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Luto: A vida depois da morte

Monday, 22 March 2010

Reportagem da Revista Época de 21/03/2010, que pode ser lida no original no link abaixo.

A vida depois da morte



Novos estudos mostram que o luto é um processo mais complexo – e muitas vezes mais rápido – do que se imaginava. De onde vem a força do ser humano para superar a dor?


Marcela Buscato



Marilena Fernandes achava que estava começando a redescobrir a vida, nove anos depois da morte do marido, quando um acidente de carro lhe roubou o filho Paulo, de 20 anos. Ela decidiu abrir as cortinas de casa e enchê-la de flores. Não queria que os três outros filhos levassem uma vida amargurada. Desde então – e lá se vão cinco anos – desfila suas alegrias e tristezas todo ano em uma escola de samba. Alice Quadrado transformou o pesar causado pela morte da filha Eliana, aos 25 anos, em vontade de ajudar. Percebeu quanto outros pais que passavam por essa situação se sentiam sozinhos. Fundou a associação Casulo, onde uns apoiam os outros e encontram forças para seguir em frente. “Foi a maneira que encontrei para dar significado a algo de muito ruim”, diz. Marilena e Alice descobriram o que existe além de uma das piores dores a que os seres humanos estão sujeitos: perder um filho.


“Já enterrei amigos, irmãos, mãe. Nada se compara à perda de uma filha”, diz Ana Cristina de Freitas Rocha, de 57 anos, mãe de Tatiana. A jovem de 20 anos morreu em 2005, de uma infecção generalizada diagnosticada tarde demais. “Essa dor é hors-concours”, diz Ana Cristina, usando uma expressão francesa que significa “fora de competição”. É justamente essa avalanche de sentimentos, que atinge quem perde alguém amado, que os cientistas têm tentado revolver. A quem viveu grandes tragédias pessoais, fizeram a mesma pergunta que nos ocorre ao conhecer histórias como as descritas nesta reportagem: como é possível superar a dor que tanto tememos? Nós seríamos capazes?


Há bons motivos para acreditar que sim. “Somos mais fortes do que pensávamos”, afirma o psicólogo americano George Bonanno, pesquisador da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, e referência no estudo de fenômenos ligados à morte. Em seu livro The other side of sadness (O outro lado da tristeza, ainda sem tradução no Brasil), Bonanno compilou uma série de estudos recentes que obrigaram os especialistas a repensar o que se sabe sobre como reagimos à morte. Esses estudos parecem mostrar que a maior parte das pessoas consegue se refazer de uma perda rapidamente, às vezes em questão de semanas. E sugerem que não existe um roteiro de emoções a serem sentidas para que a superação aconteça. No depoimento da página 84, Ana Carolina de Oliveira, a mãe da menina Isabella Nardoni, relata como cada membro da família superou de forma diferente a perda da menina.


Até recentemente, a teoria mais difundida para explicar a reação humana à morte era a dos “cinco estágios do luto”, desenvolvida pela psiquiatra suíça Elizabeth Kübler-Ross, em 1969. Ela apregoa que, até superar uma perda, as pessoas enlutadas passam por fases sucessivas de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Essa teoria entrou até para a cultura pop: foi tema de um episódio recente do seriado americano Grey’s anatomy e serviu como conteúdo ilustrativo para demonstrar o funcionamento do novo aparelho da Apple, o iPad. Kübler-Ross teve o mérito de chamar a atenção para um assunto até então ignorado, mas seu pioneirismo não foi seguido pela publicação de novos estudos.


Na década de 90, a geração de novatos à qual pertencia Bonanno notou as lacunas no conhecimento sobre o luto e desencadeou uma onda de estudos. “Chegamos a conclusões surpreendentes, simplesmente porque fizemos perguntas básicas que ninguém tinha feito”, diz Bonanno. Percebeu-se que os escassos estudos anteriores eram feitos com voluntários que haviam procurado ajuda de psiquiatras e psicólogos – logo, tinham mais dificuldades que a média para lidar com o luto, o que distorcia os resultados.


O próprio modelo dos cinco estágios do luto é um exemplo. Kübler-Ross tinha desenvolvido sua teoria observando o comportamento de pacientes com doenças terminais, o que não corresponde necessariamente à reação a outros tipos de morte. Mesmo as fases de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação foram definidas a partir da interpretação subjetiva de Kübler-Ross e seus colegas das entrevistas com os pacientes. Até o fim da vida, em 2004, Kübler-Ross disse que sua pesquisa não havia sido bem entendida e que nunca dissera que essas cinco fases se aplicam a todos os casos nem que eram nitidamente separadas. Mas, ante a vontade de entender a inquietação humana diante da morte, sua teoria era irresistivelmente simplificadora.


Os novos estudos, com uma gama mais ampla de pessoas, concluíram que há outras maneiras de lidar com a morte de quem amamos. “Cerca de metade das pessoas lida muito bem com a perda e volta à vida normal em semanas”, diz Bonanno, que analisou uma série de levantamentos para chegar a essas estatísticas de referência. “Outros 25% sofrem por um período maior, que pode durar de alguns meses até um ano. Cerca de 15% desenvolvem graves dificuldades que afetam a convivência social e o desempenho no trabalho.”


A morte de 3 mil pessoas nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, teve um papel inesperado no novo entendimento da ciência sobre a morte. O trauma redespertou o interesse da ciência pelo tema e impulsionou uma série de estudos que acompanharam a recuperação dos moradores de Nova York. Os resultados foram surpreendentes. Apenas seis meses após a tragédia, 65% das pessoas entrevistadas mostravam-se emocionalmente equilibradas. Essa taxa era alta até entre aquelas que perderam um amigo ou um parente na tragédia: 54% não tiveram a saúde emocional abalada, 35% já tinham se recuperado depois de desenvolver algum tipo de trauma e apenas 11% ainda enfrentavam dificuldades para se recuperar. As proporções, semelhantes àquelas encontradas por Bonanno e seus colegas em seus primeiros estudos, ajudaram a consolidar o nome que se deu ao outro lado da tristeza: resiliência.


Os atentados terroristas de 2001 geraram uma
série de estudos sobre a resiliência diante da morte


Os rostos que ilustram esta reportagem fazem parte dessa maioria à qual os especialistas chamam de “resilientes”. O termo, emprestado da física, traduz em sentido figurado o que ocorre com quem supera uma perda: é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original depois de sofrer um impacto. Isso não significa que não houve sofrimento ou que foi fácil. Em comum, os resilientes têm a decisão de continuar a viver – conscientemente, como Ana Cristina, ou de forma inconsciente, como Maria de Fátima Ferreira, que enfrentou um câncer de mama na mesma época da morte do filho Francesco, de 21 anos, em 2004. “As pessoas achavam que eu não ia aguentar. Eu achava que ia morrer junto”, diz. Mas ela venceu. Há quatro meses foi declarada curada pelos médicos.

Os cientistas acreditam que somos capazes de reações como a de Maria de Fátima – inexplicáveis até para ela – porque já nascemos dotados dessa capacidade de superação. Nossos genes e circuitos cerebrais teriam sido programados, ao longo de milhares de anos de evolução, para contornar o abalo provocado pela morte de pessoas com quem temos fortes vínculos emocionais. A depressão, descrita por Maria de Fátima e por outros milhares de pessoas que viveram uma tragédia, faria parte dessa estratégia. A tristeza causa uma sensação de torpor: o mundo parece estar em câmera lenta; perdem-se a fome, o desejo sexual e a vontade de viver. Essa prostração nos impediria de tomar decisões e atitudes que coloquem a própria sobrevivência em risco durante esse período. Hoje, essa função da tristeza pode parecer banal. Mas, quando nossos antepassados eram nômades, até 10 mil anos atrás, a sensação de torpor era uma questão de sobrevivência. Podia impedir que alguém entrasse por impulso em uma disputa por comida e apenas no decorrer dela se lembrasse de que seu parceiro não estaria por perto para lhe dar apoio. O período de depressão corresponderia ao período de atualização de nossos circuitos cerebrais a essa nova realidade.


