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Notícias em psiquiatria

Wednesday, 24 February 2010

As duas últimas são de Portugal. As primeiras são do clipping da ABP. Fiquei embasbacada com a primeira, que está em praticamente todos os veículos hoje, sobre um hospital no Pernambuco (Nordeste brasileiro) que vai ser fechado para dar lugar à construção de um shopping center (!!!!!).

Pacientes vão ser transferidos
Não tem jeito. Os pacientes do Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano terão mesmo que deixar a unidade que funciona no local há 71 anos
Veículo: Diário de Pernambuco
Seção: Vida Urbana
Data: 23/02/2010

Quando o ciúme destrói o lar
Imaginação, fantasia; crença e certeza. Esses sentimentos afloram numa linha tênue, quando envolve o ciúme
Veículo: Diário do Nordeste
Seção: Cidade
Data: 22/02/2010

Drogas transformam pequenas cidades
Reportagem mostra o avanço dos entorpecentes em Romaria, Estrela do Sul e Monte Carmelo
Veículo: Correio de Uberlândia
Seção: Home
Data: 19/02/2010

ONU alerta para drogas de violação
Jornal de Notícias (Portugal)
23/02/2010

"Casos graves de acne acabam na psiquiatria"
Sociedade
Jornal de Notícias (Portugal)
23/02/2010
 
Tratamento precoce pode evitar problemas emocionais 80% dos adolescentes são afectados no Mundo inteiro

CLÁUDIA LUÍS

"A maioria dos doentes com acne tem problemas psico-emocionais", alerta o dermatologista António Massa. Para evitar cicatrizes no corpo e na personalidade, especialistas desvendam mitos e verdades sobre a doença que afecta 80% dos adolescentes no Mundo.

Mafalda Magalhães, 18 anos, tem uma colega de escola que não sai à noite com os amigos por ter medo da reacção das pessoas. "Diz que sai quando a doença passar". Entretanto, ao lado da vida da amiga de Mafalda, passam coisas essenciais: auto-estima; desenvolvimento de relações com outras pessoas; sensação de bem-estar individual e até um possível emprego.

"Os casos de acne mais graves acabam, invariavelmente, na psiquiatria", afirma António Massa. A boa notícia é que a maioria desses pacientes deixa de necessitar de cuidados psiquiátricos assim que vê a patologia melhorar.

Foi com o objectivo de evitar quadros de doença psicológica ou psiquiátrica que a Portuguese Acne Advisory Board, um centro de estudo português sobre acne, promoveu, na manhã de ontem, uma sessão de esclarecimento aos alunos da escola secundária Alexandre Herculano, no Porto. Alguns dos adolescentes foram surpreendidos.

Chocolate não causa borbulhas

"Não fazia ideia que a alimentação não tinha nada a ver com a acne!", espantou-se Diana Oliveira, de 16 anos. "Quando me apareceram as primeiras espinhas, os meus pais pensavam que era consequência do que comia, mas hoje vejo que não". De facto, não há prova científica de que alimentos como chocolate, azeitonas, frutos secos ou fritos provoquem o aparecimento de acne.

Da mesma forma, não está demonstrado que o estilo de vida tenha influência, sendo mais "uma forma de os pais penalizarem certos comportamentos", explica o médico, como saídas à noite.

Actividade sexual e falta de higiene também não têm relação com a doença. Nem mesmo a maquilhagem, desde que não contenha componentes que favoreçam a produção de sebo.

Em Portugal, a acne é o motivo mais frequente de consulta de Dermatologia entre a população adolescente. Segundo a Media Heath Portugal, em cada dez jovens há quatro a oito casos de acne. Cerca de 15% dos pacientes que procuram a consulta apresentam já formas graves da doença.

