante. Um ciclo vicioso pode resultar deste mecanismo: estresse causa falta de empatia, seguida de falta de motivação para tratar pacientes e encontrar aspectos positivos do seu trabalho. O que você pensa?
Este post é baseado no artigo abaixo
Dickey, J., & Ungerleider, R. (2007). Managing the demands of professional life Cardiology in the Young, 17 (S2) DOI: 10.1017/S1047951107001242
Foto: http://www.compass-clinical.com/hospital-accreditation/2010/04/knock-knock-states-here-reporting-restraint-deaths/

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