A prostração soa como uma estratégia ruim de sobrevivência para nossos antepassados, às voltas com a luta diária pela vida. Mas, se ela for contrabalançada por oscilações entre depressão e otimismo, passa a fazer sentido. Quem já enfrentou a morte de alguém próximo sabe que o luto não é tristeza 24 horas por dia, sete dias por semana. Há dias em que mergulhamos no mais profundo pesar. Em outros, a vida parece ter voltado ao normal e há até momentos de genuína alegria. A teoria dos cinco estágios do luto, mostram os estudos recentes, é insatisfatória, definindo como lineares fases que são, na verdade, cíclicas.


Se o luto não é necessariamente tão sofrido quanto se imaginava, se a maioria consegue superar bem uma perda, por que algumas pessoas enfrentam tanta dificuldade? Os 15% estimados por Bonanno passam anos vivendo como nos primeiros e mais difíceis momentos do luto. Essas pessoas não conseguem retomar a vida. Vivem para a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos especialistas de “luto patológico” ou “luto complicado”. Além de prejudicar a qualidade de vida, ele aumenta os riscos de desenvolver desordens como depressão grave e transtornos de ansiedade. Um estudo da Universidade Yale, nos Estados Unidos, mostrou que esses enlutados crônicos correm um risco sete vezes maior de se suicidar.


A psicóloga americana Mary-Frances O’Connor, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, deu um passo importante na investigação das causas do luto complicado. Ela pediu a mulheres que haviam perdido a mãe ou a irmã por câncer de mama que fizessem um exame de ressonância magnética enquanto observavam uma fotografia do parente que haviam perdido. Áreas do cérebro associadas à sensação de dor eram ativadas tanto nas voluntárias resilientes quanto nas que tinham sintomas de luto prolongado. Mas nas mulheres que não conseguiam superar o luto também era ativada uma área do cérebro ligada ao sistema de recompensa, o responsável pela sensação de prazer, chamada “núcleo accumbens”. “Isso significa que as pessoas resilientes parecem processar a perda de uma maneira rápida e eficaz”, afirma Mary-Frances.



Os pesquisadores acreditam que os genes que regulam nossas respostas ao estresse ajudam a determinar se uma pessoa terá uma personalidade mais ou menos sensível a situações que geram ansiedade. Um desses genes, conhecido por 5HTT, está associado à fabricação da molécula que bombeia para os neurônios a serotonina – substância que transmite as informações entre as células do cérebro. Há duas versões desse gene. Uma produz mais moléculas transportadoras de serotonina, o que estaria ligado a uma personalidade mais estável e equilibrada. A outra versão aumentaria a excitabilidade da amígdala, uma área do cérebro associada ao medo e às emoções. “Mais de 50 estudos já avaliaram esse gene e 70% deles mostraram que uma das versões torna a pessoa mais sensível a situações estressantes”, afirma a psicóloga Terrie Moffitt, pesquisadora da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e autora de alguns desses estudos.


O 5HTT, sozinho, não explicaria tudo. Há no mínimo dezenas de outras variações genéticas que contribuem para nosso limiar de ansiedade. E os fatores ambientais são determinantes. “A reação de uma pessoa à morte sempre depende do contexto”, afirma a psicóloga Cristina Moura, pesquisadora da Universidade de Brasília. Por exemplo, a distância física da pessoa morta ou a surpresa por uma morte repentina e inesperada.


O luto complicado pode vir a ser incluído pela Associação Americana de Psiquiatria na lista de doenças reconhecidas pela entidade, em uma revisão a ser publicada em 2013. O principal obstáculo é a dificuldade de distingui-lo do luto “comum”. Em ambos, há falta de energia, crises de choro, perda de apetite, tendência ao isolamento. A diferença é que nos casos patológicos esses sintomas vão se agravando. “Esse reconhecimento é importante porque as pessoas precisam entender que o luto prolongado é um problema específico e precisa de tratamento especializado”, afirma a epidemiologista Holly Prigerson, coordenadora da equipe do Dana-Faber Cancer Institute, que está estudando uma forma de definir claramente o que é o luto prolongado.


É preciso terapia para lidar com o luto? Estudos
mostram que ela pode até ser perigosa em alguns casos


Holly toca em um ponto ainda delicado para a ciência do luto: até que ponto uma pessoa enlutada precisa de ajuda psicológica para seguir adiante? A teoria dos cinco estágios do luto, que influenciou e ainda influencia especialistas, levou pessoas que estavam reagindo de maneira natural a ser vistas como problemáticas – e compelidas por parentes e amigos a buscar tratamento psicológico. O assunto é polêmico, mas alguns pesquisadores acreditam que há casos em que a terapia pode fazer mais mal que bem. Alguns estudos mostraram que pacientes que haviam lidado bem com o luto e começaram uma terapia passaram a acreditar ser insensíveis – afinal, não sofriam como as pessoas achavam que eles deveriam. Outros começaram a se questionar se realmente queriam bem a quem morreu. Todos se sentiam na obrigação de sofrer e se empenharam na tarefa. Com base nesses estudos, o psicólogo Scott Lilienfeld, da Universidade Emory, nos Estados Unidos, incluiu a terapia para casos de luto em uma lista de tratamentos potencialmente perigosos. “Se há a possibilidade de a terapia suscitar efeitos negativos, é melhor implementá-la com precaução”, escreve Lilienfeld em seu artigo na publicação científica Perspectives on Psychological Science. A metodologia das pesquisas que levaram Lilienfeld a essa conclusão é discutível. Muitas não especificam qual linha de terapia foi foco do estudo nem quais eram os parâmetros para estabelecer se o paciente melhorou ou piorou.


Como em todo tratamento psicológico, o resultado depende da disposição do paciente. “Nenhuma terapia é eficaz se a pessoa acredita que não precisa de ajuda e não coopera. Nem todo mundo precisa de ajuda”, diz a psicóloga Maria Júlia Kovács, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte da Universidade de São Paulo.


Também existem estudos em favor da terapia. O psicólogo Julio Peres é um dos poucos no Brasil a estudar seus efeitos sobre o cérebro de pessoas que passaram por situações traumáticas. Ao submeter 16 pacientes a tomografias, após oito sessões de terapia, Peres percebeu que a atividade cerebral, enquanto eles recordavam a experiência, havia aumentado no córtex pré-frontal e diminuído na amígdala. As conclusões são significativas porque o primeiro é a área do cérebro encarregada do raciocínio lógico e da categorização das experiências e a segunda está relacionada a nossas respostas emocionais. “As terapias de fala, como a cognitiva e a psicanalítica, obrigam a pessoa a organizar suas experiências”, afirma Peres. “É como puxar a ponta de um novelo de lã.” Falar da dor – e estudar como reagimos a ela – ajuda a nos tornar mais tolerantes à presença da morte a nossa volta.

O que os cientistas descobriram sobre o luto


Pesquisas recentes analisaram à luz da ciência o sofrimento causado pela morte de alguém querido. E revelaram imprecisões nas teorias sobre a dor aceitas durante décadas



Como fazer cobertura adequada de casos de suicídio na mídia

Tuesday, 2 March 2010

Desde que comecei a fazer parte da comunidade do Research Blogging, meus horizontes se expandiram. Com as atualizações disponíveis tanto no site em questão, quanto pelo twitter, tomo conhecimento de importantes contribuições de pesquisadores que debatem pesquisas avaliadas por pares (peer-reviewed). O resultado são blogs que enriquecem tanto leigos quanto especialistas de todas as áreas, que elevam o nível da discussão de assuntos polêmicos e cotidianos.