Ao verem imagens reais de formas graves de acne na face, pescoço, ouvidos e tronco, a plateia do Alexandre Herculano soltou um "arghhhhh" uníssono. Ruben Silva, de 15 anos, conhece um rapaz com um quadro clínico semelhante: "Quase nem se vê a pele dele". Ruben não sofre de acne, "mas se um dia o tiver esse problema, já sei o que fazer".

Até a acne mais impressionante tem remédio. O especialista avança que a taxa de sucesso do tratamento é "muito elevada". Daí que as imagens anteriores e posteriores à terapêutica sejam igualmente impressionantes, mas pela positiva.

Tratar é essencial. Sem a terapêutica adequada, a acne tende a agravar as marcas na pele e na forma de ser e de lidar com o Mundo. Pode até condicionar o tipo de emprego que se terá no futuro, numa sociedade cada vez mais demarcada pela imagem.

Segundo um estudo descrito pelo perito, concluiu-se que havia mais pessoas com acne na zona de Mouzinho da Silveira, onde se encontra um centro de emprego, do que na zona de Cedofeita, no Porto. Porquê? Cedofeita é uma zona comercial. "Para o atendimento ao público, só são contratados aqueles que têm boa imagem".

Felicidade faz bem ao coração

Saturday, 20 February 2010

Se você quer viver mais e evitar um infarto, seja feliz e aproveite a vida. Esta é a conclusão de um estudo recentemente divulgado no European Heart Journal.

Os investigadores encontram evidências de que pessoas felizes se recuperam mais rapidamente do estresse e tem mais facilidade em relaxar, o que faz com que os sistemas que regulam a pressão arterial e a frequência cardíaca funcionem melhor. Pessoas otimistas também tendem a dormir melhor e são menos propensas a fumar. Em contraste, pessoas resmungonas com atitudes depressivas apresentavam duas vezes mais chances de sofrer de doenças cardíacas, quando comparadas aos pacientes mais felizes.

Para garantir uma vida mais saudável, Dra. Karina W. Davidson, da New York's Columbia University Medical Centre e investigadora responsável pelo estudo, sugere que as pessoas tenham mais atividades prazeirosas nas suas vidas:

"Se você gosta de ler, mas nunca acha tempo, faça um compromisso consigo mesmo, dedicando 15 minutos para a leitura. Se andar ou ouvir música melhora o seu humor, coloque estas atividades na sua agenda diária. Despender poucos minutos por dia relaxado e a aproveitar a vida certamente é bom para sua saúde mental."
No estudo prospectivo longitudinal, 1739 indivíduos foram acompanhados por 10 anos. No início do estudo, os participantes passaram por avaliações emocionais (hostilidade, ansiedade, alegria, entusiasmo, contentamento) na qual deveria pontuar cada emoção de 1 a 5. Ao final do estudo, 145 (1 em 10, em média) haviam desenvolvido doenças cardíacas. Para cada aumento (ponto) na escala de felicidade, houve uma redução de 22% no risco de desenvolver doenças cardíacas. Os achados carecem de confirmação por outros estudos, mas se isso acontecer, os médicos devem passar a aconselhar seus pacientes a praticar uma atitude mental mais positiva.

Tentar encarar a vida de uma forma mais leve, deixar o passado para trás, não se preocupar com as coisas sobre as quais não pode ter qualquer controle e sorrir....Estes parecem conselhos de gurus de auto-ajuda, mas na verdade são bom senso. Tente relaxar mais, praticar esportes e\ou um hobbie que lhe dê prazer. Não só fará bem à sua saúde mental como a sua saúde em geral.