Ao ler minhas atualizações hoje pela manhã, encontrei o blog Dr. Deb, que traz o post The Importance of Proper Media Coverage of Suicide. Escrito por uma psicóloga, especialista em trauma e depressão, o post traz importantes aspectos sobre como a mídia e os meios de comunicação devem informar sobre casos de suicídio para não glamourizá-los e criar novos casos (lembram-se do suicídio de Kurt Cobain do grupo de rock Nirvana?). Repórteres e jornalistas deveriam conhecer os dados abaixo antes de fazer/ler qualquer matéria sobre o assunto.

O post original (no inglês) pode ser lido no link acima. Traduzi alguns dos principais aspectos abaixo:

"A forma como os meios de comunicação reportam casos de suicídio podem fazer uma de duas coisas: Pode criar uma tendência contagiosa inadvertidamente ou pode educar e ajudar outros a receber tratamento.

O que se deve evitar:

  • Descrições detalhadas do suicídio, incluíndo especificidades como método e local - Descrições detalhadas aumentam o risco de um indivíduo vulnerável imitar o ato.
  • Evite romancear alguém que morreu por suicídio. Evite mostrar tributos de amigos ou relativos. Evite relatos na primeira pessoa de adolescentes sobre suas tentativas de suicídio. - Quando se dá atenção positiva a alguém que morreu por suicídio (ou tentou), pode-se fazer com que indivíduos vulneráveis que desejem ser o centro das atenções tentem tirar suas próprias vidas.
  • Evite glamourizar o suicídio de uma celebridade - pode causar uma epidemia entre jovens vulneráveis. Não deixe que o glamour da celebridade em questão deixe em segundo plano problemas mentais ou com drogas que possam ter contribuído para sua morte.
  • Evite supercitar a frequência de suicídios - supercitar a frequência do suicídio (utilizando expressões como "epidemia de suicídios) pode fazer com que indivíduos vulneráveis pensem que é uma resposta aceitável ou normal para seus problemas. Mesmo nas populações com altos índices de suicídios, os mesmos são raros.
  • Evite palavras como "cometeu suicídio", "tentativa falhada de suicídio" ou "sucesso ao cometer suicídio". - O verbo cometer é usualmente utilizado para pecados ou crimes. O suicídio é melhor entendido em um contexto de saúde e não criminal. Considere utilizar a frase "morreu por suicídio". "Tentativa falhada de suicídio" ou "sucesso" indicam resultados favoráveis ou inadequados. Considere utilizar "morte por suicídio" ou "tentativa de suicídio não-fatal".
O que fazer

  • Sempre inclua um número de telefone e informação sobre onde buscar ajuda
  • Enfatize os recentes avanços no tratamento da depressão e outras doenças mentais. Inclua histórias de pessoas cujo tratamento salvou suas vidas ou que conseguiram lidar com o desespero/desamparo sem tentar o suicídio.
  • Entreviste um profissional de saúde mental que tenha conhecimento sobre suicídio e o papel do tratamento ou avaliação de doenças mentais como estratégia de prevenção
  • Enfatize ações que a comunidade pode por em prática para prevenir suicídios
  • Inclua um quadro com sinais de alerta, fatores de risco e de proteção ao suicídio."
Onde procurar ajuda:

No Brasil
CVV - Centro de Valorização da Vida. http://www.cvv.org.br/

Em Portugal
http://www.telefone-amizade.pt/site/suicidio/ajuda/

Foto: http://pathwayscourses.samhsa.gov/suicide/images_suicide/life-preserver.jpg

Posted by Vanessa at 07:13 6 comments  

Notícias em psiquiatria

Thursday, 28 January 2010

A verdade por trás da São Paulo Fashion Week

Thursday, 21 January 2010

Esta semana houve mais uma edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), uma semana tupiniquim de estilistas brasileiros que pensam estar a influenciar o mundo da moda. Muitos poucos brasileiros (além dos colunistas sociais) perdem tempo com isso. Foi só por acaso que me deparei com o texto abaixo, retirado da Folha Online.

De tão magras, modelos chegam a andar com dificuldade


ALCINO LEITE NETO
VIVIAN WHITEMAN
da Folha de S.Paulo


Chegou a um nível irresponsável e escandaloso a magreza das modelos nas semanas brasileiras de moda. As garotas, muitas delas recém-chegadas à adolescência, exibem verdadeiros gravetos como pernas e, no lugar dos braços, carregam espécies de varetas desconjuntadas. De tão desencarnadas e enfraquecidas, algumas chegam a se locomover com dificuldade quando têm que erguer na passarela os sapatos pesados de certas coleções.

Usualmente consideradas arquétipos de beleza, essas modelos já estão se acercando de um estado físico limítrofe, em que a feiura mal se distingue da doença.

Essa situação tem o conluio de todo o meio da moda, que faz vista grossa da situação, mesmo sabendo das crueldades que são impostas às meninas e das torturas que elas infligem a si mesmas para permanecerem desta maneira: um amontoado de ossos, com cabelos lisos e olhos azuis.

Uma rede de hipocrisia se espalhou há anos na moda, girando viciosamente, sem parar: os agentes de modelos dizem que os estilistas preferem as moças mais magras, ao passo que os estilistas justificam que as agências só dispõem de meninas esqueléticas. Em uníssono, afirmam que eles estão apenas seguindo os parâmetros de beleza determinados pelo "mercado" internacional --indo todos se deitar, aliviados e sem culpa, com os dividendos debaixo do travesseiro.

Alguns, mais sinceros, dizem que não querem "gordas", com isso se referindo àquelas que vestem nº 36. Outros explicitam ainda mais claramente o que pensam dessas modelos: afirmam que elas não passam de "cabides de roupas".

Enquanto isso, as garotas emagrecem mais um pouco, mais ainda, submetidas também a uma pressão psicológica descomunal para manterem, em pleno desenvolvimento juvenil, as características de um cabide.


Um emaranhado de ignorâncias, covardias e mentiras vai sendo, assim, tecido pelo meio da moda, inclusive pelos estilistas mais esclarecidos, que não pesam as consequências do drama (alheio) no momento em que exibem, narcisicamente, suas criações nas passarelas.

Para uma semana de moda, que postula um lugar forte na sociedade brasileira, é um disparate e uma afronta que ela exiba a decrepitude física como modelo a milhões de adolescentes do país.


Para a moda como um todo, que vive do sonho de embelezar a existência, a forma como os agentes e os estilistas lidam com essas moças é não apenas cruel, mas uma blasfêmia. Eles, de fato, não estão afirmando a grandeza da vida, mas propagando a fraqueza e a moléstia.

O filósofo italiano Giorgio Agamben escreveu que as modelos são "as vítimas sacrificiais de um deus sem rosto". É hora de interromper esse ritual sinistro. É hora de parar com essas mistificações da moda, que prega futuros ecológicos, convivências fraternais e fantasias de glamour, enquanto exibe nas passarelas verdadeiros flagelos humanos.