Foto: http://dannidistler.files.wordpress.com/2009/04/otimista.jpg

Notícias em psiquiatria

Saturday, 16 January 2010

Variante genética vinculada à longevidade protege contra senilidade, diz estudo
Variante genética produz uma proteína que incrementa o colesterol bom (HDL) no sangue
Veículo: Folha Online
Seção: Ciência e Saúde
Data: 14/01/2010

Medicamento para Parkinson pode causar síndrome de abstinência
Problemas são descritos em artigo publicado no jornal "Archives of Neurology"
Veículo: Folha Online
Seção: Ciência e Saúde
Data: 14/01/2010

Pesquisa identifica evidência entre câncer e estresse
Cientistas afirmam que as células atingidas pelo estresse podem emitir sinais indutores da geração de tumores que afetam às células sadias vizinhas
Veículo: Folha Online
Seção: Equilíbrio
Data: 15/01/2010

Eu quero. Não quero mais
Com picos extremos de humor, o transtorno bipolar faz com a pessoa vá do céu ao inferno emocional
Veículo: Guia da Semana
Seção: Teen
Data: 15/01/2010

Drogas para baixar pressão protegem contra demências
Adultos que usam drogas do tipo bloqueadores dos receptores da angiotensina parecem ser menos propensos a desenvolver problemas como deterioração do cérebro
Veículo: O Globo
Seção: Viver Melhor
Data: 13/01/2010

Preocupação com estética leva a busca de remédios
Pesquisa Nacional de Saúde Escolar mostrou que 33% das meninas do 9º ano do ensino fundamental buscam emagrecer e que 6,9% delas vomitaram ou tomaram remédios para não ganhar peso
Veículo: O Dia
Seção: Geral
Data: 10/01/2010

Um quarto de licenças é por problema mental
Na Polícia Civil, mais de um quarto dos afastamentos do trabalho se deram por essa razão
Veículo: O Popular
Seção: Cidades
Data: 11/01/2010

As demais notícias saíram no mesmo jornal e na mesma data:

Transtornos tiram policiais das ruas
Números mostram um crescente número de licenças para tratamento médico e mesmo de aposentadorias por problemas psiquiátricos apresentados por esses trabalhadores

Pesquisa aponta alto estresse entre agentes
Fatores emocionais estão entre as principais causas de adoecimento dos policiais. Alguns tiveram de se afastar do trabalho e outros foram encaminhados para tratamento psiquiátrico

Aspectos psiquiátricos da infecção pelo HIV - parte 2

Tuesday, 1 December 2009

Número de pessoas a viver com AIDS no mundo (para maiores informações, clique na figura, que leva ao site da UNAIDS - Joint United Nations Programme on HIV and AIDS): por volta de 45 milhões de pessoas.



Mais de 95% estão em países de baixa ou média renda. Em 2005 houveram mais de 14.000 novas infecções por dia, sendo que destas 2000 foram em crianças menores de 15 anos. Acredita-se que haja pelo menos 2.3 milhões de crianças infectadas no mundo.

Características da doença do HIV

  • Doença crônica, sem cura
  • Alta comorbilidade
  • Influência de factores psicológicos no seu curso
  • A incerteza do contágio
  • Os factores psicológicos de risco
  • Exige adesão terapêutica
  • Confronta a pessoa com a sua finitude
  • A ausência de ganho secundário
  • A idade para lidar com uma doença terminal - 25-49 anos
  • A influência do meio
  • Os padrões morais e religiosos
  • O duplo padrão de infectado e infectante
  • Implica mudanças na vida sexual
  • Altera projetos de vida (procriação)
  • Diminui qualidade de vida
  • Confronta a pessoa com os seus estilos de vida
  • A prevenção determinante na progressão da pandemia
Miguel Bragança (2006), em apresentação sobre a evolução da epidemia de SIDA (Universidade do Porto), resume assim sua evolução do ponto de vista psiquiátrico.


Fatores psicológico que podem influenciar na evolução:

Personalidade
Personalidades anti-social: alto risco de se infectar e baixo risco de sofrer morbilidade psiquiátrica

 Personalidade borderline: muitos infectados devido à pansexualidade. Dificuldade de interiorização da sexualidade e sentimentos

 Personalidade anancástica: traços de personalidade protetores (ruminações, proteção, são mais monogâmicos, pensam sistematicamente no que vão fazer)

 Alexitimia: dificuldade de expressão verbal de emoções. Fator de risco para infecção. O indivíduo tem dificuldade também para expressar sua sexualidade.
Locus de controle: interno – indivíduo se culpabiliza muito. Indivíduos têm maior probabilidade de tomar medidas preventivas.


 Campanhas preventivas falham muito porque são feitas em massa. Para que isso funcionasse adequadamente as personalidades teriam de ser homogêneas. Quanto menor o grupo ao qual é direcionada, quanto mais homogêneo, maior a eficácia.

 
Psicopatologia prévia

 Toxicodependentes

Alcoólicos
Transtornos de personalidade
Transtornos de ajustamento
Transtorno da identidade do gênero
Transtornos afetivos ou psicóticos
Parafilias
Contexto existencial




 Perturbações psicológicas causadas pelo HIV



 Medo e\ou recusa do teste:
  • Lidar psicologicamente com a doença
  • Inutilidade
  • Negação
  • Infectado/infectante
  • Mentir

A comunicação do diagnóstico: “ A verdade médica é um fármaco de grande potência que deve dosear-se com o tempo”  J. Blanco e Y. Lopez



 Influência psicológica e simbólica da infecção


Choque - Turpor
Negação
Relações menos protegidas
“Worried well”
Raiva
Revolta dirigida a si próprio
Revolta contra o outro
Menor protecção - “Não quero saber, também me contagiaram”
Culpabilidade - Negociação
Contextualizada com os estados de raiva ou depressão
Depressão e ansiedade
Luto da “perda da sexualidade”

Mecanismos de estresse e coping na infecção pelo HIV 
 
Bragança (2006):



Características dos estressores (Labrador, 1992)


Mudança ou novidade
Incerteza
Ambiguidade
Imprevisibilidade
Iminência

Ocorrências que causam estresse:
Acontecimentos traumáticos

Acontecimentos significativos da vida
Situações crônicas indutoras de estresse
Micro indutores de estresse
Macro indutores de estresse
Acontecimentos desejados que não ocorrem
Traumas ocorridos em estados de desenvolvimento

Referências:

ResearchBlogging.org

Aspinwall, L., & Taylor, S. (1997). A stitch in time: Self-regulation and proactive coping. Psychological Bulletin, 121 (3), 417-436 DOI: 10.1037/0033-2909.121.3.417

Bragança, M. A perturbação neurocognitiva associada à infecção pelo VIH. Mesa Redonda Perspectiva psicológica e psiquiátrica na infecção pelo HIV. V Congresso Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Porto, Novembro 2009

Aspectos psiquiátricos da infecção pelo HIV - parte 1

Grandes epidemias na história

Peste de Atenas (Átila, 430 AC)

Segundo Rezende (2002), a peste de Atenas ocorreu  foi narrada por Tucídides, em seu livro "A guerra do Peloponeso". O site traz a descrição da peste:

"No começo do verão, os peloponesos e seus aliados invadiram o território da Ática. (...) Poucos dias depois, sobreveio aos atenienses uma terrível epidemia, a qual atacou primeiro a cidade de Lemos e outros lugares. Jamais se vira em parte alguma açoite semelhante e vítimas tão numerosas; os médicos nada podiam fazer, pois de princípio desconheciam a natureza da enfermidade e além disso foram os primeiros a ter contato com os doentes e morreram em primeiro lugar. A ciência humana mostrou-se incapaz; em vão se elevavam orações nos templos e se dirigiam preces aos oráculos. Finalmente, tudo foi renunciado ante a força da epidemia. (...)
"Em geral, o indivíduo no gozo de perfeita saúde via-se subitamente presa dos seguintes sintomas: sentia em primeiro lugar violenta dor de cabeça; os olhos ficavam vermelhos e inflamados; a língua e a faringe assumiam aspecto sanguinolento; a respiração tornava-se irregular e o hálito fétido. Seguiam-se espirros e rouquidão. Pouco depois a dor se localizava no peito, acompanhada de tosse violenta; quando atingia o estômago, provocava náuseas e vômitos com regurgitação de bile. Quase todos os doentes eram acometidos por crises de soluços e convulsões de intensidade variável de um caso a outro. A pele não se mostrava muito quente ao tato nem também lívida, mas avermelhada e cheia de erupções com o formato de pequenas empolas (pústulas) e feridas. O calor intenso era tão pronunciado que o contato da roupa se tornava intolerável. Os doentes ficavam despidos e somente desejavam atirar-se na água fria, o que muitos faziam...". "A maior parte morria ao cabo de 7 a 9 dias consumida pelo fogo interior. Nos que ultrapassavam aquele termo, o mal descia aos intestinos, provocando ulcerações acompanhadas de diarréia rebelde que os levava à morte por debilidade". (...)
"Nenhum temperamento, robusto ou débil, resistiu à enfermidade. Todos adoeciam, qualquer que fosse o regime adotado. O mais grave era o desespero que se apossava da pessoa ao sentir-se atacado: imediatamente perdia a esperança e, em lugar de resistir, entregava-se inteiramente. Contaminavam-se mutuamente e morriam como rebanhos".



Império Romano (Varíola) ou Peste de Siracusa
Rezende (2002): "Ocorreu no ano 396 a.C, quando o exército cartaginês sitiou Siracusa, na Itália. A doença surgiu entre os soldados, espalhando-se rapidamente entre eles e dizimou o exército. Manifestava-se inicialmente com sintomas respiratórios, febre, tumefação do pescoço, dores nas costas. A seguir sobrevinham disenteria e erupção pustulosa em toda a superfície do corpo. Os soldados morriam ao fim do quarto ao sexto dia, com delírio e sofrimentos atrozes. O Império Romano foi o grande beneficiário dessa epidemia, vencendo facilmente os invasores. "

Séneca (I DC) – “Intemperança dos novos tempos como factor causal de novos males”

Plutarco (II DC)  - Peste Antonina
Rezende (2002) conceitua a peste antonina no seu site:
"Assim chamada por ter surgido no século II d.C, quando dirigia o Império Romano o Imperador Marco Aurélio, da linhagem dos antoninos. Causou grande devastação à cidade de Roma e estendeu-se a toda a Itália e à Gália (França). Foi contemporânea de Galeno, que assim descreveu os sintomas apresentados pelos doentes: "Ardor inflamatório nos olhos; vermelhidão sui generis da cavidade bucal e da língua; aversão pelos alimentos; sede inextinguível; temperatura exterior normal, contrastando com a sensação de abrasamento interior; pele avermelhada e úmida; tosse violenta e rouquidão; sinais de flegmásia laringobrônquica; fetidez do hálito; erupção geral de pústulas, seguida de ulcerações; inflamação da mucosa intestinal; vômitos de matérias biliosas; diarréia da mesma natureza, esgotando as forças; gangrenas parciais e separação espontânea dos órgãos mortificados; perturbações variadas das faculdades intelectuais; delírio tranqüilo ou furioso e término funesto do sétimo ao nono dia".

Uma das vítimas da peste Antonina foi o próprio Imperador, Marco Aurélio.


Os três surtos da Peste 
 Peste negra com origem na China  como a maior pandemia de sempre

Séc. XV – Descoberta de novos territórios
Populações autóctones dizimadas pelos vírus do homem branco


Sífilis – Transmissão sexual, mãe-filho, implicações morais, impacto sobre os costumes, encerramento de locais públicos e de “mau porte”, rejeição social dos infectados, a mesma gravidade (até certo ponto), principal local difusor (Hispaniola), filogenética (babuínos e gorilas de África)


Cólera (sec 19)
Deslocações rápidas, movimento de tropas, peregrinações (Meca, Ganges)

Aspectos que antecederam a pandemia de AIDS

A importância de uma certa densidade populacional

O equilíbrio hospedeiro/agente patogénico (Não é proveitoso para o agente a destruição do hospedeiro)

Seria possível nas condições sociais, comportamentais e biológicas de outrora, o progresso em grande escala de um retrovírus tão dependente do comportamento sexual sem:
  • Mistura de populações
  • Liberalização dos costumes
  • Tolerância nos comportamentos
  • Transfusões sanguíneas
  • Pandemia da toxicodependência.