Foto: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u682197.shtml

Notícias em psiquiatria

Saturday, 16 January 2010

Variante genética vinculada à longevidade protege contra senilidade, diz estudo
Variante genética produz uma proteína que incrementa o colesterol bom (HDL) no sangue
Veículo: Folha Online
Seção: Ciência e Saúde
Data: 14/01/2010

Medicamento para Parkinson pode causar síndrome de abstinência
Problemas são descritos em artigo publicado no jornal "Archives of Neurology"
Veículo: Folha Online
Seção: Ciência e Saúde
Data: 14/01/2010

Pesquisa identifica evidência entre câncer e estresse
Cientistas afirmam que as células atingidas pelo estresse podem emitir sinais indutores da geração de tumores que afetam às células sadias vizinhas
Veículo: Folha Online
Seção: Equilíbrio
Data: 15/01/2010

Eu quero. Não quero mais
Com picos extremos de humor, o transtorno bipolar faz com a pessoa vá do céu ao inferno emocional
Veículo: Guia da Semana
Seção: Teen
Data: 15/01/2010

Drogas para baixar pressão protegem contra demências
Adultos que usam drogas do tipo bloqueadores dos receptores da angiotensina parecem ser menos propensos a desenvolver problemas como deterioração do cérebro
Veículo: O Globo
Seção: Viver Melhor
Data: 13/01/2010

Preocupação com estética leva a busca de remédios
Pesquisa Nacional de Saúde Escolar mostrou que 33% das meninas do 9º ano do ensino fundamental buscam emagrecer e que 6,9% delas vomitaram ou tomaram remédios para não ganhar peso
Veículo: O Dia
Seção: Geral
Data: 10/01/2010

Um quarto de licenças é por problema mental
Na Polícia Civil, mais de um quarto dos afastamentos do trabalho se deram por essa razão
Veículo: O Popular
Seção: Cidades
Data: 11/01/2010

As demais notícias saíram no mesmo jornal e na mesma data:

Transtornos tiram policiais das ruas
Números mostram um crescente número de licenças para tratamento médico e mesmo de aposentadorias por problemas psiquiátricos apresentados por esses trabalhadores

Pesquisa aponta alto estresse entre agentes
Fatores emocionais estão entre as principais causas de adoecimento dos policiais. Alguns tiveram de se afastar do trabalho e outros foram encaminhados para tratamento psiquiátrico

Notícias em toxicodependência

Monday, 11 January 2010

Ainda do clipping da ABP:

Cientistas descobrem mecanismogenético do vício de cocaína
Processo ajuda a explicar dependência e abre caminho para novos tratamentos
Veículo: Portal R7
Seção: Tecnologia e Ciência
Data: 07/01/2010

Mãe dependente química deve ser internada junto com a criança?
“Tratamento já tem sido realizado junto de filho menor de idade em alguns centros sérios ao redor do mundo”
Veículo: Vyaestelar
Seção: Vya estelar responde
Data: 07/01/2010

Trabalho num Centro de Recuperação de Dependentes Quimicos. Esta semana nos procurou uma mulher, dependente química de drogas (crack), com um filho recém-nascido há 15 dias. Psiquiatricamente é viável interná-la para tratamento junto com a criança?
Resposta: Esta pergunta requereria uma resposta bastante longa, já que envolve vários aspectos médicos, éticos e jurídicos.
Correndo o risco de ser simplista, respondo, a priori, que o tratamento de mãe com quadro de Síndrome de Dependência de Substâncias Psicoativas já tem sido realizado junto de filho menor de idade em alguns centros sérios ao redor do mundo, sob regime de internação.
No entanto, para que isso seja feito, é necessário um programa de tratamento bastante rigoroso e complexo para o manejo tanto da mãe quanto da criança, além de promover todos os cuidados de que a criança e o adulto necessitam. Não estou certo se existem clínicas no nosso país plenamente estruturadas para fornecer esse tipo de abordagem de forma efetiva e segura em um ambiente de internação, em comunidades terapêuticas, por exemplo.
Internar a mãe junto com seu filho significa ter uma clínica que, além de contar com uma programação de tratamento extremamente organizada e cientificamente embasada, possua profissionais amplamente habilitados no manejo tanto dos quadros de dependência química, quanto do desenvolvimento da criança. Psiquiatras (especialistas em Dependências Químicas e em Psiquiatria Infantil), psicólogos (especialistas em Dependências Químicas, Psicologia do Desenvolvimento, Terapia Sistêmica), assistentes sociais, pediatras, clínicos gerais, enfermeiros (especialistas em Psiquiatria e Pediatria) e nutricionistas serão todos necessários, formando um time de profissionais altamente engajados no manejo médico, psicológico e social dos pacientes maiores e menores de idade. Além disso, a equipe deve de fato ser interdisciplinar. Percebe-se que, além de cara, deve ser uma equipe bastante engajada funcionando 24 horas por dia.
De fato, nos anos seguidos a 1990, um pequeno grupo de programas nos Estados Unidos dedicado ao tratamento de alto investimento para Dependências Químicas aventurou-se nesse território até então desconhecido: promover um programa terapêutico de internação para as mães dependentes químicas junto de seus filhos menores de idade.
Um desses programas desenvolveu-se em Miami, Flórida (The Village South, Inc.). Hoje, o programa conhecido como Families in Transition (FIT) é reconhecido local e nacionalmente como um modelo em que pais e filhos são tratados de forma integrada; assim, à medida que um genitor se recupera da sua doença (Dependência Química), os múltiplos riscos à criança – de doenças, falha escolar, perturbação emocional, futuro abuso de substâncias, negligência parental, alienação – são reduzidos.
Nesse programa, por exemplo, as famílias devem progredir de um período de intenso tratamento e reunificação familiar para um período de progressiva independência em que os pais treinam continuamente suas habilidades sociais, cognitivas e afetivas, assumem suas responsabilidades (inclusive a de ser pai ou mãe), e se preparam para a re-inserção social.


Objetivos do programa
Esses programas altamente estruturados devem, dentre outras tarefas, promover:
• Tratamento adequado para os quadros de Dependência Química;
• Manejo dos quadros de Síndrome de Abstinência;
• Envolvimento de outros familiares no tratamento, inclusive aqueles que não estão internados;
• Visitações ao ambiente familiar no qual mãe/pai e filho retornarão (ou irão);
• Cuidados médicos e psicológicos adequados às crianças;
• Instalação de programas educacionais para as crianças, altamente individualizados;
• Segurança e ambiente acolhedor;
• Manutenção/aperfeiçoamento/desenvolvimento do relacionamento genitor – filho (ensinar a “arte de ser pai / mãe”).


Sem dúvida, a lista não termina aqui. Muitos desses programas se baseiam na crença de que a Dependência Química é uma das formas para perpetuar e agravar a disfunção familiar crônica. Dessa forma, o tratamento objetiva equilibrar/estabilizar os relacionamentos familiares, revelando o quanto o consumo de substâncias torna inaceitável e impossível o convívio familiar.
Estes programas sustentam que a sobrevivência e o sucesso dos filhos são tão importantes quanto a recuperação dos genitores. E, além disso, que as crianças podem se recuperar do trauma relacionado ao problema de drogas dos seus pais e iniciar uma vida saudável e produtiva. Todos os profissionais envolvidos nesses tipos de programa devem ser adequadamente treinados para pensar dentro de uma perspectiva sistêmica. Todos devem entender como cada componente do programa contribui para melhorar o funcionamento familiar e possibilitar o sucesso do tratamento.
Se assim não for, os profissionais especializados na infância/adolescência focarão a atenção apenas no cuidado às crianças; os terapeutas de adultos focarão o trabalho apenas no problema do consumo inadequado de substâncias do adulto; os assistentes sociais apenas focarão na identificação de referências e contra-referências e, dessa forma, nenhum trabalho interdisciplinar terá acontecido. O treinamento de uma equipe exige tempo, seriedade, compromisso, respeito mútuo, adequada formação acadêmica e grande investimento.
Entretanto, embora a missão desses programas seja a unificação familiar e a promoção do bem-estar, infelizmente existem casos em que o próprio staff recomenda que a criança seja afastada dos seus genitores, quando a segurança e o bem-estar do menor estão em risco. Frequentemente, a principal razão tem sido a inabilidade do genitor em manter a sobriedade. Também, a presença de outro transtorno mental grave em conjunto com a Dependência Química pode ser um fator complicador a mais. Essas decisões são bastante difíceis para os profissionais e a presença de um operador do Direito na equipe, sempre respeitando os limites éticos e as respectivas atribuições, pode ser bem-vinda. Reitero que recomendações desse tipo devem ser adequadamente embasadas cientificamente, contando com profissionais altamente qualificados na matéria específica.
Em muitos casos o consumo inadequado de substâncias psicoativas está atrelado a outros inúmeros problemas sociais. De acordo com as estatísticas do programa citado (The Village South, Inc.), uma entre quatro famílias não tinha residência fixa antes de dar entrada no tratamento; metade das mães não tinha completado o ensino médio; apenas 13% tinham emprego formal.