 História do HIV e da AIDS


1675 Primeira passagem do chimpanzé para o homem
1926-1946 - Transmissão do macaco para o homem
1959 Primeira morte comprovada por SIDA no Congo
1978 Homossexuais  (Suécia e EUA) e heterossexuais. (Tanzânia e Haiti) com sinais de AIDS
1981 Comunicação aos CDC de 26 casos de Sarcoma de Kaposi e de 5 casos de Pneumonia por P. Carinii e identificação em homossexuais, “gay cancer” e “gay related immune deficiency” GRID (Poppers, cremes, saunas)
1982 Identificação em Haitianos (hipótese rácica) e toxicodependentes. Descrição da AIDS
1983 Isolamento e identificação do HIV1 (LAV; HTLV III) - Instituto Pasteur. A suspeita sobre o sangue (factores e bancos). A doença dos 4 Hs: Haitianos, homossexuais, hemofílicos, usuários de Heroína
1984 Identificação em transfundidos, filhos de mães infectadas, africanos, heterossexuais. Disponibilidade dos primeiros testes. Robert Gallo descobre o HIV1
1985 FDA aprova o primeiro teste ATC HIV. Obrigatoriedade do rastreio serológico em centros de transfusão (EUA e Japão)
1986 Testes em centros de transfusão na Suiça. Isolamento do HIV2
1987 AZT (zidovudina) – Monoterapia (medicamento)
1988 Trimetrexato (usado no tratamento da pneumonia por P. carinii) PrimeiroWORLD AIDS DAY
1989 Haiti suspende distribuição de sangue contaminado. Pentamidina
1990 DDI (Didanosine, videx). Infectados – 10 milhões
1991 ddC (Zalcitabine hivid)
1992 Benefício do tratamento combinado - Biterapia
1993 Revisão dos critérios de AIDS (novas doenças oportunistas)
1994 D4T stavudine (zerit)
1995 Saquinavir (invirase) e 3TC (epivir, lamivudina). Resolução do caso Gallo vs Pasteur
1996 Nevirapine (viramune), Indinavir (crixivan), Ritonavir (norvir)
1997 CDC – Primeiro caso provável de transmissão pelo beijo.
1998 Abacavir

1999 Amprenavir
2000 Kaletra (lopinavir)
2001 China reconhece epidemia

Características da doença:

Doença infecciosa crônica

Evolução de vários anos ou décadas
Variável em cada hospedeiro
Doença assintomática com duração de 10 a 12 anos
Deterioração progressiva do sistema imunológico
Declínio progressivo dos linfócitos T CD4+: ± 50-100/ano
Disponibilidade do tratamento eficaz mas não curativo
Ausência de vacina
Retrovírus da família Retroviridae- Três sub-famílias: Oncovirinae, Spumavirinae, Lentivirinae (Tipo 1 e Tipo 2)


Referências:

ResearchBlogging.org
Rezende (2002). Caminhos da Medicina. As grandes epidemias da história.
The History of AIDS
LSU Law Center's Medical and Public Health Law Site
Gallo RC (2002). Human retroviruses after 20 years: a perspective from the past and prospects for their future control. Immunological reviews, 185, 236-65 PMID: 12190935


Notícias em psiquiatria nos blogues de Portugal

Friday, 27 November 2009

A triste notícia abaixo li no blogue Psiquiatruras, de um enfermeiro em Psiquiatria e Saúde Mental, destinado a discutir o investimento, recursos humanos e temas na área.

Psiquiatria - O ETERNO parente pobre do Serviço Nacional de Saúde

O colega aqui está a discutir a notícia do Jornal Correio da Manhã, "Barreiro: Utentes queixam-se de falta de apoio. Gripe retira espaço à ala de Psiquiatria"

Pdfs gratuitos sobre a buprenorfina

Wednesday, 18 November 2009

Recebi da addiction news um link com diversos pdfs sobre a buprenorfina, seja em tratamento da dor crônica, seja em terapia de manutenção para adictos\toxicodependentes.

http://www.pdfgeni.com/book/buprenorphine-pdf.html

Boa leitura

Pacientes depressivos recebem mais opioides para dor crônica

Tuesday, 17 November 2009


Pacientes com dor crônica e história de depressão têm 3 vezes mais probabilidade de receber receitas de medicamentos opioides como oxicodona quando comparados a pacientes com dor que não sofrem do distúrbio mental.
A pesquisa, publicada no número November-December do periódico General Hospital Psychiatry analisou prontuários\fichas médicas de dezenas de milhares de pacientes entre 1997 e 2005 de uma seguradora americana. A prescrição de opioide a longo prazo foi definida como prescrições de 90 ou mais dias.
Segundo Mark Sullivan, co-autor da pesquisa e professor de psiquiatria na Universidade de Washington, os achados causam preocupação pois são generalizados e porque pacientes deprimidos são excluídos de praticamente todos os ensaios de drogas opióides por serem um grupo de risco para a toxicodependência.

A conexão entre dor e depressão é complicada. A dor crônica pode causar os sintomas depressivos e pacientes depressivos apresentam mais queixas de dor irresponsiva, o que leva a serem prescritos opioides. Além disso, o estado depressivo pode fazer com que a dor doa mais.

O estudo completo pode ser encontrado a seguir:

ResearchBlogging.org

Braden, J., Sullivan, M., Ray, G., Saunders, K., Merrill, J., Silverberg, M., Rutter, C., Weisner, C., Banta-Green, C., & Campbell, C. (2009). Trends in long-term opioid therapy for noncancer pain among persons with a history of depression General Hospital Psychiatry, 31 (6), 564-570 DOI: 10.1016/j.genhosppsych.2009.07.003

Aspectos psicológicos e psiquiátricos do diabetes

Tuesday, 10 November 2009



Em homenagem ao Dia Mundial do Diabetes, um post com esclarecimentos sobre complicações psicológicas e psiquiátricas da doença.

O diagnóstico de diabetes é um evento vital altamente estressante, que requer um alto número de acomodações mentais e físicas. O paciente deve aprender a lidar com uma dieta complexa diariamente e passar a sofrer diversas intervenções médicas. O estilo de vida, trabalho e escola devem ser alterados. Todas estas mudanças consomem muita energia, tanto da família quanto do paciente. As mudanças psicológicas incluem um ajuste a uma nova visão de si, e ao golpe narcísico sofride pelo EU: a visão que muitos de nós temos de que somos invencíveis é esmigalhada e dói coletar os cacos do antigo Eu para formar uma nova identidade.


Depressão

A depressão é uma das mais comuns complicações do diabetes, com prevalência cinco vezes maior nos diabéticos do que na população em geral. Diabéticos com depressão major apresentam alta taxa de recorrência de episódios depressivos em 5 anos e uma pessoa deprimida não tem energia ou motivação para manter um bom controle do diabetes. O próprio estresse da depressão pode levar a hiperglicemia em diabéticos.
No caso de crianças e adolescentes com diabetes, crianças cujos pais são mais críticos em seus comentários têm pior controle da glicose. Paradoxalmente, super envolvimento emocional entre os membros da família e a criança diabética não acarreta pior controle (Koenigsberg et al. 1993). Adolescentes diabéticos apresentam maior ideação suicida quando comparado com seus pares e aqueles com ideação suicida não tomam cuidados adequados. Lembrar que adolescentes suicidas diabéticos têm em seu poder um perigoso medicamento que em altas doses pode levar a óbito.
Estudos recentes sugerem que o tratamento eficaz da depressão pode melhorar o controle glicêmico. (Lustman et al. 1997).
No caso de depressão, o paciente deve procurar ajuda especializada e tratamento, que pode consistir de psicoterapia (casos mais leves) ou medicação. Para evitar a depressão ou para os que já a tiveram e querem evitar recaídas, psicoterapia, técnicas de relaxamento, lazer, praticar esportes, analisar o estilo de vida e reduzir o estresse são técnicas efetivas.