Limitações do programa


Apesar de atraentes à primeira vista, esses tipos de programas não são livres de críticas e limitações. Abaixo, compilo algumas delas:


a) Esses programas poderiam limitar o acesso da criança a outros familiares que estariam em condições de serem tutores, mesmo que temporários. Além disso, a estadia prolongada da criança em uma clínica poderia enfraquecer ou mesmo fraturar algumas de outras conexões importantes com o meio social;


b) Programas como esses são muito caros e não existem pesquisas suficientes para apoiar a crença de que eles são mais eficazes do que uma forma menos onerosa (por exemplo, em hospital-dia, centros de atenção psicossocial, etc). De outra forma, os filhos, mesmo não estando internados, poderiam ter acesso continuado aos pais na clínica e também receber tratamento adequado dentro ou fora da clínica. Aqui, o problema seria identificar um familiar confiável e comprometido (o que, infelizmente, não é sempre possível);


c) A presença dos filhos na comunidade terapêutica junto do genitor dependente químico poderia também desviar o foco do tratamento, se a equipe não souber adequadamente manejar os casos;


d) Pesquisas sobre a efetividade desses programas, tanto em termos de cessação do consumo de substâncias pelos genitores, quanto em termos de funcionamento familiar pós-internação e desenvolvimento psicológico e social dos menores, ainda estão em sua infância. Além disso, pesquisas para avaliar todos estes aspectos são muito difíceis e onerosas.


De qualquer forma, a paciente em questão e o seu filho precisam receber tratamento e suporte adequados. Acolher ambos, promover uma intensa busca por familiares continentes (com o suporte da própria mãe), conduzi-los para um hospital geral (onde existem enfermarias pediátrica e psiquiátrica) onde ambos possam ser adequadamente examinados e tratados inicialmente seriam condutas recomendadas.


Não podemos nos esquecer de que existem várias formas de tratamento para as Dependências Químicas, e a internação em Comunidades Terapêuticas ou Clínicas é apenas uma delas.
Para cada tipo de forma de tratamento, existem recomendações e indicações específicas, e as indicações devem ser realizadas por médicos especialistas.
Simplesmente liberar uma mãe desesperada que relata grande fissura por drogas e descontrole, carregando um filho recém-nascido nos braços não seria conduta correta. Nesse caso, o profissional de saúde tem um triplo papel: com a mãe, com a criança e com a sociedade. Se a mãe é portadora de uma doença médica, ela merece um tratamento adequado. A criança precisa de cuidados médicos e psicológicos adequados, de uma família (inclusive da própria mãe) e de oportunidades para poder desenvolver-se adequadamente.
Com bom senso, boa ciência e adequado diálogo entre diversos profissionais engajados e interessados, uma boa conduta e consequentemente bom resultado poderão ser atingidos.

Danilo Baltieri
Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas

Notícias em psiquiatria

Do clippling de noticias da ABP

Saúde masculina é mais frágil, aponta publicação de Harvard
"Harvard Men’s Health Watch" aponta motivos comportamentais e biológicos que tornam os homens mais vulneráveis
Veículo: Abril.com
Seção: Ciência e Saúde
Data: 07/01/2010

Estudo diz que antidepressivos são ineficazes em muitos casos
Dados fornecem uma explicação provável para falta de consenso sobre eficácia de drogas em geral
Veículo: Diário de Pernambuco
Seção: Mundo
Data: 06/01/2010

Drogas contra depressão são pouco eficazes em caso leve a moderado
Nova investigação é a primeira a analisar as respostas de centenas de pessoas em tratamento de sintomas moderados
Veículo: O Globo Online
Seção: Viver Melhor
Data: 07/01/2010

NOVA YORK - Algumas drogas amplamente receitadas para aliviar os sintomas de depressão não são mais eficazes do que placebos na maioria dos casos, segundo uma nova pesquisa publicada na revista da Associação Médica Americana.
Os resultados do estudo, realizado nos EUA, podem ajudar a esclarecer o longo debate sobre o uso de antidepressivos, embora os autores não afirmem que esses medicamentos são inúteis para indivíduos com depressão moderada a grave. Porém, a nova investigação é a primeira a analisar as respostas de centenas de pessoas em tratamento de sintomas moderados.
- O estudo pode diminuir o entusiasmo com relação a antidepressivos, o que pode ser uma coisa boa - diz o psiquiatra Erick H. Turner, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon. - As expectativas das pessoas para as drogas não serão tão elevadas, e os médicos não serão surpreendidos se não conseguirem curar todos os pacientes com medicamentos.
Foram revistos seis grandes estudos sobre o tema
Mas Turner diz que os resultados não devem desestimular pacientes, a ponto de se recusarem a tentar tratamento com esse tipo de droga. A equipe - incluindo psicólogos que defendem a terapia e médicos ligados a fabricantes de medicamentos - avaliou seis grandes estudos clínicos, feitos com 728 homens e mulheres; metade deles com depressão grave e a outra parte com sinais moderados.
Três dos ensaios foram com o Paxil, da GlaxoSmithKline, um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (SSRI, sigla em inglês), como o Lexapro e o Prozac etc, e os outros três com imipramina, genérico mais antigo da classe dos triíclicos. O grupo, liderado por Jay C. Fournier e J. Robert DeRubeis, da Universidade da Pensilvânia, descobriu que, comparados com placebos, as drogas causaram alívio mais acentuado nos sintomas de depressão grave, com pontuação de 25 ou mais na escala padrão de gravidade. Pacientes com pontuação inferior a 25 tiveram pouco ou nenhum benefício adicional.

Uma pequena observação: com este novo estudo, ninguém inventou a roda. Desde 2005 ouço falar de estudos que demonstram a ineficácia de antidepressivos em quadros leves a moderados. Este estudo apenas parece corroborar diversos achados no mesmo sentido. Quando se fala em ineficácia, na verdade está a se dizer que o efeito dos antidepressivos nesses quadros depressivos é semelhante ao do placebo, ou seja, não se pode descartar melhora por sugestão.

Os antidepressivos continuam muito bem indicados em quadros depressivos moderado-grave a graves e devem ser tomados adequadamente quando prescritos.

Notícias em psiquiatria

Monday, 28 December 2009

História de superação das drogas IV

Sunday, 27 December 2009

Pelo que me parece há no momento marketing sobre uma novela que esta ou estara no ar no Brasil que se chama Viver a Vida, na qual o tema é superação. Não sei nada sobre o assunto pois estou a morar fora do país desde 2005. O que sei é que tenho recebido recentemente inúmeros links com histórias de pessoas reais que têm lutado e vencido doenças e tragédias pessoais. Independentemente do porquê elas estão a circular na internet no momento, acredito que estas histórias têm seu lugar como textos de motivação e por isso resolvi lhes dar espaço neste blog. Hoje recebi estas histórias que estão em um site do portal Globo.



Iara Vasconcelos – Versão estendida



qua, 30/09/09por TV Globo
categoria Dependência química
tags Dependência química, Iara Vasconcelos


Com a ajuda da família, Iara conseguiu superar a dependência química.

Iara começou a beber aos 13 anos por causa de uma desilusão amorosa. A mãe achava que era um problema emocional e, então, começou a levá-la a um grupo de apoio que tratava de neuróticos. Iara começou a experimentar outras drogas e em pouco tempo estava viciada. Passava muito tempo na casa do namorado, que também era usuário de drogas. Ficavam, muitas vezes, dias sem dormir. Os pais do namorado perceberam o que estava acontecendo e resolveram intervir acionando os pais de Iara.

O pai de Iara concordou em ajudá-la e assim ela buscou uma clínica para o tratamento. Perto da virada do ano, recebeu a visita da família e soube que seria tia. A partir daí, decidiu que seria um bom exemplo para sua sobrinha. Hoje, ela e o namorado trabalham no local onde se reabilitaram ajudando na recuperação de outros dependentes.

Historias de superacao - transtorno bipolar

Pelo que me parece há no momento marketing sobre uma novela que esta ou estara no ar no Brasil que se chama Viver a Vida, na qual o tema é superação. Não sei nada sobre o assunto pois estou a morar fora do país desde 2005. O que sei é que tenho recebido recentemente inúmeros links com histórias de pessoas reais que têm lutado e vencido doenças e tragédias pessoais. Independentemente do porquê elas estão a circular na internet no momento, acredito que estas histórias têm seu lugar como textos de motivação e por isso resolvi lhes dar espaço neste blog. Hoje recebi estas histórias que estão em um site do portal Globo.




qua, 14/10/09por TV Globo
categoria Transtorno Bipolar Familiar Afetivo
tags Danielle Porto, Transtorno Bipolar Familiar Afetivo


Em abril de 2008, Danielle Porto viu sua vida mudar drasticamente. Seu marido Marcelo, com 32 anos na época, surtou e foi morar nas ruas. Caminhava sem rumo e agia de forma incoerente. Na rua, perdeu dinheiro, perdeu seu violão, seu relógio. Foi preso diversas vezes e muitos acreditavam que era dependente químico e alcoólatra. Mesmo assim, Danielle não desistiu do seu casamento. Com ajuda da polícia conseguiu interná-lo. Marcelo foi diagnosticado como portador de Transtorno Bipolar Familiar Afetivo, mas chegou a Esquizofrenia devido ao surto psicótico. Sofreram muito preconceito, perderam amigos e até familiares se afastaram. Danielle nunca deixou de ficar ao lado de seu marido, mesmo com todas as dificuldades. O amor conseguiu vencer todos os obstáculos da doença e hoje, já recuperado, Marcelo se prepara para voltar ao mercado de trabalho.

História de superação das drogas III

Thursday, 24 December 2009

Pelo que me parece há no momento marketing sobre uma novela que esta ou estara no ar no Brasil que se chama Viver a Vida, na qual o tema é superação. Não sei nada sobre o assunto pois estou a morar fora do país desde 2005. O que sei é que tenho recebido recentemente inúmeros links com histórias de pessoas reais que têm lutado e vencido doenças e tragédias pessoais. Independentemente do porquê elas estão a circular na internet no momento, acredito que estas histórias têm seu lugar como textos de motivação e por isso resolvi lhes dar espaço neste blog. Hoje recebi estas histórias que estão em um site do portal Globo.



Desirêe Ramos – Versão estendida


sáb, 17/10/09por TV Globo
categoria Drogas
tags Desirêe


Desde pequena, Desirêe era uma criança compulsiva. Manipulava as pessoas para satisfazer suas vontades. Apanhou muito na infância. Aos 11 anos, começou a sair de casa para se enturmar com meninos mais velhos. Fugia, mas sempre voltava. Até que um dia, fugiu e ficou mais de um ano sem aparecer. Começou a se drogar, a beber, com apenas 12 anos.

Tempos depois, entre idas e vindas de casa, se apaixonou por um menino e resolveu fugir para Florianópolis atrás dele. Foi aí que, aos 14 anos, começou a usar o crack e a se prostituir para conseguir a droga. Certa vez, quando havia virado menina de rua e estava no fundo do poço, um rapaz a viu e a levou para uma clínica de reabilitação. Entre muitas recaídas, conheceu o Paulo, que hoje é seu marido. Fez o tratamento, voltou a estudar e hoje leva uma vida feliz e sem drogas.

Notícias em psiquiatria

Tuesday, 22 December 2009

Notícias em psiquiatria

Sunday, 20 December 2009

Anorexia também é doença de rapazes
Reportagem do jornal português Expresso, trazida à atenção pela colega do blogue "Esqueci a Ana".

Do clipping de notícias da ABP:

Hormônio que controla o apetite pode cumprir um papel no Alzheimer
Segundo estudo, um quarto daqueles com menores níveis do hormônio desenvolveram Alzheimer
Veículo: Boa Saúde
Seção: Notícias
Data: 16/11/2009

Problemas de memória pode estar relacionado com falta de paciência dos pais
Para os pais, é particularmente importante manter a cabeça fria quando se está na presença de crianças fazendo bagunça
Veículo: UOL
Seção: O que eu tenho
Data: 18/12/2009

Médicos retiram 151 peças de metal de estômago de homem em Maceió
“Em cima dos delírios que uma pessoa com problemas mentais cria, ela pode perder a noção do que é certo ou errado”, diz psiquiatra
Veículo: UOL
Seção: Cotidiano
Data: 18/12/2009

Álcool na adolescência
Álcool costuma ser tolerado no âmbito familiar, o que é um equívoco
Veículo: Zero Hora
Seção: Editorais
Data: 18/12/2009

5 coisas que você deve saber sobre Dependência de Internet
Por Cristiano Nabuco de Abreu
Veículo: UOL
Seção: O que eu tenho
Data: 18/11/2009

1. O que é dependência de Internet?

É uma nova classificação de transtorno mental que ainda não foi reconhecida oficialmente pela Medicina e pela Psicologia, mas que já se faz presente em vários países do mundo causando sérios problemas de adaptação em jovens e adultos. Na Coréia do Sul, por exemplo, já se considera um problema de saúde pública e vem merecendo a atenção das autoridades.

Pelo fato da Internet estar associada à realização de atividades acadêmicas, profissionais ou mesmo sociais, o uso excessivo ainda não é facilmente detectado por familiares ou profissionais de saúde. Assim sendo, a dependência se estabelece quando o individuo “não mais consegue” regular o tempo de uso, ficando aprisionado em atividades virtuais como, por exemplo, jogos on-line ou mesmo em redes sociais “tuitando” o tempo todo.

2. Por quais razões a dependência de Internet se desenvolve?

Usualmente, esta dependência se desenvolve quando o indivíduo apresenta quadros de depressão, transtorno bipolar do humor ou ainda quadros de fobia View definition in a new window social. Desta forma, a Internet acaba servindo como um meio destas pessoas regularem o seu humor, ou seja, quando estão se sentido mal, buscam se conectar e assim experimentar alguma forma de alívio. Na Internet as pessoas conseguem também exibir mais livremente um tipo de atitude que muitas vezes não conseguiriam ter na vida real. Assim, aquelas pessoas que são mais fechadas, por exemplo, na vida virtual se tornaram mais extrovertidas. Aquelas que estão mais deprimidas, ao teclar com alguns amigos virtuais, se sentiriam mais amparadas e aceitas (não é raro, inclusive, ouvir destas pessoas: “a internet, é meu prozac virtual”), dada a sensação de alívio.

Algumas situações adicionais compreendem aqueles casos onde as pessoas vivem momentos de crise familiar ou conjugal e encontrariam na Internet a sua “cara metade” ou mesmo um bom ou boa amiga. Evidentemente que estas situações que são criadas na Internet muitas vezes não chegam a migrar para o mundo real, entretanto, servem para manter acessas a vontade de experimentar uma vida paralela, muitas vezes mais satisfatória que a vida real. Muitas pessoas, inclusive, dizem que a Internet se torna um “novo refúgio” para elas.

3. Como identifico se alguém está com esse problema?

Alguns comportamentos podem ser observados: Ficar mais tempo conectado do que o planejado (até tarde da noite, ao longo dos finais de semana, por exemplo); preferir estabelecer relações com amigos virtuais em vez de amigos do mundo real (ou seja, negligenciar a atenção com a família e com o circulo social); deixar de lado as atividades que precisariam ser feitas para poder ficar mais tempo conectado; observar prejuízos no trabalho, escola ou mesmo nas relações pessoais; mentir a respeito do tempo que esteve conectado; tentar reduzir o tempo de navegação, mas não conseguir. Todos estes elementos juntos ou mesmo separados já seriam fortes indícios de que a pessoa se tornou ou está se tornando dependente da Internet.