Alterações psicológicas

Muitos dos recém diagnosticados com diabetes passam pelos típicos estágios de luto: negação, raiva, depressão e aceitação.

Negação: é um dos estágios mais perigosos e pode ocorrer mais de uma vez, com pacientes espiralando de volta a esta fase várias vezes. A fase de "lua de mel"*, associada ao início de um quadro de diabetes tipo 1 pode reforçar esta fase, que é bastante comum em adolescentes diabéticos.
     * A "fase de lua de mel" é um período de tempo logo após o diagnóstico do diabetes tipo 1 no qual há uma melhoria na produção de insulina pelo pâncreas. Esta é uma situação temporária, e não melhoria, cura ou remissão da doença.

Raiva: um paciente com diabetes tipo 2 que está a tentar emagrecer pode invejar pessoas mais obesas que estão saudáveis. Mecanismos de defesa como deslocamento, no qual o paciente fica extremamente irritado com observadores inocentes, pode ocorrer. Cuidado  pois a raiva pode alterar drasticamente os níveis de glicose.

Depressão: sentimentos moderados de depressão são parte normal do processo de luto. Se se tornarem pervasivos ou prolongados, assistência especializada deve ser procurada.

Aceitação: o paciente finalmente aceita a doença e acalma-se. Alguns podem voltar ao início deste ciclo e começar de novo, pela negação. Isso pode ocorrer particularmente após fatores estressantes de vida (complicações clínicas, etc).

Ansiedade

Quadros de ansiedade podem causar grandes variações dos índices glicêmicos. Ataques de pânico podem se assemelhar a episódios de hipoglicemia e vice-versa. Quando em dúvida, trate a todos como episódios de hipoglicemia e os níveis devem ser monitorados de perto, particularmente em períodos de grande estresse. Da mesma forma que para quadros depressivos, diversos tratamentos são oferecidos quando um diagnóstico de transtorno de ansiedade é estabelecido. Técnicas de relaxamento e outras ajudam a impedir o desenvolvimento ou a reduzir o risco de recaídas nestes quadros.

Transtornos alimentares



Os transtornos alimentares são pouco discutidos nestes pacientes, mas pais e profissionais de saúde devem estar alertas. Adolescentes diabéticas com alterações da imagem corporal podem desenvolver Bulimia. Ao invés de vomitar ou fazer exercícios extenuantes, como as outras pacientes, diabéticas podem passar a negligenciar as doses de insulina, o que leva a graves complicações como a retinopatia diabética e a cetoacidose diabética, que pode causar coma e morte.
Adultos com diabetes tipo 2 e obesidade, que não conseguem aderir a um regime dietético devem ser investigados para Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica, no qual o paciente come excessivamente (Binge) mas não apresenta episódios purgativos.

Referências:

ResearchBlogging.org
 1 Lustman, PJ, Griffith, LS, Freedland, KE, Clouse, RE; The course of Major Depression in Diabetics Gen Hosp Psychiatry 1997; 19(2) 138-143.

2. Koenigsberg HW, Klausner E, Pelino D, Rosnick P, & Campbell R (1993). Expressed emotion and glucose control in insulin-dependent diabetes mellitus. The American journal of psychiatry, 150 (7), 1114-5 PMID: 8317588