4. A dependência de Internet tem tratamento?

Sim. Os pacientes adultos devem se submeter a tratamento em psicoterapia (terapia cognitiva, preferencialmente) e buscar ajuda psiquiátrica, dependendo do estado geral, por indicação do psicólogo.

No caso de adolescentes, além do paciente, é interessante que a família também receba orientação em como conduzir a ajuda e também para observar se a fuga do(a) filho(a) ao mundo virtual, não pode ser entendida com uma forma de escape das relações familiares marcadas por crise e desestrutura.

5. A quem devo buscar para pedir ajuda?

Psicólogos e psiquiatras devem ser buscados para oferecer este tipo de tratamento. A ajuda quando oferecida corretamente, traz alivio e uma recuperação efetiva.

Cristiano Nabuco de Abreu, coordena o Programa de Dependência de Internet do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. E-mail: nabuco@usp.br

Notícias em psiquiatria

Sunday, 13 December 2009

Do clipping de notícias da ABP

Vidas esquecidas
O poder público assume responsabilidade de dar sustento, atenção e carinho a vítimas de doenças mentais abandonadas pelos parentes. Agora, eles podem trocar o hospital por residência terapêutica em Joinville
Veículo: A Notícia
Seção: Notícias
Data: 10/12/2009

Cérebro, terreno misterioso
Antidepressivos e criatividade, as limitações da medicina para entender a mente humana, a chatice da normalidade e o custo de uma consulta. O especialista Beny Lafer enfrente esses e outros assuntos espinhosos da psiquiatria moderna.
Veículo: Revista Poder
Seção: Mente Insana
Data: 30/11/2009

Estudo associa cigarro na gravidez a distúrbios de atenção em crianças
Hiperatividade e déficit de atenção são algumas das doenças relacionadas ao fumo
Veículo: Minha Vida
Seção: Saúde
Data: 11/12/2009

Doenças psicossomáticas: O corpo pode refletir o desequilíbrio psíquico
O médico psiquiatra e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, José Lourenzato de Mendonça, fala da importância de ter uma mente sã para equilibrar o corpo.
Veículo: Rede Globo
Seção: Bom Dia Minas
Data: 10/11/2009

Uma gastrite que surge de repente, dor de cabeça e até mesmo problemas de pele que vão e voltam sem um motivo aparente. Muitas vezes o corpo reflete um desequilíbrio psíquico. Nós estamos falando das doenças psicossomáticas. Como elas surgem? Como podem ser tratadas, evitadas? Quem explica é o psiquiatra e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Lourenzato de Mendonça:

Depressão no idoso
Há evidências que as mudanças naturais do corpo durante o envelhecimento podem aumentar o risco de depressão
Veículo: UOL
Seção: O que eu tenho
Data: 10/12/2009

Cientistas dizem ser capazes de neutralizar memórias traumáticas
Especialistas esperam que seu trabalho ajude pessoas que sofrem de condições como o transtorno de estresse pós-traumático
Veículo: BBC Brasil
Seção: Notícias
Data: 10/12/2009

Autismo: Quem é o bobo nessa história?

Saturday, 12 December 2009

O artigo abaixo de Erivelton Rodrigues  foi publicado no Correio de Uberlândia Online. Acho que o texto merece ser lido e repassado, motivo pelo qual o transcrevo aqui.

Autismo: Quem é o bobo nessa história?

Reflexão
Erivelton Rodrigues
07/12/2009

Você já ouviu falar em autismo? Um dia desses,grande parte dos brasileiros ouviu e de uma forma no mínimo leviana.

"Se nós fossemos pessoas melhores levaríamos a Bozena ao médico. Agora me ocorreu que eu tenho a impressão de que a Bozena é autista. Lembra de um filme que a gente viu com Tom Cruise, que o irmão era meio bobo, era autista?"

Esta frase foi pronunciada durante a programação da maior emissora de televisão do país. Trata-se de uma fala do personagem Mário Jorge do programa humorístico "Toma lá, dá cá", vivido pelo ator Miguel Falabella, que também assina a obra como autor.

No diálogo, Mário Jorge depreciava a empregada Bozena, vivida pela atriz Alessandra Maestrini.

Pois bem, está no dicionário: "Bobo: Pessoa que quer divertir os outros com trejeitos, caretas e ditos tolos". Também está no dicionário o significado do termo autista: "Pessoa que sofre de autismo" que por sua vez quer dizer "Estado mental caracterizado pela tendência a alhear-se do mundo exterior e ensimesmar-se".

E vamos além: O autismo é uma desordem comportamental que geralmente impede que a pessoa que sofre dela desenvolva relações sociais normais, se comportando de maneira compulsiva e ritualista. Não se trata de um retardo mental ou lesão cerebral como muitos pensam, embora vários autistas apresentem também estes problemas.

Os sinais do autismo costumam aparecer antes dos três anos de idade e sua causa é desconhecida, apesar de haver vários estudos como tentativas de encontrá-la.

Pode ocorrer atraso na iniciação da fala de uma criança autista com relação a outras crianças da mesma faixa etária de idade. A criança autista costuma se isolar, não por estar desinteressada por relacionamentos com outras pessoas mas por ter dificuldade em iniciar, manter e terminar uma conversa.

Ela não possui o hábito de abraçar, olhar no olho das outras pessoas e ao falar pode ser que o faça de forma diferente ou que não o faça, algumas vezes por não poder, outras por não querer.

Também podem ser encontrados nos indivíduos com autismo,outros sintomas tais como: Risos e sorrisos inapropriados, resistência a mudar de rotina, insistência com gestos idênticos, pequena resposta aos métodos normais de ensino, aparente insensibilidade à dor, repetição de palavras ou frases, hiper ou hipo atividade física, angústia sem razão aparente, não responde às ordens verbais atuando como se fosse surdo, dificuldade em expressar suas necessidades empregando gestos ou sinais para os objetos em vez de usar palavras,etc.

Existem vários graus de autismo, podendo haver portanto, autistas mais sociais, intelectuais e por diversas vezes não muito diferentes das pessoas tidas como normais. O diagnóstico da doença é feito por meio de observação.

Enfim, tentemos responder agora, a pergunta feita no título: Quem é o bobo nessa história? Existe virtude em instigar julgamentos preconceituosos utilizando de um meio de comunicação de massa, de concessão pública, em nome de uma audiência conquistada à qualquer custo? O ator pediu desculpas pelo ocorrido, mas que não se confunda o ato de pedir desculpas por uma falha, com o ato de apagá-la.

Bobo o autista? Não. Bobo, o artista.


Para ler o original, clique aqui.

Notícias em toxicodependência

Friday, 11 December 2009

Deu no Blog da Saúde

Thursday, 10 December 2009

Para ler a notícia na íntegra, clique na figura.


Notícias em toxicodependência Robert Downey Jr. — Accidental Drug Addict



ROBERT Downey Jr. tornou-se dependente químico por acidente.


O astro de Iron Man - que foi preso e participou de reabilitações às drogas diversas vezes entre 1996 e 2001 - insiste que ele havia prometido a si mesmo nunca experimentar narcóticos classificação A (opioides, crack e cocaína) e só notou que tinha um problema quando tinha que usar drogas para se livrar de seus sintomas "de gripe".
"Da primeira vez foi ópio" - o ator disse à revista britânica Esquire. "Da segunda vez parecia ópio. Assemelhava-se a ópio, cheirava o mesmo, talvez um pouco mais sujo (...) e quando acordei 3 semanas depois, e pensava que estava gripado, usei mais uma vez, olhei para cima e disse "Beleza. Agora somos drogados. Que grande m****!"

"Eu sempre fui o cara que dizia "Não à heroína e não ao crack". Mas não importa se você passa 10 anos sem usar. Porque no dia 3551 é a sua vez."
O ator de Sherlock Holmes também admitiu ter lutado para largar o vício e achou-se vez e outra de volta às clínicas de recuperação.

“I’m Retread Fred, recaído serial”

Foto: http://sporeflections.wordpress.com/2009/03/26/my-doppelgangers/

Notícias em psiquiatria

Wednesday, 9 December 2009

Do clipping de notícias da ABP

A dieta do vício
Para manterem-se magras, mulheres trocam a comida pelo álcool. A doença já ganhou nome: drunkorexia

Veículo: A Notícia
Seção: Joinville
Data: 06/12/2009
Estado: SC

Embora esteja no peso ideal ou ligeiramente abaixo dele, Camila* jamais descuida do corpo. Se preocupa com a silhueta a ponto de seguir um treino diário na academia e excluir totalmente os doces e as frituras do cardápio. Já Larissa* obedece a um menu ainda mais espartano: além de gorduras e doces, não come massas, e ainda assim, acha que não se preocupa o suficiente com o corpo. Psicóloga e publicitária moram em Florianópolis, têm pouco mais de 30 anos e, além de dividirem a preocupação excessiva com o corpo, têm outro ponto em comum: os regimes restritivos que seguem não excluem excessos alcoólicos frequentes. No prato, saladinha. No copo, vinho, cerveja, champanhe ou vodka.


Substituir refeições por álcool, trocar as calorias de grupos alimentares por aquelas contidas nas bebidas ou ainda utilizá-las para aplacar a ansiedade e o vazio no estômago geram um comportamento de risco que recentemente foi batizado de alcoolrexia, anorexia alcoólica ou drunkorexia (drunk significa bêbado em inglês). Os nomes não são oficiais, assim como o comportamento não é considerado um transtorno alimentar, mas especialistas alertam para o aumento do número de meninas que apresentam esse traço.


“A valorização cultural da magreza e a aceitação social do uso de álcool pelos jovens têm provocado o aumento de casos, mas não há dados definitivos sobre quantas pessoas apresentam este tipo de comportamento”, explica Eduardo Wagner Aratangy, supervisor do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Mulheres com essas características já procuraram especialistas de Santa Catarina. “A preocupação com as calorias é tanta que o mínimo que ela se permite usa no álcool. Elas não querem abrir mão disso, então, não comem quase nada. Em outros casos, a bebida pode tirar a fome”, explica a nutricionista Isabela Sell. Seja por mecanismos calóricos ou cerebrais, o álcool, de fato, pode dar a sensação de saciedade.


“O álcool libera dopamina, neurotransmissor que diminui a ansiedade. Quando estamos com fome ficamos mais ansiosos. O álcool relaxa. Ele também tem um aporte calórico, mas não tem proteína nem aminoácido”, explica o psiquiatra Marcos Zaleski. A combinação entre abuso de álcool e falta de nutrientes pode causar desnutrição e gastrite, além de lesões hepáticas que podem resultar em hepatite e câncer. Do ponto de vista psiquiátrico, pode provocar ansiedade e depressão.

* Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas.

Aécio sanciona lei antifumo em Minas Gerais
Nova legislação estabelece que o proprietário ou responsável pelo estabelecimento comercial que descumprir a proibição em local fechado será multado
Veículo: Agência Estado
Seção: Notícias
Data: 04/12/2009

Estudo associa tabagismo ao risco de câncer de intestino
Pesquisa "oferece mais uma razão para não fumar, ou para parar o mais rápido possível
Veículo: Boa Saúde
Seção: Notícia
Data: 07/12/2009
 
Estudo associa exercícios físicos a maior inteligência
Atividades aeróbicas estimulam o desenvolvimento de neurônios no cérebro
Veículo: Folha de S Paulo
Seção: Saúde
Data: 05/12/2009

Sexo entre toxicômanos acelera transmissão do HIV na Ásia
Segundo os últimos dados revelados pela OMS, a maioria dos contágios da doença no continente acontece agora por via intravenosa
Veículo: Folha Online
Seção: Ciência
Data: 07/11/2009

Maconha é usada como terapia medicinal no norte de Israel
Um hospital público israelense começou a realizar o tratamento e a receitar maconha para os doentes. E mais: eles podem fazer uso da medicação, quer dizer, fumar a erva, dentro do hospital.
Veículo: Rede Globo
Seção: Fantástico
Data: 06/12/2009

Carta de suicídio da atriz Leila Lopes

Tuesday, 8 December 2009

Acabei de ler no site do Yahoo! Brasil:

A atriz brasileira Leila Lopes foi encontrada morta em seu apartamento na madrugada do dia 3, cercada de frascos de antidepressivos e com pratos com restos de comida misturados a veneno de rato. Junto dela estavam dois envelopes, um endereçado à família e o outro ao marido.


A família resolveu divulgar o seu documento. Leia abaixo, na íntegra, a carta deixada pela atriz:

"Não chorem, não sofram, eu estou ABSOLUTAMENTE FELIZ! Era tudo o que eu queria: ter paz eterna com meu Deus e, se possível, com minha mãe. Eu não me suicidei, eu parti para junto de Deus. Fiquem cientes que não bebo e não uso drogas, eu decidi que já fiz tudo que podia fazer nessa vida. Tive uma vida linda, conheci o mundo, vivi em cidades maravilhosas, tive uma família digna e conceituada em Esteio, brilhei na minha carreira, ganhei muito dinheiro e ajudei muita gente com ele. Realmente não soube administrá-lo e fui ludibriada por pessoas de má fé várias vezes, mas sempre renasci como uma fênix que sou e sempre fiquei bem de novo. Aliás, eu nunca me importei com o ter. Bom, tem muito mais sobre a minha vida, isso é só para verem como não sou covarde não, fui uma guerreira, mas cansei. É preciso coragem para deixar esta vida. Saibam todos que tiverem conhecimento desse documento que não estou desistindo da vida, estou em busca de Deus. Não é por falta de dinheiro, pois com o que tenho posso morar aqui, em Floripa ou no Sul. Mas acontece que eu não quero mais morar em lugar nenhum. Eu não quero envelhecer e sofrer. Eu vi minha mãe sofrer até a morte e não quero isso para mim. Eu quero paz! Estou cansada, cansada de cabeça! Não agüento mais pensar, pagar contas, resolver problemas... Vocês dirão: Todos vivem! Mas eu decidi que posso parar com isso, ser feliz, porque sei que Deus me perdoará e me aceitará como uma filha bondosa e generosa que sempre fui.
Aos meus fãs verdadeiros; aos jornalistas imparciais; ao Walter Negrão e sua esposa Orphilia; a LBV; ao Eduardo Gomes; ao prefeito de Itu, Herculano Neto e toda a sua equipe e ao meu amigo Zé meu muito obrigado. Às emissoras que trabalhei, obrigada. E aos colegas maravilhosos, muita luz! A todos os sites dignos que acompanharam a minha vida, SUCESSO! Ego, Esther Rocha, Thiago, Odair Del Pozzo, Felipe Campos, não se sintam esquecidos. Não posso citar nomes de amigas, pois aí seria um livro, mas Sueli você é a irmã que eu não tive. Márcia, seja sempre feliz amiga. Magrid, obrigada por tudo! Andréia, do TV Fama, beijo amiga. Tadeu (di Pietro) cadê você??? Desculpe a quem eu esqueci, a vida foi muito mais maravilhosa do que sofrida para mim. Obrigado Jesus, Nossa Senhora e meu Deus, perdoem-me e recebem-me como a filha honesta e bondosa que sempre procurei ser! Fiquem com Deus, todos! Leila Lopes.

Se existe sentimento maior que o amor, eu desconheço!"

Ao ler esta notícia, lembrei-me de um livro interessante para quem trabalha na área da saúde mental: Em Portugal o livro chama-se "Vou-me embora - cartas suicidas" de Udo Grashoff (Let Me Finish, em inglês. Acho que o livro não foi traduzido no Brasil).
Neste livro o autor, um acadêmico alemão, juntou 45 notas suicidas (desde extensas cartas a pequenas notas). O livro é mórbido, não há dúvida, mas sua leitura é altamente interessante.

Posted by Vanessa at 09:52 5 comments